<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637</id><updated>2012-01-31T08:16:30.044-02:00</updated><category term='Cinema mudo'/><category term='Beatles'/><category term='Globo de Ouro'/><category term='Irã'/><category term='Theatro Municipal'/><category term='Doc: Cidade da Bahia'/><category term='Conto'/><category term='Wong Kar Wai'/><category term='Hong Kong'/><category term='China'/><category term='Brasil'/><category term='Festival de Berlim'/><category term='Ficção'/><category term='Comédia'/><category term='Woody Allen'/><category term='Fotos'/><category term='Livros'/><category term='Vietnã'/><category term='Hora do Brasil'/><category term='Vacaciones'/><category term='Seberg'/><category term='Drama'/><category term='Rússia'/><category term='Comida'/><category term='Suspense'/><category term='Cuba'/><category term='Cannes'/><category term='Kubrick'/><category term='Documentário'/><category term='Espanha'/><category term='Bélgica'/><category term='Clássico'/><category term='Independente'/><category term='David Lynch'/><category term='Viagem'/><category term='Vida real'/><category term='É Tudo Verdade'/><category term='Godard'/><category term='Hitchcock'/><category term='Canadá'/><category term='Romênia'/><category term='Infantil'/><category term='Inglaterra'/><category term='Épico'/><category term='TV'/><category term='Ação'/><category term='Cinema'/><category term='Chaplin'/><category term='Nouvelle Vague'/><category term='Ensaio'/><category term='Itália'/><category term='Estados Unidos'/><category term='Polônia'/><category term='Terror'/><category term='Rio de Janeiro'/><category term='Curta: No tempo de meu avô...'/><category term='Música'/><category term='Romance'/><category term='John Lennon'/><category term='Alemanha'/><category term='Argentina'/><category term='Japão'/><category term='Coréia do Sul'/><category term='Chile'/><category term='Oscar'/><category term='Hq'/><category term='Festival do Rio'/><category term='Almodóvar'/><category term='Oriente Médio'/><category term='França'/><title type='text'>Café: extra-forte</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>196</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6392102070018300483</id><published>2012-01-27T12:33:00.001-02:00</published><updated>2012-01-27T14:59:49.519-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cannes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival de Berlim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><title type='text'>Tomboy</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1JCKg9xdqK8/TyK1gX6b40I/AAAAAAAACuk/tJra9NHQIoE/s1600/2012-01-30.tomboy1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-1JCKg9xdqK8/TyK1gX6b40I/AAAAAAAACuk/tJra9NHQIoE/s640/2012-01-30.tomboy1.jpg" width="428" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trailer chama atenção por já trazer os principais focos detensão da história. Mas, mesmo sem vê-lo, só o cartaz é suficiente. &lt;i&gt;Tomboy&lt;/i&gt; conta a chegada de uma nova garotaà cidade, que está entrando na adolescência e começa a definir sua sexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laure (Zoé Haren) tem 10 anos e acaba de se mudar com afamília para uma nova cidade. Uma tarde, decide sair para conhecer os vizinhose ao se apresentar, assume o nome de Mikael. A apresentação do filme é seugrande trunfo: as consequências e os comportamentos de Laure na rua e emcasa são tão improvisados quanto essa nova&lt;i&gt;&lt;/i&gt;identidade que concebeu para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio é a marca maior da produção. Voltando ao cartaz,vemos um mistério no rosto da protagonista. É ela, de cabelos curtos ecamiseta, numa expressão séria e uma parede floral ao fundo.Esse é o momento em que sua irmã desenha seu retrato e pede que ela fiquequieta enquanto termina. Mas a expressão, a paciência de Laure e o mistério queseu olhar carrega marcam o filme; ela é uma jovem calada. Por ser assim, porguardar para si o que lhe acontece, é que a narrativa funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A câmera acompanha sua trajetória se fixando sempre noolhar; em Laure observando os garotos para mimetizá-los, em Lisa, a amiga elíder do grupo de quem passa a gostar e que se torna sua namoradinha, nosencontros com o espelho. Ao mesmo tempo, a acompanhamos em casa, nasbrincadeiras com a irmã Jeanne, com os pais. Somoslevados a participar da vida desta garota em planos quase documentais: não hámúsica na maior parte do tempo, a luz é natural e os planos compoucos movimentos ampliam a visão da história que se desenrola, deixando quenos concentremos mais nas ações dos personagens do que em jogos estéticos deplanos inusitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão de gênero e talvez da inocência são mote do filmee nos fazem pensar em quando e de que forma também nossas preferências sexuaissão definidas. Laure se enxerga como um menino? Ela quer ser um menino? Aprotagonista não parece se importar com as diferenças entre ela e os garotos e sósoma alguns apetrechos para não quebrar a ilusão criada. Ao mesmo tempo,se deixa maquiar por Lisa que se surpreende em como ela fica bem de &lt;i&gt;menina.&lt;/i&gt; Outro destaque é quando sua mãea obriga a usar um vestido, aumentando a tensão já no desenrolar do clímax. Éaqui que percebemos duas fortes questões: como Laure se envergonha de usar aroupa e como sua família se comporta com essa reação. É como se a protagonista quisessedesaparecer, já que não pertence àquela situação e não se enxerga sob aquelefigurino/personagem. Na verdade, sua mãe é quem a quermais feminina – ainda que não imponha isso a maior parte do tempo, deixando-a livrepara se vestir como quiser – e o pai está sempre ausente, mas como abraço consolador que nada resolve, a relação de Laure com sua família acaba de se enchendo de não-ditos e mal-entendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um filme tão sensível e tratando de personagens emformação, a diretora ainda teve uma grande ideia: chamar os amigos de Zoé Haren para participarem como atores mirins. Assim, ela ficaria mais à vontade no papel estando diante de conhecidos e a relação entreas crianças seria mais natural. Para fidelizar o personagem, Zoé cortou os cabelos e a transformaçãofuncionou: ao olharmos para esta criança, não sabemos se é uma menina oumenino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do filme se centrar naprotagonista e na força de sua história, sua irmã não passa despercebida.Jeanne (Malonn Lévana) tem 6 anos, é esperta e atenta. Engraçada como se isso fosse parte nãosó do personagem como de si mesma, suas sacadas quebram a tensão do filme etrazem leveza, reforçando a intenção da diretora em manter a narrativa focadanas crianças. É ela que tem mais falas no roteiro e quem primeiro instaura atensão em Laure da descoberta da &lt;i&gt;farsa&lt;/i&gt;, quando abre a porta de casa para Lisa,que procura por Mikael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Tomboy,&lt;/i&gt;que não tem palavra similar no português, significa menina que gosta debrincadeiras e atividades &lt;i&gt;tipicamente&lt;/i&gt;de meninos. Não suficiente, o filme se apodera do sentido e o estende até olimite; tudo o que encontramos para caracterizar Laure é masculino: o quartoazul sem detalhes femininos, bonecos masculinos, roupas. Ao mesmo tempo, nãoaparenta uma confusão ou uma negação do corpo, como dito anteriormente. Talveza idade ainda não propicie mudanças tão drásticas às crianças que ainda estãodescobrindo a sexualidade e entrando na adolescência. Não é à toa que Lisa seinteressa por ele/ela; já conhece todos os garotos e o mais misterioso e &lt;i&gt;que não é como os outros&lt;/i&gt; é Mikael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheio de grandes questões, esse é um filme simples. Com muito pouco e filmado em um verão, é o segundolonga de Céline Sciamma, feito de forma ainda mais enxuta que o primeiro, &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0869977/" target="_blank"&gt;Lírios d’água (Water Lilies, 2007)&lt;/a&gt;,&lt;/i&gt; quetambém aborda sexualidade e homossexualismo, só que na adolescência. Acredito,entretanto, que &lt;i&gt;Tomboy&lt;/i&gt; não entranessa &lt;i&gt;classificação &lt;/i&gt;que o reduziria,mas como uma obra aberta e sensível. É um filme sobre a infância e o início daadolescência, um período de descobertas e formação, que aqui vivenciamos deforma leve e gostosa, nos permitindo tanto voltar no tempo e lembrar nossaprópria história quanto pensar em como seria o futuro desta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Original: Tomboy&lt;br /&gt;Diretora: Céline Sciamma&lt;br /&gt;2011 França / 80 min&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.tomboymovie.com/" target="_blank"&gt;Site Oficial&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6392102070018300483?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6392102070018300483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6392102070018300483&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6392102070018300483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6392102070018300483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2012/01/tomboy.html' title='Tomboy'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-1JCKg9xdqK8/TyK1gX6b40I/AAAAAAAACuk/tJra9NHQIoE/s72-c/2012-01-30.tomboy1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-1041709015962976185</id><published>2012-01-25T10:06:00.002-02:00</published><updated>2012-01-25T12:43:37.714-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Irã'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oriente Médio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival de Berlim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Globo de Ouro'/><title type='text'>A Separação</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vQUi6sS37yU/Tx_wHqjuGnI/AAAAAAAACuA/NutwP4x2180/s1600/separacao.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-vQUi6sS37yU/Tx_wHqjuGnI/AAAAAAAACuA/NutwP4x2180/s640/separacao.jpg" width="432" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O primeiro filme do Oriente Médio que eu vi na vida acho que foi &lt;i&gt;Filhos do Paraíso, &lt;/i&gt;do diretor Majid Majidi&lt;i&gt;.&lt;/i&gt; Por coincidência também é iraniano e lembro que na época eu já tinha essa vontade de ver filmes de vários lugares do mundo. O que me deu segurança foi o fato de ser um filme sobre crianças, de ser de lá e, é claro, a nominação ao Oscar de filme estrangeiro em 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ficamos em dúvida sobre algumas escolhas das outras categorias, a de Filme Estrangeiro merece crédito. Eles selecionam os melhores filmes do ano &lt;i&gt;de verdade&lt;/i&gt; e ainda ficamos sofrendo com outros incríveis que não entram. Só pra lembrar, o ano passado foi de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3Ajeyr8WRYM" target="_blank"&gt;Em um Mundo Melhor &lt;/a&gt;e em 2010, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=WgzQhKSqzyA" target="_blank"&gt;O Segredo de Seus Olhos&lt;/a&gt;. Quem conhece vai concordar com qualquer prêmio que seja dado a eles. Esse é o ano de &lt;i&gt;A Separação&lt;/i&gt;. De &lt;i&gt;Filhos &lt;/i&gt;pra cá, tenho buscado ver esses filmes de &lt;i&gt;terras distantes&lt;/i&gt; e não só isso, a cinematografia de lá tem uma estrutura própria, uma forma de contar histórias que me agrada. É mais próxima dos filmes realistas e documentais, do próprio neo-realismo italiano com não-atores, um pouco de cinema novo, só que mais fluido e de uma sensação firme de que o que se conta ali é de fato o que acontece na &lt;i&gt;vida real&lt;/i&gt;. Essa marca se torna ainda mais forte se imaginarmos uma história parecida contada pelo cinema americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A Separação&lt;/i&gt; trata de um casal em que a mulher pede o divórcio porque quer sair do Irã e o marido se nega a acompanhá-la. Ela só poderia sair com a separação e queria levar a filha adolescente, para que fossem viver num país em que tivessem mais liberdade e que sua filha pudesse fazer suas próprias escolhas. O marido não pode ir porque precisa cuidar do pai com Alzheimer e não quer perder a guarda da filha. Com o problema estabelecido já na primeira seqüência, entendemos que esse filme quer nos contar mais algumas histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto &lt;i&gt;Filhos do Paraíso&lt;/i&gt; ganhou o mundo contando uma fábula terna sobre uma garotinha pobre que perde os sapatos e não pode ir à escola sem eles, &lt;i&gt;A Separação&lt;/i&gt; traz uma história adulta sobre questões cotidianas e de mudança de comportamento - por isso se tornam universais - ao invés de reforçar marcas culturais específicas. Essa atualidade do cinema iraniano não vem apenas com esse filme, mas com o que Abbas Kiarostami e Samira Makhmalbaf, pra citar apenas dois diretores, vêm trazendo ao longo dos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vemos um filme iraniano imaginamos outro tempo, um alongamento da narrativa, preso em pequenos pequenos detalhes que vão transformando a história aos poucos, sempre mantendo a religião como marca forte, quando não o centro por onde a narrativa se desenvolve. Aqui, o diretor consegue – e talvez esse seja um dos primeiros filmes iranianos com essa marca – se concentrar na ideia de que as mulheres estão buscando seu espaço no mundo, são profissionais que precisam ajudar a sustentar a família e os homens têm que aprender a lidar com essa nova estrutura familiar. O arranjo ainda não funciona pra maioria, mas perceber famílias &lt;i&gt;modernas&lt;/i&gt; num país extremamente radical e notoriamente desigual com em relação aos gêneros nos faz repensar nosso conceito sobre o país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme tem uma graça que lhe é própria, há um despreparo do marido em viver sem a esposa que sempre cuidou de tudo – como as nossas brasileiras com dupla e tripla jornadas de trabalho – e de lidar com a nova diarista grávida, devota à sua religião e que por isso não pode fazer algumas atividades, como cuidar apropriadamente de um idoso. Para se ter uma ideia, ela não pode ser tocada ou tocar em outro homem que não seu marido. Há ainda a filha da diarista que nos ganha só com o olhar e as peripécias com o novo avô que ganhou inesperadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As principais mulheres do filme explicitam essa idéia de mudança de comportamento. A forma com que se vestem seria o primeiro indício; enquanto a mulher que quer se divorciar é professora e usa roupas mais leves – inclusive a que lhe cobre os cabelos vermelhos – a outra usa trajes pesados,  como se o fato de se cobrir mais do que a outra a tornasse mais pura e protegida contra os males do mundo e ainda trabalha escondido do marido. A relação que estabelecem com seus maridos, idem: a primeira, já que não pode tê-lo para conquistar o que almeja na vida, pede o divórcio, para que cada um viva de acordo com o que entende como correto, enquanto a outra está sempre submissa, escondendo com medo as mais inofensivas descisões e atitudes. E mais, a religião - que como dita comportamentos, regras e leis no Irã - não pode ficar de fora. Tanta é a devoção religiosa da diarista, que lembra um pouco o que vemos por aqui, com os evangélicos, batistas, Testemunhas de Jeová, que também carregam diversas restrições não só de vestuário, como de pensamento em regras que nem sempre fazem sentido para a vida prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme corre e ganha complexidades inesperadas, envolvendo a justiça num crime que aproxima a todos e a narrativa cresce. Passamos a acompanhar um dia-a-dia cada vez mais tenso, em que as soluções se parecem distantes e embaralhadas, como as relações familiares dos dois lados. A educação, as diferenças, o que é certo e errado se mistura e até nós precisamos repensar nossas conclusões a cada desenrolar. Meu favorito, por exemplo, mudou de personagem em personagem até se instalar no mais improvável, mas acredito, no mais humano de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indicação para o &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/search/label/Oscar" target="_blank"&gt;Oscar &lt;/a&gt;não foi à toa. Não importando quaisquer questões políticas por trás da escolha – a premiação é dos EUA – não tira o mérito da produção. O filme é divertido, tenso e com questões universais. E ver a mulher em papéis de destaque e voz, ainda que não igual perante a justiça ou sociedade, mas em situações que a colocam em primeiro plano, a quem cabe as grandes decisões, é garantir um novo olhar e a quebra de alguns preconceitos sobre um país e região estereotipados pela mídia. Aqui não há terrorismo, guerras, bombas ou tiros. É o cotidiano particular de famílias e sentimentos, cujas histórias se cruzam em momentos delicados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Dlt6-aDWAVI" target="_blank"&gt;Trailer aqui!!!&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Título original: Jodaeyie Nader az Simin&lt;br /&gt;Diretor: Asghar Farhadi&lt;br /&gt;2011 / Irã 123 min&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Encontrei o blog &lt;a href="http://cinemairaniano.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Cinema Iraniano&lt;/a&gt;, que tem uma pesquisa bacana sobre o assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-1041709015962976185?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/1041709015962976185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=1041709015962976185&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1041709015962976185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1041709015962976185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2012/01/separacao.html' title='A Separação'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-vQUi6sS37yU/Tx_wHqjuGnI/AAAAAAAACuA/NutwP4x2180/s72-c/separacao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-1518231951311734351</id><published>2012-01-18T21:49:00.001-02:00</published><updated>2012-01-21T23:50:53.760-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cannes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>A guerra está declarada</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-a7cZnV2FSfI/TxdYLf1jlzI/AAAAAAAACtk/lFR4QcH_aNg/s1600/a-guerra-est%25C3%25A1-declarada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-a7cZnV2FSfI/TxdYLf1jlzI/AAAAAAAACtk/lFR4QcH_aNg/s640/a-guerra-est%25C3%25A1-declarada.jpg" width="432" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na noite anterior também tinha ido ao cinema. Fui ver um filme leve, &lt;i&gt;Românticos Anônimos&lt;/i&gt;. Estava decidida a pegar duas sessões, naquela ânsia de recuperar o tempo &lt;i&gt;perdido&lt;/i&gt; nas férias e no corrido fim de ano, mas imaginei que o segundo filme ia acabar se impondo e eu perderia um pouco da graça do primeiro. Como previ, &lt;i&gt;A Guerra está declarada&lt;/i&gt; é grande. Drama com tema difícil de abordar de forma criativa e que exige cuidado para não se tornar um daqueles arranca-lágrimas: um casal jovem se apaixona, casa e tem um filho. Descobrem que o bebê tem um tumor maligno no cérebro e a luta pela cura se inicia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos seis na sala de cinema. Eu e, na fila atrás, um grupo de amigos – da idade de meus pais – e um cara da minha idade, filho de um deles. Estávamos próximos e simpáticos, então engatamos conversa. O rapaz da minha idade não sabia sobre o que era o filme e quase me deu pena lhe contar a sinopse; de forma crua não parece muito estimulante. As luzes se apagaram e voltei pra tela. O filme é econômico: conta de forma dinâmica e divertida o início do romance e de como seus nomes Romeo e Juliette, indicam que alguma tragédia está por vir, mas estão dispostos a assumir o risco e a partir de então, já gostamos do casal. A simplicidade com que eles se encontram e se unem é tão gostosa e natural que quase estranhamos a dificuldade e os malabarismos que as pessoas criam ao se relacionar com outras &lt;i&gt;na vida real&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme foi dirigido sob uma forma orgânica, a construção da intimidade do casal, sua consolidação, as decisões e a chegada do filho, tudo parece natural. A narrativa segue fluida para o espectador que se deixa levar solto, completamente entregue e cativado, mas esperando o momento trágico que virará a trama e a partir de então o mais importante; descobrir como será a reação dos heróis frente uma grande ameaça. Essa imposição da doença enquanto guerra é que passa a organizar o filme. A saída para a luta é planejada como uma estratégia de combate, dia após dia pensando em cada nova batalha e como vencê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz em &lt;i&gt;off &lt;/i&gt;é um inesperado ponto forte, quando nos indica o pensamento como uma conversa íntima; por vezes Romeo direciona seu olhar, seus gestos para Juliette e pensa&lt;i&gt; para nós&lt;/i&gt;, o que não consegue lhe dizer em voz alta. Esse recurso substitui algumas falas e o filme se aproveita do silêncio que a tragédia impõe. O drama é claro e vivido de forma realística (vi num site a classificação como documentário), mas não se torna novelesco e não imprime com a música aquela carga que aperta nossos corações gratuitamente. A trilha está ali, tal qual a luta que eles decidem travar em família, como um imperativo: destaca os momentos-chave, em especial os de alegria e quase desaparece quando há muita tensão; essa jogada mostra a maturidade da obra e realça seu valor: a história já é dolorosa por si só e forte o suficiente para se sustentar com poucos e inteligentes artifícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os atores que fazem o casal merecem e ganharam prêmios por suas atuações. Juliette é Valèrie Donzelli que ainda assina a direção e o roteiro e Jérémie Elkaïm é também roteirista e protagonista. A história é baseada em fatos reais e faz parte da vida deles, que tiveram o filho doente. É por isso e pela incrível força dos atores/autores que o filme se torna tão marcante. A descoberta da doença, o comportamento que eles assumem, a postura positiva diante de cada desafio são quase surreais se pensarmos no histórico dos filmes de doenças. E são justamente os protagonistas da história real que a recontam na ficção. A verossimilhança agradece e aplaude não só a obra, como o que deve ter sido viver fora dela. O filme é o eleito pela França para concorrer ao Oscar 2012 de filme estrangeiro. Forte candidato, já levou três prêmios no Festival Intenacional de Gijón, na Espanha, passou por aqui no Festival do Rio e abriu a Semana da Crítica do Festival de Cannes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saí do cinema reencontrei meus colegas de sala. Estava calada e pensando tanto na história que o filme me trouxe quanto em como ele foi feito. A história e a sensação pesavam mais do que essa ideia de construção da obra naquele momento – até porque não tinha me tocado que os atores eram autores – mas acho que é isso que torna o filme especial; deixar essas reminiscências. Me despedi do pessoal e o rapaz me perguntou se eu falaria bem ou mal do filme. Não poderia escrever de outra forma: o filme é excelente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Original: La guerre est déclarée&lt;br /&gt;Direção: Valérie Donzelli&lt;br /&gt;2011 / França / 100 min&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&amp;amp;v=UuPj_z9yi-k" target="_blank"&gt;O trailer está aqui!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-1518231951311734351?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/1518231951311734351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=1518231951311734351&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1518231951311734351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1518231951311734351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2012/01/guerra-esta-declarada.html' title='A guerra está declarada'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-a7cZnV2FSfI/TxdYLf1jlzI/AAAAAAAACtk/lFR4QcH_aNg/s72-c/a-guerra-est%25C3%25A1-declarada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3768178110988379841</id><published>2012-01-16T23:59:00.003-02:00</published><updated>2012-01-21T23:50:40.290-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>As Canções</title><content type='html'>&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;i&gt;Agora segue o texto na íntegra, publicado inicialmente na &lt;a href="http://www.revistadocinemabrasileiro.com.br/colunista"&gt;Revista do Cinema Brasileiro.&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="views-field-body"&gt;&lt;div class="field-content" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;As Canções&lt;/i&gt; trata de amor. Perdido, sofrido, realizado, feliz. Todas as canções de Coutinho são lindas porque sinceras, de histórias reais e íntimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorei pra ver este filme. Por algumas razões, mas a maior delas foi uma espera. Estava me preparando porque músicas sempre trazem sentimentos e queria receber esse filme de forma que pudesse apreciá-lo por inteiro. A música, como o cheiro, é um dos instrumentos da memória. É a partir dela que revivemos um passado de sentimentos, de pessoas e histórias. Com elas ficam marcas, tatuagens de cenas que vivemos e se eternizaram. Há músicas que evito ouvir e outras em que faço questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme veio bem e se tornou curto para o seu potencial. As conversas eram mais uma vez naturais e ocupavam o cenário que conhecemos desde Jogo de Cena; um fundo de palco e uma cadeira: o entrevistado volta-se para a câmera / diretor e faz o seu papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intimidade que os personagens têm com a câmera parece reforçar a presença delas hoje no cotidiano das grandes cidades. A invasão das câmeras é tão grande e dispersa – domésticas, celulares, internet, televisão, trânsito – que o encabular-se deixou de acontecer. Hoje todos querem ser protagonistas, querem aparecer e por que não, estrear no cinema. Então, Coutinho se aproveita dessa vontade do outro de se expressar para construir seus filmes. Com mais de dez grandes filmes em sua trajetória, o diretor é quase um psicanalista que está a ouvir, conhecer e reforçar momentos-chave de cada sessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano passado fiz psicanálise. Foram poucos meses, então aconteceu mais como uma conversa-desabafo inicial. A psicanalista ouvia e pouco falava; sua participação destacava nas minhas frases, trechos para enfatizar mais o que era importante ser lembrado por mim, do que esclarecer algo da narrativa. Coutinho faz o mesmo. Ele ouve as canções e suas histórias íntimas com experiência e maestria, envolvendo tanto o espectador quanto o personagem na mesma situação: ouvimos e vemos aquelas pessoas comuns se abrindo para nós, para a lente da câmera. São pessoas fortes, dispostas a se expor sem medo ou pudores, com histórias particulares que nos remetem às nossas próprias e às nossas canções, tornando-se universais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui à sessão pensando em quais seriam as minhas canções e histórias. Pensei ainda no que haveria de interessante para trocar com o outro, em como despertaria seu interesse. As histórias de amor são cada uma, um filme em si. Quando as ouvimos, o filme as transforma e as preenchemos com nossas experiências, na imaginação. E em tempos em que o amor parece ser tão difícil e volátil, aqueles momentos tão românticos e sinceros são perenes, lembrados de forma marcante e ditos como “essa era a nossa música”, nos contagiam em emocionantes e francas declarações de amor e felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um dispositivo simples – pessoas que não desafinassem, soubessem a letra e tivessem uma boa história – e mais de 230 depoimentos gravados, 18 se tornaram documentário. Um filme que fala com música, sobre amor. O documentário acaba e nos deixa sentados, esperando a próxima história e músicas que, apenas com a voz de seus narradores, nos preenche naqueles instantes. Na verdade, não parece terminar – ou não queremos que aconteça – e quando vieram os créditos, um suspiro tomou o cinema; todos queriam mais. Ficamos para relembrar os títulos das músicas e seus intérpretes, pensando naqueles personagens e em nossas histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 90 minutos de curta duração, &lt;i&gt;Canções&lt;/i&gt; traz grandes músicas brasileiras e composições próprias em histórias reais de personagens diversos e desconhecidos. Mantendo seu estilo iniciado talvez desde &lt;i&gt;Santa Marta&lt;/i&gt; ou até mesmo no pioneiro &lt;i&gt;Cabra Marcado pra Morrer&lt;/i&gt;, Eduardo Coutinho extrai do comum, o extraordinário. Para o diretor de 79 anos e uma filmografia de respeito, o que interessa são histórias de vida, tendo as pessoas sempre como foco e objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Original: As Canções&lt;br /&gt;Diretor: Eduardo Coutinho&lt;br /&gt;Brasil / 2012 / 90 min.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3768178110988379841?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3768178110988379841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3768178110988379841&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3768178110988379841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3768178110988379841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2012/01/as-cancoes.html' title='As Canções'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-92458238727175382</id><published>2012-01-12T15:20:00.001-02:00</published><updated>2012-01-21T22:50:21.807-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Café na Revista</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-9KVRlUvfCD4/Tw8VvYy5eyI/AAAAAAAACtY/K7l_krmmcDI/s1600/as-can%25C3%25A7%25C3%25B5es.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://3.bp.blogspot.com/-9KVRlUvfCD4/Tw8VvYy5eyI/AAAAAAAACtY/K7l_krmmcDI/s640/as-can%25C3%25A7%25C3%25B5es.jpg" width="425" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O filme da vez, o emocionante &lt;a href="http://revistadocinemabrasileiro.com.br/colunista"&gt;&lt;i&gt;As canções&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, reafirma o poder das histórias de pessoas simples e comuns de nosso país. Vale muito a pena o filme e a visita na &lt;a href="http://revistadocinemabrasileiro.com.br/colunista"&gt;Revista do Cinema Brasileiro&lt;/a&gt;. Sou a colunista convidada da semana e é lá que As Canções estão!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-92458238727175382?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/92458238727175382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=92458238727175382&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/92458238727175382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/92458238727175382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2012/01/cafe-na-revista.html' title='Café na Revista'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-9KVRlUvfCD4/Tw8VvYy5eyI/AAAAAAAACtY/K7l_krmmcDI/s72-c/as-can%25C3%25A7%25C3%25B5es.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5057663951142811622</id><published>2011-12-14T22:58:00.000-02:00</published><updated>2012-01-21T22:50:34.708-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vacaciones'/><title type='text'>Altiplano</title><content type='html'>Resolvi começar pelo final. A última grande etapa da minha viagem foi a visita ao Salar de Uyuni, na Bolívia. Como foi o que mais me marcou, fica ainda muito fresco na memória e talvez seja o mais importante de toda a viagem. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-yjmjalJ9YCg/Tuk_f7enU_I/AAAAAAAACSA/hqzcEcsiYtU/s1600/IMG_2675.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/-yjmjalJ9YCg/Tuk_f7enU_I/AAAAAAAACSA/hqzcEcsiYtU/s400/IMG_2675.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Quando estava em Santiago e em Valparaíso, conheci outros viajantes que tinham ido ao Atacama. Como eu, alguns viajavam sozinhos, os europeus e norte americanos sempre por mais tempo que brasileiros ou vizinhos. Como eu estava prestes a chegar lá, queria estar segura do que ia encontrar. Todos me falaram para ir ao Salar de Uyuni, no altiplano boliviano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nem sabia como era o Salar, não tinha noção de como seria o passeio, com quem eu ia, como ou quando. Contaram que seria uma viagem de três ou quatro dias e que eu veria as paisagens mais impressionantes da região desértica. E que valeria muito mais a pena do que fazer passeios menores em torno de San Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei a San Pedro, estava mais perdida que cego em tiroteio. O hostel era bom, mas não era tão amigável ou com uma boa área comum para conhecer gente como os anteriores. Ainda não sabia direito que passeios fazer ou como encontrar o tour pra Bolívia. Dei sorte de no meu quarto ter uma garota canadense que virou minha comadre atacamenha e compartilhamos bebidas e comidas, compras, todos os nossos dilemas de viagem, de vida e do que mais aparecesse pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Última noite antes do tour, entro na internet pra enviar e-mails, além de uma pesquisa de 3 segundos sobre o mal da altitude. Vi os sintomas e como marinheira que não mareia, achei que&lt;i&gt; no iba a&amp;nbsp; pasar nada.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 01 – Entrando na Bolívia.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-w1ZyMqx74G0/Tuk78Yt4shI/AAAAAAAACPw/jTYM2NplbLk/s1600/_MG_2248.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://1.bp.blogspot.com/-w1ZyMqx74G0/Tuk78Yt4shI/AAAAAAAACPw/jTYM2NplbLk/s400/_MG_2248.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Deixamos San Pedro cedo num micro-ônibus para dar saída com o passaporte na polícia federal da fronteira chilena. Uma hora depois estávamos na polícia boliviana, num frio do cão, aguardando o novo carimbo. Tudo certo. Tomamos café da manhã ali mesmo e trocamos o confortável buzu pelo jipe com capacidade pra seis pessoas. Ali já era no meio do nada, ao longe uma carcaça de ônibus, a polícia boliviana era uma casinha com 2 cômodos, a bandeira do lado de fora e o mundo vazio, mas cheio de potencial para as nossas expectativas. Éramos 3 americanos – um casal e a amiga – 2 austríacos e eu. No outro jipe: suíços, irlandeses, alemães e franceses. Dali em diante meu espanhol se restringiu aos nativos e inglês por 4 dias consecutivos. Pra mim estava ótimo, porque nunca falei tanto os idiomas ao mesmo tempo. Mas toda manhã era um parto. O cérebro ainda não estava 100% e começar o dia numa outra língua requer um esforço quase sobrenatural diante da falta de oxigênio. Minha glória foi quando em outro grupo apareceram uns portugueses e nunca gostei tanto daqueles meninos por intensos dez minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dia foi o mais cruel. Achei que ia segurar a onda, mas a falta de oxigênio provocada pelos 4800m de altitude me deu uma dor de cabeça constante, um cansaço absurdo, sem falar na incapacidade de comer. Ainda assim, consegui ver todas as lagunas que nosso guia Johnny nos apresentou: Verde, Blanca, Colorada, Geysers fedorentos. Incríveis, vimos o vulcão Licancabur mais de perto em toda a sua grandeza e as primeiras paisagens de adjetivos que não são suficientes para expressar o que estava diante de nós. Tanto que não falávamos (e também porque eu não conseguia falar muito...). Tirávamos fotos e víamos e para mim era muito discrepante o que eu via do que eu conseguia registrar. Primeiro porque ao vivo é ao vivo e é 360 graus com todos os seus sentidos excitados e você percebe como as palavras beleza e natureza se associam de forma tão perfeita. Segundo, porque além de estar aprendendo a fotografar, precisava de lentes de maior alcance para chegar mais perto daquela magnitude. E terceiro, porque a foto é sempre um recorte, nunca vai te dar toda a amplidão e, principalmente nesta situação, jamais lhe dará a idéia de todo. Sempre algo se perde . &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-tlxPL5E4Yn4/Tuk9Bdj4MxI/AAAAAAAACQI/Pk-CHiCEVTk/s1600/_MG_2384.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/-tlxPL5E4Yn4/Tuk9Bdj4MxI/AAAAAAAACQI/Pk-CHiCEVTk/s400/_MG_2384.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Mas entre uma laguna e outra, entre uma grande vista com parada para fotos e outra, havia todo o deserto. O altiplano é lindo e poderoso, mas eu estava num estado de sonolência atroz. Dividindo o último banco com Martin (um dos austríacos), sempre que entrava no carro passavam 5 minutos e eu me recostava. Ele via minha situação ridícula e perguntava: vai dormir? Tá tudo bem? E eu sempre respondendo: acho que sim, só um pouquinho. Até que não nos falávamos mais; assentíamos com a cabeça e sabíamos que eu ia me encolher no banco e fechar os olhos. Precisava sumir com a luminosidade por uns minutos. Quando estamos no deserto, todos os nossos sentidos afloram: o ruído do vento, o cheiro da terra estranha, o gosto dessa mesma terra, a luz do sol mais forte do que nunca, as pedras e os animais que tocamos, sem falar de tudo isso que sentimos de uma só vez e com seu corpo se adaptando àquelas alterações. E com tanta informação ao mesmo tempo, não dava para captar tudo sempre e precisava desligar algum botão. Todos estavam acostumados à altitude, já haviam passado pelo Peru (Cusco, Macchu Picchu e tudo mais), de forma que fui a única&lt;i&gt; café com leite.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas todo mundo foi muito gentil e parceiro. Acabou que os onze cuidaram de mim de alguma forma e eu cuidei de alguns. Acho que fiz a diferença no grupo com aquele calor brasileiro, a alegria gratuita por simplesmente estar ali. Meu estado de graça – ainda que contrastasse um pouco com o físico – estava completamente exposto, devassado. Era impossível ser discreta com o que estava diante de mim. Mesmo abatida e sem ter almoçado no primeiro dia. Passei o dia sem comer, ainda mais tendo botado pra fora o café da manhã. Mas deu tudo certo, consegui dormir e a dipirona reduziu meu mal estar. No dia seguinte, acordei bem e provavelmente fui a que dormiu melhor. A noite foi realmente muito fria, mas estava tão protegida e dormente que nem percebi.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Bi0pZ9N6nco/Tuk9K0SsjiI/AAAAAAAACQQ/yVt6L6h18Oc/s1600/_MG_2442.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/-Bi0pZ9N6nco/Tuk9K0SsjiI/AAAAAAAACQQ/yVt6L6h18Oc/s400/_MG_2442.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Dia 02 – Comendo poeira.&lt;br /&gt;Engraçado que agora parei de escrever e estava revendo algumas fotos... cada uma traz tantas recordações de pequenos detalhes, conversas, uma vida tão intensa em cada um daqueles dias que parece que viajei por muito mais tempo. Acho que estar distante de todos e tudo que conhecemos, de estar realmente no deserto, isolado, longe, é de uma transformação talvez maior do que eu já tenha percebido. Sei que algo de diferente e especial aconteceu, mas acho que ainda não consegui captar tudo. Tento ficar atenta para não perder, não deixar essa energia tão forte se dissipar. Mas não sei também direito como se manifesta. Estou &lt;i&gt;sentindo.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver aqueles dias neste contato direto com uma natureza estranha faz notar como a própria entidade &lt;i&gt;natureza &lt;/i&gt;é realmente uma. É a única palavra – além de &lt;i&gt;selvagem&lt;/i&gt; – que temos para definir tudo aquilo. E são essas duas palavras que também usamos para outros lugares, outros encontros extraordinários em regiões especiais. Eu estava com mais 11 pessoas, além dos guias, distintas e em seus pares, completamente alheias a mim inicialmente. E todas experimentavam o mesmo ambiente e em suas gradações eram mais ou menos generosas, mas sempre dispostas. Eu era toda receptividade. Não como uma figura zen, hippie, mística maluca ou qualquer coisa do tipo, mas o que havia ali para apreender era tão intenso – tanto nas relações sociais quanto com o ambiente – que não havia espaço para a reclusão – exceto quando eu não estava bem e aí havia um conflito interno entre o afastamento e o que esta escolha nos faz perder. Ainda assim, nunca conseguia dormir totalmente no carro, era quase um olho aberto e o outro fechado. Acho que por estar viajando sozinha, tudo isso se intensifica. Todos estavam com alguém ali e eu, mesmo estando com todos, estava muito mais apenas comigo. E a música boliviana ali, sutil, nos transformando. &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-dgi2B9aox6w/Tuk84P2-gAI/AAAAAAAACQA/5HlQ-nJZ6WM/s1600/_MG_2347.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://2.bp.blogspot.com/-dgi2B9aox6w/Tuk84P2-gAI/AAAAAAAACQA/5HlQ-nJZ6WM/s400/_MG_2347.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O segundo dia foi bem cansativo. Eu estava muito mais disposta, já tinha tomado um pouco do chá de coca e estava indo bem, me alimentando e bebendo muito mais água do que no dia anterior. É importante sempre beber água, por mais óbvio que pareça. Como o altiplano é muito seco, perdemos água sem sentir e a ausência dela ajuda a intensificar algum desconforto. Por isso, eu e um dos irlandeses sentimos mais no dia anterior. Ainda assim, quando andava muito, ficava cansada, como uma senhorinha. Éramos todos idosos naquelas caminhadas curtas e o coração quase na boca ao menor esforço. Era engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegamos &lt;i&gt;estrada&lt;/i&gt; o tempo inteiro e intercalamos com outros 2 jipes no caminho, então nem sempre éramos os primeiros na rota. A estrada era um caminho sem trilhas entre a areia e barro que Johnny conhecia muito bem, mas um dos outros dois motoristas não, então ele tinha que ser responsável por este carro, se posicionando atrás dele a maior parte do tempo, enquanto o terceiro seguia na frente. Com isso, comemos muita poeira. Não sei como resisti tanto tempo e nossos cabelos eram uma massa intocável de pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tínhamos tomado banho na noite anterior e a secura da região tirava qualquer possibilidade de ondas no meu pobre cabelo. Como uma índia, eles estavam lambidos e agora entupidos desse pó fino que não só estava no meu nariz e garganta, como em todo o meu ser. A rota &lt;i&gt;off road&lt;/i&gt; batia muito. Foi bastante complicado e ainda tínhamos mais lagunas para ver. Estávamos meio cansados disso, então quando fomos ver a última – creio que La Negra – já tínhamos abstraído a pobre e tudo o que nos interessava eram as rochas, as formas imensas no meio do nada. Tudo era sempre no meio do nada. Como as nuvens que constroem figuras para decifrarmos, assim elas eram. De todos os tamanhos, desenhos... e era incrível como em alguns momentos era tudo planície, pouca ou nenhuma vegetação e imensas pedras no meio do nada, como se tivessem sido jogadas ali.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-5rpQdPnRcjM/Tuk_HwgMTmI/AAAAAAAACRw/PO0NVKEjtP0/s1600/IMG_2532.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/-5rpQdPnRcjM/Tuk_HwgMTmI/AAAAAAAACRw/PO0NVKEjtP0/s400/IMG_2532.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em algum momento da tarde, paramos num vilarejo chamado &lt;i&gt;Copacabana&lt;/i&gt;. O jipe passou muito rápido e não consegui a foto, mas juro que era esse o nome. Ermo, com umas quatro quadras em cada lado da praça, igreja e escola, era tudo que havia para ver. Acho que um dos guias mora ou tem família ali e decidiram parar para resolver algo ou descansar. Nós ficamos na praça, esperando as definições de nosso líderes e aproveitamos para fazer xixi num cantinho escondido e conversar ou simplesmente... esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos pro segundo refúgio e como eu tinha pouca bagagem, só uma mochilinha (tinha deixado o restante em San Pedro), consegui ser a primeira a tomar banho, com o imenso prazer de descobrir que realmente tinha água quente – ninguém acreditou que isso aconteceria. O banho foi incrível e deu uma renovada no astral do grupo. Éramos gratos por nos livrar momentaneamente de toda aquela terra, de poder pentear os cabelos (e descobrir que de novo ficariam irritantemente muito lisos) e não suficiente, ainda tomar café brasileiro no meio do altiplano boliviano. &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-dO1_1UvnS8U/Tuk_WINhQnI/AAAAAAAACR4/VSK2zQF-diI/s1600/IMG_2568.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://3.bp.blogspot.com/-dO1_1UvnS8U/Tuk_WINhQnI/AAAAAAAACR4/VSK2zQF-diI/s400/IMG_2568.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Agora sim, eu estava de verdade em estado de graça. Eu ria na mesa enquanto conversava com o povo, ria de graça e sem motivo, enquanto na noite anterior ficava mais calada, esperando passar toda aquela confusão que estava sentindo. Eu falava agora e o café funcionou muito bem, quase como uma droga, com um efeito incrível e que desceu esquentando o coração e a mente. Foi uma noite muito boa e ainda teve lhama de jantar, mas fiquei com pena da bichinha e não comi. E quando fui lá fora – sim! No meio do nada! – para ver as estrelas, meu deus. O que era aquilo! Um mar, mais uma vez, de estrelas, como o que vi no observatório perto de San Pedro. As únicas luzes eram as do refúgio e o resto era nada, deserto escuro, iluminado por quantas constelações. Só consegui ficar uns poucos minutos ali fora, porque o romantismo todo some quando está muito frio. Acho que nessa viagem eu nunca senti tanto frio por tanto tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 03 – O Salar. &lt;br /&gt;Terceiro dia. Todos estávamos ansiosos pra conhecer o Salar. Acho que ninguém sabia direito como era nosso percurso, estávamos nas mãos dos guias bolivianos e acho que não queríamos saber muito, na verdade. A graça estava no inesperado, na surpresa. Mas acabou que o refúgio era bem perto do Salar, então foi bem mais fácil do que tinha imaginado. Pegamos os jipes e em 10 minutos, era tudo branco e azul.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ou2cvvnYVfc/Tuk93QF6k0I/AAAAAAAACQw/cDFxotiQRrI/s1600/_MG_2624.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://3.bp.blogspot.com/-ou2cvvnYVfc/Tuk93QF6k0I/AAAAAAAACQw/cDFxotiQRrI/s400/_MG_2624.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O caminho todo era como um mar ao contrário, ou como ir a uma praia em que o mar nunca chega. Andamos de carro um bom tempo e demos de cara com uma ilha de Cactus no meio do nada. &lt;i&gt;Incahuasi&lt;/i&gt;, que em quéchua significa &lt;i&gt;Casa do Inca &lt;/i&gt;é cactus, vegetação rasteira, lhamas e quase nada mais. É muito bonita e intensifica o caráter surreal do lugar. Inclusive, fiz alguns vídeos numa tentativa de criar algo em cima, mas minhas narrações ridículas são uma mescla de &lt;i&gt;surreal, inacreditável&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;especial&lt;/i&gt;, além de &lt;i&gt;bizarro&lt;/i&gt;. Porque era tudo muito extremo sempre e nunca há palavras suficientes para descrever esse tipo de coisa, então, como estamos mais sentindo do que pensando, as palavras saem soltas, quase sem sentido ou necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era nosso último dia e quando pisamos naquele sal, éramos todos crianças. Como um imenso papel branco diante de nós, aquele chão era nossa rua, nosso jardim de infância; cada um buscava uma brincadeira, um jogo diferente pra fazer e registrar. Eu, como sempre, fiquei pensando nas maluquices, como dar estrelinhas e ficar de cabeça pra baixo, articulando e obedecendo os meninos nas artes deles. Foi muito divertido, mas em algum momento eu não conseguia tirar o chapéu gigante – que eu tinha comprado pra meu pai, mas que salvou minha vida – ou os óculos e ainda assim meus olhos ardiam. Era sal, branco, o céu muito azul e uma coisa refletia a outra! Mas brincamos muito e nessas horas não tem mal tempo, não problemas, preocupações... só existe o presente. E só existe ali.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-CTwJTa6RGCQ/Tuk-HduI5sI/AAAAAAAACRA/5GBsOPxCpRY/s1600/_MG_2653.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://1.bp.blogspot.com/-CTwJTa6RGCQ/Tuk-HduI5sI/AAAAAAAACRA/5GBsOPxCpRY/s400/_MG_2653.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Éramos catorze (com os guias) no meio do nada, com o mundo em volta. O horizonte, finalmente plano em qualquer direção, era branco e azul.&amp;nbsp; E a essa altura já tínhamos músicas americanas misturadas com as mais deliciosas e bregas como minhas nordestinas, bolivianas. Ouvir a letra das músicas era uma diversão quase só minha e eu ria sozinha, mais uma vez, tentando em vão explicar aos gringos o que dizia. Era tudo festa. Mas, por mais único que tenha sido, tinha que acabar. E fomos embora, a caminho de Uyuni, a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paramos uma última vez, agora num cemitério de trens. Eram vários vagões e acho até que trens completos; uns em trilhos, uns fora deles. Parecia &lt;i&gt;Mad Max&lt;/i&gt;, porque tudo que é metal velho retorcido e enferrujado me remete a &lt;i&gt;Mad Max&lt;/i&gt;. Como não sei a história do lugar, ficou tudo meio solto, mas foi legal. Agora que éramos crianças e já tínhamos ganhado nosso brinquedo, poderiam nos levar pra qualquer lugar que estava ótimo. E esses trens não chegavam a ser mórbidos, mas sim retratos de um passado desconhecido, esqueletos enferrujados e pichados de assinaturas, românticos. Não sei por que, mas tinha gesso no chão, então como boa brasileira, deixei a marca. Mais brincadeiras, fotos e piadas. Fomos embora.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-L_9HxncyiOc/Tuk_3iPdCnI/AAAAAAAACSQ/quq52CgrCqA/s1600/IMG_2712.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://1.bp.blogspot.com/-L_9HxncyiOc/Tuk_3iPdCnI/AAAAAAAACSQ/quq52CgrCqA/s400/IMG_2712.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tínhamos que deixar a maior parte do pessoal na cidade de Uyuni, eles partiriam de lá para dentro da Bolívia e eu, a americana e os suíços, voltaríamos para San Pedro. Ficamos um tempo rodando por Uyuni atrás de biscoitos e água (nossa vida girava em torno das garrafas individuais de 2L) e vimos que a cidade é meio triste, ao contrário de todo o passeio. Acho que ela era pequena demais, que os trens não existem mais e ela ficou meio esquecida. Parecia uma cidade dos filmes de velho oeste, toda em tons de terra e poeira. E meio vazia. Conseguimos comprar e agora era esperar o novo jipe. Em frente à nossa agência de turismo havia um bar, o mais bonitinho da região, com uma cara tropical engraçada, com folhagens fazendo um teto para sombra e cadeiras e mesas vermelhas, daquelas que as cervejarias patrocinam. Éramos poucos quando sentamos, não imaginei de reencontrar o resto do pessoal que já estava hospedado nos albergues. De alguma forma quase todos apareceram e conseguimos a despedida daqueles três dias realmente surreais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo guia nos chamou, demos tchau aos novos amigos e partimos para o terceiro e último abrigo em alguma cidadezinha boliviana mais perto da fronteira. Teríamos um longo dia seguinte de caminho de volta.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-d2KjexiMXXE/Tuk__DqX1AI/AAAAAAAACSY/VFpRmjiCoT0/s1600/IMG_2726.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://2.bp.blogspot.com/-d2KjexiMXXE/Tuk__DqX1AI/AAAAAAAACSY/VFpRmjiCoT0/s400/IMG_2726.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Dia 04 – Fim de festa.&lt;br /&gt;No caminho de volta ainda seguíamos animados. Agora eu já era amiga de Martin e Marc, os suíços que foram meus companheiros de jornada. Michelle, a americana, ainda estava nos conhecendo e agora, talvez por necessidade, ela se uniria mais a nós, já que seus amigos ficaram em Uyuni e ela teria mais uma noite e meio dia conosco. Acabou que ela também era uma menina divertida e fomos conversando o caminho até o último refúgio, à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, nossa paisagem estava mudando e até em asfalto andamos com o carro. Entendi que como a etapa &lt;i&gt;passeio&lt;/i&gt; estava no fim, poderíamos pegar uma estrada regular para chegar mais rápido ao destino. Chegamos na maior cidade que havíamos passado desde então e que também não me lembro o nome. Só lembro que ficamos animados com a ideia de estar em algum lugar mais povoado, com construções maiores. Mas logo que entramos no refúgio essa imagem desapareceu. Sabíamos que seria rústico e que teoricamente nem teríamos jantar, por isso as provisões. Tivemos um jantar de salsichas com purê de batatas e tomate que estava bom, mas os banheiros eram meio de filme de terror. Tinham uma porta sempre aberta e claro que não separavam por gênero. Michelle foi escovar os dentes e deu de cara com um turista sei lá de onde nu, tomando banho. Um dos boxes tinha porta e o outro não. Mas também não era desesperador. Decidimos de comum acordo que não tomaríamos banho gelado e fomos dormir. Acordamos acho que às 5h, num frio incrível e, claro, tomaríamos o café da manhã na fronteira, como fizemos na ida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à estrada, com e sem asfalto, com córregos, lhamas, cabras, montanhas mágicas e novas paisagens deslumbrantes. Estávamos relaxados e entre uma conversa e outra, um cochilo e outro, o tempo ia passando. Sem perceber, chegamos à fronteira. Era o café da manhã, o carimbo de despedida e o adeus à Bolívia. Dali em diante era só retorno. San Pedro. Santiago. Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-swDygO0Bwbs/TulAHtzeWaI/AAAAAAAACSg/Ud--V3aFT6Y/s1600/IMG_2727.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://4.bp.blogspot.com/-swDygO0Bwbs/TulAHtzeWaI/AAAAAAAACSg/Ud--V3aFT6Y/s400/IMG_2727.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5057663951142811622?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5057663951142811622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5057663951142811622&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5057663951142811622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5057663951142811622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/12/altiplano.html' title='Altiplano'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-yjmjalJ9YCg/Tuk_f7enU_I/AAAAAAAACSA/hqzcEcsiYtU/s72-c/IMG_2675.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3582288766272971866</id><published>2011-10-31T12:59:00.003-02:00</published><updated>2012-01-21T23:50:16.296-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nouvelle Vague'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Seberg'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Godard'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Acossado</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mrNGPYUIEtc/Tq6yxlxCCxI/AAAAAAAABmo/gG1sg2i_VOY/s1600/40_4c21c6ca5e73d60bb20003b9_1293133080.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SKbcq1eZGTE/Tq6yyxz-6gI/AAAAAAAABm4/2ZXbcc6Lb2M/s1600/a_bout_de_souffle_cartaz_7.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://1.bp.blogspot.com/-SKbcq1eZGTE/Tq6yyxz-6gI/AAAAAAAABm4/2ZXbcc6Lb2M/s640/a_bout_de_souffle_cartaz_7.jpg" width="471" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Neste fim de semana saí com uma amiga que vejo pouco, nãomora mais no Rio e fomos pra Lapa ouvir música, dançar e beber. Encontramos seuscolegas de trabalho e foi divertido, mas há alguma impaciência em mim peloque se repete nas noites cariocas...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já vi o filme algumas vezes e ontem foi mais uma. Presenteda &lt;i&gt;Nouvelle Vague&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Acossado&lt;/i&gt; consagrou ao mesmo tempoGodard, Truffaut, Chabrol, Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg para sempre. Foi oprimeiro filme dirigido por Godard e ele ainda aparece, como Hitchcock fazia,com um pequeno papel. Truffaut é o roteirista e Chabrol supervisionou aprodução. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Belmondo faz o papel de Michel Poiccard, um ladrão de carrosque, saindo de Marselha, acaba matando um policial. Vai a Paris para receber o dinheiro de uma dívida e encontrar Patrícia Franchini,uma jornalista americana a quem tenta convencer a viverem juntos em Roma.Patrícia é essa moça que não usa sutiã e prefere ser independente a viajar comMichel sem garantias, numa condição desfavorável pra ela. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nossa heroína faz uma brincadeira sobre Romeu e Julieta,Michel procura o horóscopo no New York Herald Tribune. A sorte deque ela desdenha é a mesma que ele parece não encontrar, apesar de circularpela cidade e se resolver como um gatuno, um desses vagabundos que tantoadoramos no cinema. Michel é um anti-herói. Ele é o oposto da ordem, moral e bonscostumes tanto quanto outros grandes anti-heróis do cinema, vide &lt;i&gt;Scarface&lt;/i&gt; (que serviu como inspiração para o filme), ou obrasileiro &lt;i&gt;SuperOutro.&lt;/i&gt; O &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NCuwPgVbZA0"&gt;trailer &lt;/a&gt;oidentifica como o mocinho sem caráter e anárquico, já que ele nada busca oudefende, quer apenas sair daquela situação e viver em outro lugar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não só isso, a construção do personagem e a intimidade dosprotagonistas nos fazem querer ser aquele casal, estar naquele apartamento,participar daquela intimidade. Jean Seberg conquista qualquer um com um rostoque parece desenhado, um charme irresistível e também por se oporàquele por quem nós já estamos apaixonados. Seu corte de cabelo será repetido nocinema em todas as décadas seguintes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Saindo do encantamento dos atores, corremos para a direção.Godard passeia com a câmera na mão boa parte do filme, com a agilidade de umroteiro policial e exibindo aquela privacidade dos protagonistas. Aimpressão que temos é de que tudo é iminente e que em algum momento a políciavai chegar. Essa urgência que vemos é tanto reflexo da década - da Cahiers du Cinéma (que também tem uma pontinha no filme), de uma nova forma de ver cinema, menos empolada, mais simples e com gente nova e sedenta de criatividade e ritmo - como da própria agilidade de produção;o roteiro era constantemente revisto pelo diretor e as cenas eram entregues aosatores momentos antes de filmá-las.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-w-0kr7v7Blo/Tq6yySRfk2I/AAAAAAAABmw/lLMlzdhrrKk/s1600/A%25CC%2580+Bout+de+Souffle_9.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="395" src="http://1.bp.blogspot.com/-w-0kr7v7Blo/Tq6yySRfk2I/AAAAAAAABmw/lLMlzdhrrKk/s400/A%25CC%2580+Bout+de+Souffle_9.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O filme éparticipativo: constantemente os personagens nos fazem alguma revelação, comose conversassem conosco, voltados para a lente. Nada passadespercebido e até quando algo acontece no plano de fundo, o diretor não nosabandona; ele aponta: olhem ali. A montagem funciona como um personagem,instaurando uma nova forma de associar planos alterando a duração e recepção deuma mesma ação – ao invés de esperar o fim de uma e cortar pra outra – e dissociandoo som do que se vê, enriquecendo de significados a engrenagem daconstrução de sentidos no cinema.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A trilha ajuda a manter o ritmo do filme, junto com amontagem entrecortada que hoje é estudada nas escolas de cinema e usada comoinfluência e homenagem em diversos filmes. Uma música entre o misterioso ecorriqueiro, entre as escapadas, as artimanhas de nosso herói e os embatesromânticos ganham uma graça, um tom leve, não tão carregado de suspense, mas decotidiano, reforçando ser aquela a rotina do protagonista.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A impaciência do dia a dia se solidifica na repetição dasações, do comportamento, do esvaziamento que a rotina traz e que se mostraainda mais concreta quando voltamos a um lugar que não vamos há tempos e elesegue igual – inclusive nas pessoas que freqüentam (parecem saídas de um molde) – como se todos os dias em que estive ali se resumissem em um. Masesquecemos de tudo isso nestes 90 minutos, nos entretemos com um filme jávisto e revisto sem tédio, encontrando sempre algo novo dentro da obra. Filmesassim seguem sem data, ou talvez com o reforço dela. A graça de &lt;i&gt;Acossado&lt;/i&gt; está também em relembrar aquelemovimento que estava nascendo, um pouco como aqui no Brasil com o &lt;i&gt;Cinema Novo&lt;/i&gt;ou na Itália do &lt;i&gt;Neo-Realismo&lt;/i&gt;, uma revolução cultural única em séculos no mundo inteiro e que eu não estava lá pra ver. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não dá pra fazer crítica de clássicos, só nos resta opinar. A crítica serve como formação de público a filmes novos, para que o espectadordecida se o filme está de acordo com sua curiosidade. Com &lt;i&gt;Acossado&lt;/i&gt;, o que podemos fazer é relembrar como foi, a grandeimportância que teve e assegurar diversão garantida a um preço justo. Ainda nãosei se o problema está em mim, nos grandes filmes ou lugares pequenos mas, cadavez mais, troco as saídas que se repetem pelos clássicos a se rever.&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0JGhGWJbibw/Tq6yzWL_QkI/AAAAAAAABnA/FDszkPtmTyM/s1600/Breathless+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="262" src="http://2.bp.blogspot.com/-0JGhGWJbibw/Tq6yzWL_QkI/AAAAAAAABnA/FDszkPtmTyM/s400/Breathless+1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Para ir se animando, o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NCuwPgVbZA0"&gt;trailer.&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Acossado (À bout de souffle)&lt;br /&gt;Diretor: Jean-Luc Godard&lt;br /&gt;França, 1960. 90 min.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3582288766272971866?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3582288766272971866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3582288766272971866&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3582288766272971866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3582288766272971866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/10/acossado.html' title='Acossado'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-SKbcq1eZGTE/Tq6yyxz-6gI/AAAAAAAABm4/2ZXbcc6Lb2M/s72-c/a_bout_de_souffle_cartaz_7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-794427212512171469</id><published>2011-10-24T01:18:00.000-02:00</published><updated>2012-01-25T14:30:06.759-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cannes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival do Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espanha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Almodóvar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Globo de Ouro'/><title type='text'>A Pele que Habito*</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dLYbufIFuSo/TqTYVmcABtI/AAAAAAAABmY/96aardGMuyA/s1600/poster-movie-La-Piel-que+-Habito-pedro-almodovar-2011-www_lylybye_com.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-dLYbufIFuSo/TqTYVmcABtI/AAAAAAAABmY/96aardGMuyA/s640/poster-movie-La-Piel-que+-Habito-pedro-almodovar-2011-www_lylybye_com.jpg" width="442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esse é certamente o mais formalista dos filmes de Almodóvar. É umthriller, um suspense intenso que nos deixa cada vez mais tensos e boquiabertosa cada cena. É a estória de um cirurgião plástico viúvo (Antonio Banderas)que desenvolvepesquisas para construção de tecido humano. Ele mantém em cativeiro uma cobaia(Elena Anaya) que recebe os cuidados de uma governanta-enfermeira (MarisaParedes). Todos mantêm uma relação de intimidade conformada, compreendida inicialmente porestarem vivendo sob o mesmo teto, a mansão do médico. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As dicas do filme são só essas: é uma história de vingança esobrevivência, o título é descortinado após um tempo e gera um encantamentoimediato pela inteligência do roteirista e diretor, e de Thierry Jonquet, escritor de &lt;i&gt;Tarântula&lt;/i&gt;, história em que se baseia o filme. Os figurinosminimamente desenvolvidos por Paco Delgado a quem desconheço, mas comcolaboração de ninguém menos que Jean-Paul Gaultier, com tecidos elásticos quecobrem todo o corpo como uma segunda pele, os cenáriossimbolicamente definidos entre a ausência e a abundância de objetos, ovoyeurismo. Neste filme, literalmente, tudo tem seu lugar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A trama não comporta escrúpulos ou saídas fáceis. Entendemos isso logo noinício e também deles temos que nos libertar, o filme precisa servisto sem amarras, entendido como um jogo e ser participado com cúmplices e nãojuízes. Muitos fetiches e como não poderia de ser, há também uma importantequestão de gênero e poder. Marca registrada do diretor, a sexualidade mais umavez é ponto-chave na trama, mas agora levada a um outro patamar e abordada de uma forma inteiramente nova na filmografia do diretor. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme acontece num labirinto de situações que vão explicando aospoucos o que seria o presente, preenchendo as lacunas de um mistério kafkaniano enos preparando para um desfecho quase imprevisível. Quase, porque as saídasdeixadas para a resolução da trama vão se reduzindo com a gravidade das açõesdos personagens, os abusos de poder, as violências, seus passados. A trilhasonora é tão presente quanto os demais elementos; como sempre, Almodóvarorquestra todas as camadas da criação de forma a torná-lasfundamentais à diegese. As músicas eliminam as palavras e nos deixam sem ar, assim como asinterpretações dos atores. Os cenários como já citei, nos ajudam a imaginar umaprisão confortável para o corpo mas, como todas devem ser, impossível para amente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O formalismo se justifica nas minúcias da produção, no desenrolar de umatrama ousada, arquitetada quase matematicamente. A música forte, incidente,criminosa quase, traz à memória o suspense &lt;i&gt;Hitchcockiano&lt;/i&gt;e o amplia. Funciona como pontos de intensidade e, ao mesmo tempo que nos deliciamos com a velocidade das notas dos violinos, ficamos emocionados e quase escondemos o rosto ou tapamos os ouvidos. O efeito criado é como de um voyeurismo para os ouvidos, às avessas. Ou como nos filmes de terror em que sabemos que o mal vai aparecer e tampamos os olhos com as mãos, mas sempre deixando os dedos afastados. É impossível não olhar, como neste filme é impossível não ouvir. Antonio Banderas está transtornado como seu personagem exige, transformado em outro ser, e quanto à Elena Anaya e Jan Cornet, é melhorque não se diga muito. Suas atuações são como o mistério da obra, não merecemser reveladas em texto. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Diferente de outros filmes em que costumamos dizer que as histórias sãotodas iguais e defendê-los indicando que o que importa é a forma de contá-las,em &lt;i&gt;La Piel que Habito&lt;/i&gt; temos duasimensas razões para assisti-la: uma história verdadeiramente original abraçadaa uma forma perfeita. Que fique claro: o começo-meio-e-fim existe, o filmegarante a narrativa que conhecemos e que não temos dificuldades em acompanhar.Há aquele momento decisivo, onde o personagem não terá sua vida cotidiana devolta porque sua atitude marcou seu destino. E o melhor de tudo: neste filme, areviravolta acontece com todos os maiores personagens. Todos têm um pouco da trajetóriado herói em suas próprias vidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mais um dos filmes que nos deixa perplexos e felizes, Almodóvarsurpreende numa obra realmente nova, escapando um pouco de seus temas habituaisde amor e ambicionando outros ‘gêneros’, se é que podemos enquadrar um filmedeste diretor em algum. Não sei se pela importância e poder de que este filme já é imbuído, mas foi o melhor dos 14 que vi no Festival e possivelmente o melhor do ano até agora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*Festival do Rio 2011.&lt;br /&gt;Título Original: La Piel que Habito&lt;br /&gt;Com: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet&lt;br /&gt;Diretor: Pedro Almodóvar&lt;br /&gt;Espanha, 2011. 117 min&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lapielquehabito.com/"&gt;Site! &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-794427212512171469?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/794427212512171469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=794427212512171469&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/794427212512171469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/794427212512171469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/10/pele-que-habito.html' title='A Pele que Habito*'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-dLYbufIFuSo/TqTYVmcABtI/AAAAAAAABmY/96aardGMuyA/s72-c/poster-movie-La-Piel-que+-Habito-pedro-almodovar-2011-www_lylybye_com.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2862668178996711089</id><published>2011-10-22T21:09:00.000-02:00</published><updated>2012-01-21T23:48:36.626-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival do Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>Os nomes do Amor</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-E-JEyuwbZBk/TqNNApMliRI/AAAAAAAABmM/UIAu8WF3gHc/s1600/nom.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://3.bp.blogspot.com/-E-JEyuwbZBk/TqNNApMliRI/AAAAAAAABmM/UIAu8WF3gHc/s640/nom.jpg" width="468" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando saí do Roxy depois da sessão, havia uma senhora com o pé engessado tentando entrar em um táxi. Vi tudo de soslaio, porque estava andandorápido, doida pra chegar em casa. Mas a cena me fez virar a cabeça umas duasvezes para ver como terminava e ninguém foi ajudara velhinha. Não sou heroína de história infantil, mas elaestava com uma dificuldade e eu poderia facilitar a vida dela naqueleinstante... por que não? E tinha gente por pertoolhando a cena, curiosos provavelmente de ver se a senhora conseguiria entrarno táxi sozinha ou tímidos, distraídos para qualquer atitude. Fiz quase nada: abri a portado táxi, ela sentou, me agachei, conseguimos colocar suas perninhas pra dentro e tchau. De novo, não sou madreTeresa, mas essa não deveria ser uma ação automática? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Enfatizo o ocorrido porque havia justamente uma cena nessacomédia romântica francesa em que a mocinha está no vagão do metrô com opaquera que acabou de conhecer e um casal de idosos caminhavagarosamente em direção ao vagão. Ela sabe que eles não conseguirão entrar atempo e corre pra impedir que a porta se feche. Exatamente neste momento opúblico riu e provavelmente se identificou e/ou pensou: essa menina é bacana,engraçada, maluca. Provavelmente concordaram que era uma açãoinesperada e imprevisível, mas uma atitude legal. E diante do real, nadaacontece. Passa batido. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Voltando ao filme, acho que os romances franceses com voz &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;off&lt;/i&gt; pós-&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Amelie Poulain&lt;/i&gt; sofrem o mal terrível dacomparação. Sabemos que as comédias românticas desse estilo têm textosengraçadinhos, crônicas da vida com frases curtas, interessantes e semprebuscando uma forma diferente de descrever e completar o que os olhos vêem. Poisé, como &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Amelie&lt;/i&gt;. Entretanto, ainda quesiga esse padrão e&amp;nbsp; que também tenha uma mocinha atípica, o filme vence isso numa boa. A estória: um homem de seus 40 anos (Jacques Gamblin), filho de mãe judia e pai francês, conhece a mocinha de vinte epoucos, Bahia Benmahmoud (e há referências sobre o Brasil por seu nome) filhade argelino com francesa hippie. Bahia (Sara Forestier)&lt;span style="color: black;"&gt; é&lt;/span&gt; politizada eradical e tem por objetivo converter ‘fascistas’ através do sexo. Só que o mocinho não tem nada a ver com isso eé aí que a brincadeira começa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uma questão de roteiro é que a partir de um ponto nos perguntamosonde está o problema que originará o clímax que tanto esperamos. Há indícios, mas nada parece forte o bastante. Tudo acontecerápido e muito bem e isso quase incomoda, mas acomplexidade finalmente chega. A marca que o filme nos deixa está naconstrução dos personagens. O crescimento e atrajetória de cada um, com seus segredos a desvendar um para o outro, as diferenças entre cada um, acrescente intimidade, as descobertas. O filme sai do superficial e torna opróprio relacionamento idílico mais concreto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A fotografia com o jogo de câmeras também fazem parte da trama. Parece até óbvio dizer isso de um filme, mas é que aqui há umapreocupação estética, um jogo, como repito. Como em &lt;i&gt;500 dias com ela&lt;/i&gt;, há umparalelo no uso de câmeras 16mm e 35mm, em que o filme 16mm normalmente acontecesem voz, apenas para imagens poéticas de tão bonitas, com uma granulação quasepalpável que cria uma época de ‘memória’, mas não de passado. Remete às nossas próprias histórias quando apaixonados, em que colorimos asfotos de nossos grandes momentos com o olhar e guardamos no coração. Os detalhes,o sorriso, o cabelo, a pele, o cheiro. E mais: Sara Forestier não deve nada àsatrizes populares no quesito beleza. Linda, de uma forma não tão óbvia, mascativante, ainda tem um corpo que é muito bem explorado pelo diretor. Um poucogratuito às vezes, mas com um ar provocativo que perde a vulgaridade com aatuação extremamente natural, à vontade com as cenas e com acâmera.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É um filme de brincadeiras agradáveis, que trabalha comtemas sérios e um tanto caros aos franceses – o Holocausto e a colonizaçãoargelina, a mestiçagem, a política, as religiões, as culturas – com a levezadas comédias românticas que nos deixam tranqüilos após um dia de trabalho e com nossas próprias histórias parapensar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ah! Esse também é fruto do Festival do Rio, mas deve entrar em cartaz. &lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zvcZKl1mLNA&amp;amp;feature=player_embedded"&gt;O trailer.&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Título Original: Les Noms des Gens&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Direção: &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Michel Leclerc&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;França, 2010. 104 min.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2862668178996711089?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2862668178996711089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2862668178996711089&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2862668178996711089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2862668178996711089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/10/os-nomes-do-amor.html' title='Os nomes do Amor'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-E-JEyuwbZBk/TqNNApMliRI/AAAAAAAABmM/UIAu8WF3gHc/s72-c/nom.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3189030286901810529</id><published>2011-10-21T00:35:00.000-02:00</published><updated>2012-01-21T23:48:22.283-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival do Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Argentina'/><title type='text'>Juntos para sempre</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TrfhiuDItNM/TqFfWpcqR9I/AAAAAAAABls/F0-Rxk-xWak/s1600/juntos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-TrfhiuDItNM/TqFfWpcqR9I/AAAAAAAABls/F0-Rxk-xWak/s640/juntos.jpg" width="451" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando o trabalho exige criatividade, muitas idéias surgemquase ao mesmo tempo. A vida é um eterno pensar, descobrir, desenvolver edesistir. Quantas idéias os escritores têm por dia, mês ou ano? E osmúsicos, quantas letras são deixadas pela metade? O mesmo acontece com osroteiristas. E quando temos aquela idéia genial que vai timidamente secristalizando em nosso cérebro, sendo de repente alimentada numa torrente defrases quase desconexas e temos que correr para qualquer lugar a fim de colocartudo em alguma ordem, para que desse monstro saia alguma beleza?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Juntos para sempre&lt;/i&gt;é a história de um jovem roteirista que tem a idéia genial. Mais um argentinodigno de aplauso do Festival do Rio, o filme é uma comédia inicialmente boba, mascomplexa de execução e com um roteiro engenhoso – como não poderia deixar de ser– em que sentimos o cheiro do humor negro bem de perto. Gross (Peto Menahem) acaboude descobrir a pólvora, a sinopse ideal para um grande filme e precisadesenvolvê-la antes que se perca, enquanto sua namorada resolve lhe contar queteve um caso com o vizinho. Na obsessão pelo trabalho, sua vida desanda, Lucía terminao relacionamento e insiste que visite um psicólogo. Em paralelo, vemos ahistória criada de Gross, seu roteiro vira filme dentro do filme: um pai, Fabián, sai deférias com a família e abandona um a um pelas estradas que percorre.Seu objetivo é reencontrar, livre de qualquer amarra, um grande amor do passadoque acredita ainda esperar por ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Enquanto vemos Gross adaptar sua vida em prol da estória que cria, sua mãe – numa interpretaçãoincrível de Mirta Busnelli como uma mulher depressiva e histérica – tenta conversarcom o filho sempre ausente. Nosso personagem fictício da metalinguagemcresce; sua história é tão interessante e simbólica quanto a de seucriador. E a psicologia, claro, bate à porta. O filme todo é um grandeexercício. Imagino que para escrever o roteiro, o roteirista da vida real deveter se divertido bastante e tomado um cuidado para não cair na própriaarmadilha. E dá tudo certo: o filme nos ganha desde o princípio etodas as guinadas vão se tornando cada vez mais interessantes, inteligentes eengraçadas. O humor negro, aquele íntimo que nos habita, écompartilhado. A doença do protagonista nos contamina;somos ele nos primeiros minutos, mas não sei se queremos continuar a sê-lo nosque se seguem. E,mesmo sabendo que tudo vai acabar, queremos continuar apostando,como viciados, como Gross e como sua criação, o pai obcecado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A direção foi coesa – acabei de descobrir que o roteirista é tambémo diretor, Pablo Solarz – e o filme acontece com atores afinadíssimos. A fotografia se torna sombria à medida que o filme se inclina para o mórbido com sutileza, na proporção exata da transformação de todas as histórias ali contidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É incrível perceber como o filme metalinguistico nos parece simples na apresentação dos personagens:&amp;nbsp; a voz de Gross está ali, freqüentemente nos alimentando em &lt;i&gt;off&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;ao vivo&lt;/i&gt; com cada desenrolar da trama, mas também aqui ela vai tomando corpo, como um Frankesntein que se apodera e tem vida própria. Luís Luque, o ator de Fabián é perfeito: apenas com sua expressão - até porque tem poucas falas, o que é um grande triunfo do filme - nos intriga. A quase ausência de voz em Fabián no início e o crescimento de seu personagem no final é o equilíbrio ideal para a progressiva mudez de Gross. Se no início sua intenção era buscar platéia para contar sua idéia e ter opiniões, agora já não é necessário, a certeza do sucesso lhe toma tanto quanto a semelhança que vai ganhando com seu personagem. &lt;/div&gt;Esse é mais um caso em que os argentinos dominam, reafirmando o que disse sobre &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2011/10/querida-vou-comprar-cigarros-e-volto.html"&gt;Querida&lt;/a&gt;. Melhor ainda é imaginar quantas pessoas foram ver esse filme acreditando ser uma comédia romântica. &lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.juntosparasiemprelapelicula.com/base2.htm"&gt;O site do filme! &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Título original: Juntos para siempre&lt;br /&gt;Diretor: Pablo Solarz&lt;br /&gt;Argentina, 2010. 98 min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3189030286901810529?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3189030286901810529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3189030286901810529&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3189030286901810529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3189030286901810529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/10/juntos-para-sempre.html' title='Juntos para sempre'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-TrfhiuDItNM/TqFfWpcqR9I/AAAAAAAABls/F0-Rxk-xWak/s72-c/juntos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-1034140893687597551</id><published>2011-10-18T13:24:00.000-02:00</published><updated>2012-01-21T23:48:10.618-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hitchcock'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival do Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Argentina'/><title type='text'>Querida, vou comprar cigarros e volto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7POPO87aJZw/Tp2aPwfItnI/AAAAAAAABlM/G70xxxvwNDY/s1600/Querida+voy+a+comprar+cigarillos+y+vuelvo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1ALuVlGWQOQ/Tp3Dl7_5rXI/AAAAAAAABlc/PdAvmWNNSoI/s1600/Querida+voy+a+comprar+cigarillos+y+vuelvo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://1.bp.blogspot.com/-1ALuVlGWQOQ/Tp3Dl7_5rXI/AAAAAAAABlc/PdAvmWNNSoI/s640/Querida+voy+a+comprar+cigarillos+y+vuelvo.jpg" width="448" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JyYlSTyomoM/Tp3BrZ_y5bI/AAAAAAAABlU/Ixr0kqkxVck/s1600/12451.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Parece ser uma tradição, mas o cinema argentino ainda tem uma graça que nos supera facilmente. Não tem como escapar; talvez nossa evolução televisiva tenha adiado o treinamento no cinema e ficamos um pouco pra trás – claro, com incríveis e cada vez mais, exceções – em filmes que são como programas de TV estendidos para uma tela e duração maiores.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Querida, vou comprar cigarros e volto&lt;/i&gt; é outro exemplo de um filme relativamente simples, com grande criatividade e perfeita execução. Ernesto é um senhor de 63 anos que está em um café com sua esposa no interior da província de Buenos Aires. Em seus pensamentos reclama da vida, da mesmice, da falta de oportunidade, das decisões erradas. Um homem capta sua ladainha, aguarda a saída da mulher de Ernesto e lhe faz uma proposta irrecusável: dará um milhão de dólares para que reviva dez anos de sua vida com a cabeça que tem hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A graça do filme está na narrativa e interpretações. A estória é um conto adaptado de Alberto Laiseca que também apresenta o filme como narrador e comentarista. O uso do escritor como aquele que guia a estória lembra – com menos suspense – Hitchcock no seu &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BmpY9cpe6g8"&gt;&lt;i&gt;Hitchcock Presents&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, uma série de filmes feitos para TV, onde introduz seus personagens e explica o enredo de forma direta e misteriosa. Mas enquanto o papel de Hitchcock como apresentador se encerra logo no início e ele nos deixa à mercê dos fatos, Alberto nos acompanha, como um amigo de bar contando uma anedota um tanto autobiográfica e deixando o mistério a cargo das próximas cenas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A montagem vai e vem no passado de Ernesto, um cara que se prova atrapalhado e gauche durante toda a vida. Permeando momentos importantes de nossa História contemporânea mundial, Ernesto tenta a todo custo se dar bem, seja como herói ou vigarista. Essa visita a um passado visando mudar o presente se prova infrutífera, e nos remete a outros filmes, como &lt;i&gt;Forest Gump&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;De Volta para o Futuro&lt;/i&gt;. Enquanto o primeiro trata da participação de Forest em fatos históricos, &lt;i&gt;De Volta&lt;/i&gt; busca com uma viagem ao passado, remodelar uma estrutura familiar e de vida que traga mais benefícios a Marty McFly e Dr. Emmet Brown. &lt;i&gt;Querida&lt;/i&gt; se aproveita das duas experiências, com resultados nem sempre felizes para nosso protagonista.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A fotografia que desde o presente tem ar de passado reforça a descoberta final de Ernesto. A queixa de uma vida infeliz aqui só marca uma “covardia” diante de um futuro desconhecido. Às vezes nos perdemos com a rotina confortável e previsível – ainda que saibamos insatisfatória e por isso reclamamos – quando ao notar, as alternativas, o aventurar-se também está diante de nós, como uma porta fechada à nossa frente e a chave em nossas mãos. Ao escolher abrir a porta, não sabemos o que estará lá, mas se nunca abrirmos, viveremos sempre com a chave na mão e a certeza de que ali se perde uma oportunidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme, não só apresenta uma história única, bem elaborada, divertida com atores incríveis – já na primeira seqüência sabemos que algo de bom vem por aí, basta sentir o mistério do homem que faz a proposta a Ernesto, e ainda, a mulher do Ernesto adulto – cuja maquiagem e figurino a transformam numa senhora típica de Copacabana (assustadora, mas gente boa), me trouxe Alberto Laiseca um escritor que ignorava a existência por completo e que, além de ser multi-plataforma, tem boas histórias. Com tantas qualidades, só podemos esperar que o filme volte após o Festival do Rio e consiga mais espaço no circuito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Encontrei o &lt;a href="http://albertolaiseca.blogspot.com/"&gt;blog de Alberto Laiseca.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E aqui, o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=GswLDohL3yI"&gt;trailer&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;Título Original: Querida voy a comprar cigarrillos y vuelvo&lt;br /&gt;Diretor: Mariano Cohn e Gastón Duprat&lt;br /&gt;Argentina, 2011. 80 min.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-1034140893687597551?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/1034140893687597551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=1034140893687597551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1034140893687597551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1034140893687597551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/10/querida-vou-comprar-cigarros-e-volto.html' title='Querida, vou comprar cigarros e volto'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1ALuVlGWQOQ/Tp3Dl7_5rXI/AAAAAAAABlc/PdAvmWNNSoI/s72-c/Querida+voy+a+comprar+cigarillos+y+vuelvo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5397503145918269417</id><published>2011-10-13T23:36:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:48:00.234-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival do Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>A Cônsul Italiana</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme de hoje do Festival do Rio me veio de presenteatravés de um convite. Não havia visto o trailer, mas a sinopse me dizia algode interessante e fui arriscar. O diretor apresentou a sessão, dizendo uma dascoisas mais legais que todo nerd cinematográfico gosta de saber: a presença deoutro diretor, ainda mais bacana na mesma sala. Dario Argento estava lá. Esuspeito que do meu ladinho. Mas isso é tudo sobre ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme trata da história de uma Cônsul italiana na Áfricado Sul se preparando para voltar a seu país. Conhece uma sul-africana que lhepede ajuda para reencontrar seu companheiro, um fotógrafo que estavainvestigando o tráfico de humanos. O interesse da Cônsul é romântico: Marco,este fotógrafo, havia sido um grande amor cujo relacionamento foi rompido commuito sofrimento para os dois e algum mistério para um. E aí a Cônsul resolveentrar na jogada e tentar descobrir que fim teve esse rapaz.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas a grande questão é que o filme se perde. O diretorrespondeu algumas perguntas após a sessão e explicou que queria mesmo enfatizaro tráfico humano, trazendo um conflito amoroso, mas o filme acaba ficandomuito vazio e resulta no contrário: um pano de fundo com tema forte e tratadopor cima, reforçando o diálogo sobre os relacionamentos destas mulheres. A Cônsulparece uma mulher alienada que viveu muito tempo numa situação de conforto, emque tudo que está além de sua casa e consulado não existe, não está a seualcance e, de repente, ela&amp;nbsp; se envolvecom tudo e todos, levantando uma bandeira justa, mas aparentemente com outroobjetivo. A sul-africana, por outro lado, perde muito tempo querendo saber quetipo de relacionamento eles tiveram, ao invés de buscar respostas com outrasperguntas que seriam mais úteis.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Me recorda um pouco o que vivemos aqui no Brasil, no Rioespecialmente. O Rio é dividido em setores: Zona Sul, Oeste, Norte e Centro. Euconsidero o Centro como uma extensão da Zona Sul. É muito perto e muitoparecido em muitos aspectos. A Zona Oeste me parece ser mais heterogênea, mastem o problema de respirar uns ares de Miami que deixam as largas avenidasestéreis e estranhas. E a Zona Norte, imensa e ainda uma interrogação pra mim,é a zona mais humilde, que concentra a maior parte da população e que faz comque a cidade efetivamente funcione. O incrível é que para muitos moradores daZona Sul, a Zona Norte está muito distante, não existe praticamente. Essa noçãoespacial é reafirmada cotidianamente por seus moradores, como acontece com nossaprotagonista Cônsul. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que realmente irrita é que no processo de busca de umfotógrafo italiano talvez seqüestrado por traficantes escravocratas, osdiálogos entre a atual companheira e a antiga são de uma futilidade tremenda.Enquanto a preocupação com a vida deste personagem invisível deveria estarsempre em primeiro plano e mobilizar muito mais do que duas mulheres - lembrando que uma delas é CÔNSUL e teria relações, no mínimo políticas, que favorecessem o caso - as mesmas disputam uma preferência impossível em discussões vazias, reduzindo seuspróprios personagens a duas mulheres poderosas, mas paradoxalmente inseguras.Com assuntos tão sérios em pauta, ‘quem vai ficar com ele’ não deveria ser tãoimportante. O amor poderia e foi destacado no filme e é plausível, mas o eternoembate é cansativo. E a Cônsul mantém uma aura de mistério o tempo inteiro, emque não sabemos exatamente como foi o fim do relacionamento, sendo que issopouco importa na trama do filme. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acho que o pano de fundo acabou sendo o tráfico de escravos,e não o mote principal, como me parecia ser e que foi o que me trouxe ao filme.Algumas tentativas existem, a Cônsul visita abrigos de mulheres, conhece umtraficante, se mete em algumas roubadas, acreditando que seu título a salvaráno final - outra ingenuidade estranha vindo de uma mulher que aparenta ter alguma experiência no cargo. Ainda, a montagem poderia ser mais enxuta e o filme talvez resultassemais curto, se eliminássemos metade das discussões redundantes e fúteis. Com umtema tão caro à África do Sul e ao restante do mundo, o mínimo a se esperar erauma preocupação maior e um final mais coerente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Título Original: Il Console Italiano&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;Diretor: Antonio Falduto&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;2011, 90 min. Itália&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5397503145918269417?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5397503145918269417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5397503145918269417&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5397503145918269417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5397503145918269417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/10/consul-italiana.html' title='A Cônsul Italiana'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2430445199837238723</id><published>2011-09-10T14:32:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:47:47.021-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival de Berlim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Woody Allen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Argentina'/><title type='text'>Medianeras</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-oudfgRU3kWM/Tmua105DvkI/AAAAAAAABk4/io_VJ1u_V44/s1600/Medianeras-Insert.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-oudfgRU3kWM/Tmua105DvkI/AAAAAAAABk4/io_VJ1u_V44/s640/Medianeras-Insert.jpg" width="433" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ontem assisti &lt;i&gt;A um passo da eternidade&lt;/i&gt;. Por mais clássico que seja, o amor do protagonista pelo exército não me tomou e o filme passou por mim sem fortes emoções, à exceção da cena da chegada dos aviões japoneses metralhando soldados americanos e de quando o protagonista chora a morte do amigo. E também passou por mim mais uma sexta-feira à noite em que os solteiros têm por obrigação (?) estar nas ruas se divertindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu trabalho há uma menina muito engraçada, que se sentia extremamente culpada quando não saía nos fins de semana ou até durante a semana. Ela tinha a impressão de que a vida está passando por nós enquanto trabalhamos, como se a rotina nos esmagasse paulatinamente. Especialmente quando somos solteiros. Acho que todos têm um pouco disso, mas era engraçado ver uma preocupação sincera nela, como se não houvesse amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Medianeras&lt;/i&gt; é um filme que mistura esses sentimentos. São dois jovens, Martin (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala), vizinhos que vivem suas vidas em apartamentos para um em Buenos Aires, como pessoas normais com frustrações, alegrias, tristezas, sucessos e fracassos. O cotidiano deles é o que nos aproxima do filme, nos tornando aqueles personagens e fazendo com que seus sentimentos nos habitem; em alguns ou vários momentos, somos exatamente daquele jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela terminou um namoro e voltou a morar em seu apartamento. Ele, algum tempo só, construiu uma forma de viver em que necessitando muito pouco do ‘mundo lá fora’, seu analista lhe propõe que saia para fotografar; seu dispositivo de interação com o mundo é a câmera. As estações passam por eles e em um ano vemos suas transformações agora em nós, nos apaixonamos e acompanhamos as trajetórias na certeza infeliz da duração de 95 minutos. Dali a muito pouco seremos só nós, novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme, de um diretor e atores desconhecidos pra mim e de orçamento baixo consegue logo no início nos prender com a voz de Deus, aquele recurso que Woody Allen usa muito para introduzir a trama e os personagens do filme. Aqui, de forma bastante parecida e com texto rápido e curioso, nos primeiros cinco minutos já sabemos que algo muito bom acontecerá. A nostalgia dos personagens nos invade sutilmente, como uma tristeza terna que se perde entre o que fomos e o que somos. Aqui o futuro não existe, estamos nas &lt;i&gt;medianeras&lt;/i&gt;, os espaços intermediários dos prédios, naquelas paredes inteiras, fachadas laterais “inúteis” sem janelas ou saídas para o mundo. A voz de Deus nos informa, logo no início: &lt;i&gt;a vida é como estar de passagem em Buenos Aires&lt;/i&gt;, uma cidade em que os fios se entrelaçam construindo teias para cobrir o céu, os prédios – como no Rio de Janeiro (acho as duas cidades bastante parecidas) – se fundem em uma arquitetura caleidoscópica com estruturas belíssimas e construções horrorosas espelhadas, uma cidade que deu as costas para seu rio... um espaço sempre entre o caos e uma tentativa de ordenamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A construção narrativa nos prende à medida que a &lt;i&gt;voz off &lt;/i&gt;some. Somos introduzidos naquele tempo-espaço e deixados com eles, como uma apresentação a novos amigos quando crianças. Aqui são pessoas cujas vidas não têm apenas clímax, como nas comédias românticas americanas. Os tempos mortos existem, a mocinha está em casa olhando para seus manequins, buscando um Wally (sim, de &lt;i&gt;Onde Está Wally?&lt;/i&gt;) no livro ou enlouquecendo com um vizinho que toca um triste piano sem fim. E a partir daí, como este tédio pode ser diluído na internet, universo fundamental ao mocinho, encontramos relacionamentos raramente felizes mas um pouco engraçados, os virtuais. Também é importante – e aí está a riqueza do filme – perceber o reflexo dos nossos relacionamentos, como os protagonistas se envolvem com outros personagens na certeza de que são encontros vazios, mas tão necessários como um teste, uma experiência com resquício de esperança, para se sentirem partilhando a si e conhecendo o outro – tentando driblar as carências que se reforçam ironicamente em mais alguns fracassos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução talvez esteja, como no título do filme, num intervalo entre uma parede sempre fechada e uma nova janela que se força abrir exatamente ali, contra a lei (nem que seja a da engenharia), mas como um imperativo, como aquela luz inevitável do fim do túnel. Este filme, que nos lembra a nós mesmos com bom e inteligente humor, ao tempo que nos faz rir cúmplices, nos lembra que não precisamos viver uma eterna busca, entendendo que tão importante quanto novos encontros é se permitir ficar em casa assistindo um filme qualquer em uma sexta à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Original: Medianeras&lt;br /&gt;2011, Buenos Aires, 95 min.&lt;br /&gt;Diretor: Gustavo Taretto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2430445199837238723?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2430445199837238723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2430445199837238723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2430445199837238723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2430445199837238723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/09/medianeras.html' title='Medianeras'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-oudfgRU3kWM/Tmua105DvkI/AAAAAAAABk4/io_VJ1u_V44/s72-c/Medianeras-Insert.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3762193014285481860</id><published>2011-09-07T04:21:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T22:50:01.075-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><title type='text'>Sejamos egoístas</title><content type='html'>Agora são 3:33 de Sete de Setembro e um acidente de carro acaba de acontecer na esquina. Eu moro num cruzamento de Copacabana bastante movimentado, numa avenida que liga Copa a Ipanema. Há vinte minutos estava dormindo, quando um barulho de uma violência tremenda me assustou e achei que todos haviam morrido em um capotamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei dois minutos na cama, trêmula, coração na boca. Levantei ainda assim, um homem desesperado gritava &lt;i&gt;olha o que você fez com a minha mulher&lt;/i&gt; e tudo era um diálogo de terror. Fui à janela e o homem ainda gritava, ainda desesperado, o carona do causador do acidente tentava acalmá-lo em vão. O motorista culpado não podia e nem saía do carro, certamente apanharia e estava muito bêbado. O homem seguia desesperado, o carona do outro carro já estava chorando e a mulher, invisível. Liguei para o 190, 192 e 193. No 193, a moça que me atendeu muito bem, me informou que eu deveria descer e ver o estado da vítima. Estava apreensiva de entrar na situação, a moça me deu coragem e eu me vestia, quando liguei para o porteiro que disse ter chamado a polícia e a Samu e alguns taxistas chegavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que a Samu já levou a moça e seu marido – me tranqüilizei porque a vi andando e sendo atendida, depois levada de maca para dentro da ambulância – voltei para a cama. Espero, de coração, que tudo dê certo para este casal que queria apenas voltar pra casa e, em tempos de Lei Seca, se viu num acidente com um motorista imbecil e bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas são contra a Lei Seca. Aqui no Rio – como na maior parte do país – já aconteceram tantos acidentes horrorosos com muitas vítimas inocentes por conta do álcool, que esta frase parece desnecessária, de tão clichê. A medida punitiva é tão óbvia quanto seu objetivo preventivo. Os que reclamam são os que bebem e se dizem senhores de si, independente da gradação alcoólica, sem pensar, tão imbecis quanto o motorista de hoje, que merdas realmente acontecem e que sim, podemos provocá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso tudo, estava com alguns amigos num bar. Havia um grupo de mulheres em uma despedida de solteiro e a noiva, que estava dirigindo, confirmou a intenção de beber. Quando sua amiga sugeriu que conversasse com a irmã para que não bebesse, a resposta foi: &lt;i&gt;e você acha que ela não vai beber? Nada que o twitter da Lei Seca não resolva.&lt;/i&gt; Esse twitter pode ter sido o que o motorista de hoje usou e a fiscalização da lei não deu conta do recado, se é que está acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive meus momentos, como grande parte das pessoas dos vinte e muitos, de beber e dirigir. Também dei muita sorte como carona e nunca me envolvi em nenhum acidente do tipo. A responsabilidade do motorista é o que o deve manter abstêmio toda a noite - outro clichê. Até hoje não encontrei um argumento válido que justifique o fim da aplicação da lei ou da fiscalização. Acidentes como este, que me tiram o sono, me fazem querer ser médica e útil, rezar para qualquer crença e eventualmente chorar, reforçam a idéia. Somos incapazes de controlar a imbecilidade alheia e podemos simplesmente estar no carro ao lado, como essa moça machucada e seu marido. Temos, pelo menos, que tentar reduzir este índice de acidentes e vítimas por e para nós mesmos. Sejamos egoístas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3762193014285481860?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3762193014285481860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3762193014285481860&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3762193014285481860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3762193014285481860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/09/desabafo.html' title='Sejamos egoístas'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3720895195848479361</id><published>2011-08-17T20:26:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:47:32.782-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema mudo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clássico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Theatro Municipal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chaplin'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inglaterra'/><title type='text'>Luzes da Cidade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Lrg23TLK8o0/TkxN0j3zw2I/AAAAAAAABko/8sAz_K9UxcA/s1600/City_Lights-411568443-large.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-Lrg23TLK8o0/TkxN0j3zw2I/AAAAAAAABko/8sAz_K9UxcA/s640/City_Lights-411568443-large.jpg" width="432" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A memória que temos de Charles Chaplin é a daquele vagabundo inocente que faz estripulias em alguma cidade em preto e branco. Ou daquele operário enferrujado que aperta porcas e parafusos e, num surto, aperta também tudo que assim se pareça, ou ainda - é dos meus preferidos - o personagem do filme falado, &lt;i&gt;O Grande Ditador&lt;/i&gt;, esse, magnânimo.. Sábado encontrei o vagabundo no Municipal e, como num passe de mágica, voltamos ao tempo dos grandes cinemas orquestrados.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O &amp;nbsp;Theatro Municipal do Rio de Janeiro – assim mesmo, com o charme do &lt;i&gt;h&lt;/i&gt; – tem um calendário em que alguns dos mais importantes filmes do Cinema mudo são exibidos ao som de uma orquestra ao vivo. Essa apresentação imediatamente nos leva, como &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2011/07/meia-noite-em-paris.html"&gt;no último filme&lt;/a&gt; de Woody Allen, a outra época, no início do século passado. O Theatro, reformado e lindo estava lotado e consegui ficar no balcão nobre, logo acima da platéia, com uma boa companhia. E, por mais que conhecesse o filme, foi uma emoção de primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aqui temos a história de um vagabundo - nos termos de um desempregado e pobre&amp;nbsp; - que se apaixona por uma florista cega e faz de tudo para melhorar sua vida e curar sua doença. Um filme com uma história simples, sem muitos rodeios, como tem que ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É também daqueles filmes que te prendem em todos os momentos. Primeiro porque é &lt;i&gt;surdo&lt;/i&gt;, já que os personagens falam bastante no filme e não ouvimos: uma cartela ou outra nos dá informações básicas para que possamos apreender tudo. A riqueza está no personagem, no Carlitos que tanto conhecemos e que preenche a tela com uma leveza daquelas pessoas únicas de grande coração. E o mais incrível, a orquestra ao vivo em total sincronia com o filme, acertando em todos os ruídos e ênfases. A música não só acompanha a trama, como é grande responsável pelas ondas de emoção que nos pegam de tempos em tempos nesta precisa duração. É aqui que rimos escandalosamente, gargalhamos livres num filme de piadinhas antigas, ingênuas e lindas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E a platéia ria... ria e se deliciava, se reencontrando com um passado que nunca foi seu, com piadas de outros tempos mas com beleza e inocência, aquela pureza que provavelmente as guerras, a internet, as bombas e tudo mais de novidades estranhas foram ajudando a removê-la de nós aos poucos. A ingenuidade, o romantismo de uma época que não vivemos nos faz ver tudo com um ar de saudade do que não temos ou fomos – que seria um pouco o significado da melancolia, mas que passa longe daquela de está em cartaz nos cinemas, também com &lt;i&gt;h&lt;/i&gt;. Aqui é um riso conjunto, compartilhado e confesso. E que começa tímido, um aqui, outro ali, o Municipal no escuro com umas luzes para a orquestra e em cinco minutos estamos todos juntos, rindo do &lt;i&gt;menor&lt;/i&gt; esforço de nosso ator genial, como se fôssemos de uma mesma família reencontrando alguém que não vemos há muitos anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E o final, o que é o final? Não vou contar, vai que alguém não viu e merece a surpresa. O final nos toma de uma forma que o Theatro inteiro parou de respirar. Parou naquele segundo, naquele fechamento indefectível de uma história terna, quente e triste ao mesmo tempo. A última seqüência é um aperto no peito de ansiedade pelo último segundo, pelo desfecho perfeito dos filmes perfeitos de Charles Chaplin. As paredes do Municipal ficaram mais fortes e ricas nesta noite de sábado, com tantos aplausos, risos, lágrimas, carinhos e amor pelo Cinema, pelo espaço mágico em que estávamos, ambos eternos. E ainda mais aplausos para a Orquestra e para a última imagem da tela, a foto do gênio, do artista completo. Aí fomos todos alegria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Obs.: acabei de checar aqui e terá uma última exibição no próximo dia 20/08. Vale &lt;b&gt;muito &lt;/b&gt;a pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3720895195848479361?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3720895195848479361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3720895195848479361&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3720895195848479361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3720895195848479361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/08/luzes-da-cidade.html' title='Luzes da Cidade'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Lrg23TLK8o0/TkxN0j3zw2I/AAAAAAAABko/8sAz_K9UxcA/s72-c/City_Lights-411568443-large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total><georss:featurename>Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Cinelândia, Centro, Rio de Janeiro - RJ, Brasil</georss:featurename><georss:point>-22.909327618247744 -43.17638792344667</georss:point><georss:box>-22.922200118247744 -43.19703042344667 -22.896455118247744 -43.15574542344667</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2540581778825497871</id><published>2011-08-15T13:52:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:47:16.287-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='John Lennon'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beatles'/><title type='text'>Bed Peace</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/mRjjiOV003Q/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mRjjiOV003Q&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/mRjjiOV003Q&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yoko finalmente liberou o doc na íntegra na internet!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente até o dia 21/08. Segue nota da própria:&lt;br /&gt;&lt;div class="lft"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="lft"&gt;"Queridos amigos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1969, eu e John éramos ingênuos a ponto de acreditar que deitar numa cama ajudaria a mudar o mundo. &lt;br /&gt;Bom, pode ter ajudado. Mas na época nós não sabíamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi bom termos filmado, de qualquer forma. &lt;br /&gt;O filme é poderoso hoje. &lt;br /&gt;O que dissemos na época, poderia ser dito agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, algumas coisas que dissemos no filme podem encorajar e inspirar ativistas de hoje. Boa sorte para todos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lebrar que A GUERRA ACABOU, se assim quisermos. &lt;br /&gt;Depende de nós, de ninguém mais. &lt;br /&gt;John gostaria de dizer isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="lft"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="lft"&gt;Yoko Ono"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2540581778825497871?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2540581778825497871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2540581778825497871&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2540581778825497871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2540581778825497871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/08/bed-peace.html' title='Bed Peace'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-4857125301878795738</id><published>2011-08-03T16:13:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:46:57.552-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Estamira</title><content type='html'>Essa semana Estamira morreu.&lt;br /&gt;Mulher importante e única que foi, marcou seu diretor e a todos que passaram por seu filme e sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa tímida homenagem, segue a &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2008/03/as-verdades-de-estamira.html"&gt;crítica&lt;/a&gt; de quando o filme foi lançado, o trailer na janelinha aqui embaixo e o &lt;a href="http://www.estamira.com.br/"&gt;site&lt;/a&gt; do filme. Que essa mulher fantástica não suma de nossos corações e mentes tão cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/v9ik-M5k0K4/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/v9ik-M5k0K4&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/v9ik-M5k0K4&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-4857125301878795738?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/4857125301878795738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=4857125301878795738&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4857125301878795738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4857125301878795738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/08/estamira.html' title='Estamira'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-1845210910534038665</id><published>2011-07-23T00:47:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:46:40.043-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Independente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Jack goes Boating</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TB5Ou8vZ__U/Tio_4P4r59I/AAAAAAAABjk/OSNM66XA7ak/s1600/Jack-Goes-Boating-movie-poster.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-TB5Ou8vZ__U/Tio_4P4r59I/AAAAAAAABjk/OSNM66XA7ak/s640/Jack-Goes-Boating-movie-poster.jpg" width="432" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em tempos atuais, é importante não perder o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Vejo Você no Próximo Verão&lt;/i&gt;. Acabei de assistir. Estreou hoje causando impacto. E é claro que a versão original do título é mais interessante; &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Jack goes Boating&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em tempos atuais, porque parece que vivemos um mundo de contrários. O filme trata do surgimento de um novo relacionamento romântico, da formação de um novo casal. Um casal de amigos resolve ‘armar’ o melhor amigo com a colega de trabalho da mulher. E é isso, nada mais. O filme é sobre essa conquista, que não parte apenas de um. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Neste mundo de contrários parece que o mais importante é a coleção. Não importa quem seja a pessoa, o objetivo é como o &lt;i&gt;war&lt;/i&gt;: quanto mais territórios temos, vencemos o jogo. Ou destruímos o oponente. Na minha adolescência, quando somos apresentados aos nossos hormônios e aos dos outros e entramos no mundo das relações amorosas, eu achava sinceramente que era tudo meio simples, que quando se gostava, ficava-se junto e pronto, acabou. Felizes para sempre. Mas todo conto de fadas existe tanto quanto as fadas. Tem um processo de conquista, muitas vezes estranho e sem propósito, que acontece e este final feliz some feito fumaça. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois de tantas figurinhas trocadas entre amigos e amigas, fui convidada a ler um livro mulherzinha. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;He’s not that into you&lt;/i&gt; e eu quase com vergonha admito que estou me divertindo lendo e me vendo em muitas situações ridículas. Eu admito mesmo, fiz umas coisas já, mas entendendo que cada um é cada um e que os homens e as mulheres podem agir individual e originalmente. O livro diz exatamente o contrário e tenta provar isso por a + b. É um livro escrito por um homem e uma mulher americanos (por isso o dualismo é gritante e exagerado, eu sei), roteiristas de &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2008/06/fim-de-uma-saga.html"&gt;&lt;i&gt;Sex and the City&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;. Os escritores buscam comprovar com exemplos práticos o nível de interesse do homem num relacionamento heterossexual, de forma a alertar as mulheres – sim, estas que vivem buscando justificativas para ‘segurar’ ou ‘acreditar’ em situações quase surreais – para que não percam tempo na vida com quem não interessa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E aí aparece esse filme, que, ao tempo que comprova no extremo o que o livro nos conta, mostra o exato oposto: há um paralelo entre um relacionamento estabelecido, mais complicado e este novo casal que está descobrindo como é conviver. E enquanto as diferenças entre os pares vão se tornando cada vez mais evidentes, a transformação dos personagens ganha força e o roteiro se sobressai surpreendentemente. Não é um filme de clichês, pelo contrário, é um filme sobre a vida, sobre um dia a dia de alguns amigos que não sabem muito bem - como grande parte de nós - o que podemos e não podemos nos permitir viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É um filme, soube nos créditos, baseado numa peça que o próprio Philip Seymour Hofman protagoniza (além de ter dirigido e produzido o filme) e por isso há poucas locações. Ao mesmo tempo, não percebemos isso de forma alguma. Os diálogos estão na medida, bem como seus silêncios fundamentais. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Outro dia assisti &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Quem tem medo de Virgínia Woolf&lt;/i&gt;, que me remeteu a outro, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O Anjo Exterminador&lt;/i&gt;, de Buñuel. Toda essa leva de clássicos é para uma analogia simples: em um determinado momento dos três filmes, os personagens ficam confinados numa residência e por mais que a tensão seja insuportável, eles não saem dali. E a nossa tensão aumenta absurdamente, o incômodo torna-se coletivo e nossa vontade é entrar pela tela do cinema ou da TV e arrancá-los porta afora. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O Anjo Exterminador&lt;/i&gt; pretende com isso outro objetivo – não vou discutir os temas de Buñuel aqui – mas &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Quem tem medo...&lt;/i&gt; também nos mostra relacionamentos complicados. E como eles se solidificaram em bases frágeis ou tetos de vidro. Nada disso suporta muito tempo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há uma carga emocional muito forte neste novo filme. Philip Seymour Hoffman – e nem preciso falar dele, de verdade – é o cara. Sem mais adjetivos. O protagonista é um personagem extremamente sensível, que conhece uma mulher incrível e sensibilizada. Nos primeiros 2 minutos, já nos apaixonamos por ele e pela paradoxal força desta mulher: aqui também ela é a atriz que carrega o filme, com poucos gestos, tímida e resistente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As mulheres sempre ganham esses adjetivos: resistente, forte, batalhadora. Os homens têm ganhado outros: sensível, perdido, indefinido. Em resumo: nós carregamos o piano enquanto eles decidem quem são. Não tão drástico, mas o fato é que nem sempre queremos ser e ter essa força toda. Somos mocinhas. Queremos ser delicadas, bem tratadas, reconhecidas, paparicadas. E neste filme há uma força, literalmente, que faz com que isso aconteça. Simplesmente porque era necessário para os dois, precisava ser daquele jeito. E não era um sacrifício. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esse é um filme sensível e honesto. É simples, perfeito em sua composição e nos prende como muitos outros filmes ‘pequenos’ americanos não por coincidência (lembrei de: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Sunshine Cleaning, A lula e a baleia, Pequena Miss Sunshine, O casamento de Margot, &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2010/07/away-we-go.html"&gt;Away we go&lt;/a&gt; – &lt;/i&gt;que, no &lt;a href="http://www.imdb.com/"&gt;IMDB&lt;/a&gt; mostra em quase todos, os mesmos produtores). Só é difícil de encontrar – como nesta linda produção – uma realidade parecida. Mas é bom dormir com essa idéia, esse respiro de que se um filme assim foi possível, por que o resto não seria?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Título original: Jack goes boating&lt;br /&gt;Diretor: Philip Seymour Hoffman&lt;br /&gt;2011 - EUA - 91 min&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-1845210910534038665?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/1845210910534038665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=1845210910534038665&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1845210910534038665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1845210910534038665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/07/jack-goes-boating.html' title='Jack goes Boating'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-TB5Ou8vZ__U/Tio_4P4r59I/AAAAAAAABjk/OSNM66XA7ak/s72-c/Jack-Goes-Boating-movie-poster.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-4737313842277336782</id><published>2011-07-19T00:39:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:46:26.152-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>Filhos de João</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-BSCahvxe_B4/TiT8UUxZseI/AAAAAAAABjQ/c-2ATvFH6xg/s1600/filhos-de-joao.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-BSCahvxe_B4/TiT8UUxZseI/AAAAAAAABjQ/c-2ATvFH6xg/s640/filhos-de-joao.jpg" width="447" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na semana passada, no dia treze, foi o dia mundial do rock. Aqui no Rio não aconteceu nada de interessante, mas me peguei ouvindo uma banda baiana que me tomou por inteira e me levou para os shows que ia em Salvador no início dos anos 2000. Scambo era o nome e Salvador conhecia as letras originais e as versões, e percebi que me marcou muito mais do que eu imaginava.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nessa leva de baianidade, troquei boa parte das músicas internacionais que ouvia diariamente por outras baianas e às vezes meu coração aperta de saudade e me dá vontade de cantar bem alto, mas quase sempre estou dentro de um ônibus e o que acontece é meu coração explodir por dentro e uns risos meus, sorrisos, enquanto olho o mar carioca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje assisti a pré-estreia de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Filhos de João&lt;/i&gt;, o filme de Henrique Dantas sobre os Novos Baianos. Dei uma sorte danada, porque encontrei outros baianos e vi o filme entre eles. Nada melhor, já que ouvi o sotaque de pertinho, vi o filme, cantamos umas partes e no final, mais baianidade no coquetel. Parece bobagem, mas esse retorno é realmente importante. Às vezes o tempo vai passando e deixamos passar junto um pouco do que somos e vamos nos tornando outros, sem perceber... às vezes é só uma música, a companhia ou um filme que nos avisa com um ‘psiu... lembra? Você é isso também’. Era tudo o que eu precisava.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que acontece é que este filme foi feito durante 11, 12 anos e trouxe entrevistas de tempos diversos, mas que juntas, davam um tom gostoso e interessante, traduzindo numa boa forma de contar a história. E eu nem sabia que João Gilberto era esse João do título e sua importância na formação do grupo. A questão é que João Gilberto já era um mestre nos anos 60 e essa turma dos Novos Baianos, de músicos fantásticos estava se descobrindo, quando o músico-padrinho mostrou possibilidades e novos olhares que transformariam o rock dos baianos numa música essencialmente brasileira e fundamental.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme mostra raridades, trechos de shows, da convivência deles num sítio aqui no Rio, de como as canções se formaram, de como eles viviam e cresciam, se multiplicavam. E múltiplo é também o filme, que nos dá o prazer de ver os pais da guitarra elétrica, do nosso Carnaval baiano, de Armandinho, Dodô e Osmar, até de Gil e Caetano, como quem não quer nada. É um prazer de ver e ouvir. E é a história da música brasileira. Isso tudo num documentário inesperado, lindo e divertido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tom Zé abre o filme e faz as vezes de mediador da história, ditando os momentos importantes da virada, com sua fala completamente original e, que pode parecer a muitos ‘viajante’ e metafórica, mas, se pensada e ouvida faz total sentido. Todas as suas palavras e adjetivos. Junto com isso, um contexto da época na Bahia, com os filmes de Edgard Navarro e tantos outros – porque os Novos Baianos também fizeram filmes – e toda a efervescência cultural de uma época que aconteceu assim no mundo inteiro. E o legal é que eles todos falam num tom simples, com tranqüilidade, sem maneirismos ou palavras difíceis. É um filme para todos. Todos que gostam de música, cultura, de Brasil, de Bahia. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acabei de chegar em casa e não consegui não escrever sobre o filme. E tenho que agradecer à minha irmã que me apresentou a esses baianos maravilhosos quando eu nem sabia de nada. Hoje o filme chegou tímido e me deu uma recarga de baianidade no inverno carioca, não tão gelado como em outras cidades, mas longe de ser aconchegante como na minha terra. E quando isso acontece, não tem essa adversidade que me tire o humor. E nem falemos de outros filhos dos filmes de música; gostei muito dos de Francisco, mas não se comparam a esses aqui. Assim como a analogia ao Admirável Mundo Novo, aqui se justifica plenamente no filme. Era uma geração que buscava algo novo, diferente, livre... que se perdeu na ingenuidade do velho sonho de romper um sistema - na verdade, talvez um sonho ainda novo naquele tempo - mas que ainda assim permaneceu num sistema próprio tempo suficiente para criarem vida e nova música. É isso, Novos e Velhos baianos no rádio e agora nos cinemas, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Visite o site &lt;a href="http://www.filhosdejoao.com.br/%20"&gt;aqui!&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-4737313842277336782?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/4737313842277336782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=4737313842277336782&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4737313842277336782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4737313842277336782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/07/filhos-de-joao.html' title='Filhos de João'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-BSCahvxe_B4/TiT8UUxZseI/AAAAAAAABjQ/c-2ATvFH6xg/s72-c/filhos-de-joao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-4598284436121454856</id><published>2011-07-03T22:07:00.000-03:00</published><updated>2012-01-25T15:57:53.698-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Independente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Woody Allen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espanha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Globo de Ouro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>Meia noite em Paris</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-gXvWmGl8GlI/ThEQwV2kJwI/AAAAAAAABik/qoxTEaoTVN8/s1600/midnight-in-paris-poster1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://1.bp.blogspot.com/-gXvWmGl8GlI/ThEQwV2kJwI/AAAAAAAABik/qoxTEaoTVN8/s640/midnight-in-paris-poster1.jpg" width="432" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando não conhecemos um lugar, costumamos viajar por ele através das impressões dos outros. Impressões vendidas por companhias de turismo, dadas com emoção por parentes e amigos que lá estiveram, por filmes, músicas, fotos, postais, internet. Essa coleção de imagens e sons é comum e acessível a todos. É gratuita e nos permite interpretar aquilo que não conhecemos, mas que temos alguma(s) idéia(s) de como deva ser. E, enquanto não vamos lá, aprendemos daqui a perceber como seria aquela vivência, ilusão farta e romântica de um espaço, de um momento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Meia noite em Paris&lt;/i&gt; trata da viagem de um casal americano junto com os pais da noiva à cidade. O noivo, Gil Pender (Owen Wilson) encantado com a capital francesa e se aproveitando dela para ganhar força e coragem para mudar sua profissão lucrativa de roteirista hollywoodiano, tornando-se um escritor de primeira viagem, entra em conflito com os anseios da noiva Inez (Rachel McAdams), que pensa na decoração da nova casa e em passeios com um casal de amigos não tão divertidos que encontrou pelo caminho. Insatisfeitos com a discrepância dos anseios individuais, o casal se separa nas noites parisienses e vaga pela cidade, cada um à sua maneira. A cada novo dia, as diferenças entre eles se tornam mais evidentes e novas descobertas os fazem rever o casamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esta é uma sinopse alargada do novo filme de Woody Allen. Ao contrário dos anteriores, este não começa com uma narração. Na verdade, o filme prescinde totalmente daquele narrador, da voz que já conhecemos, presente em grande parte de sua filmografia. A história se deixa contar à medida que nosso herói vivencia a cidade e por ela se apaixona, a cada quadra, a cada esquina. Romântico, acredita que seria mais feliz em outra época, de outra forma. Esse pensamento nos transporta pelas ruas de Paris a outras décadas e todos&amp;nbsp; vivemos uma experiência inusitada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme mantém o estilo leve, a narrativa fluida, a suspeita simplicidade no contar da história. Com mais de vinte filmes no currículo do diretor, não poderia ser diferente. Aqui há atores de peso – com destaque para o incrível Adrien Brody e Corey Stoll – e até Carla Bruni dá o ar da graça em momentos divertidos da história. Ainda que não soubéssemos quem havia dirigido, ficava fácil perceber a quem pertence o tom do filme. Não há um neurótico assumido, mas um homem confuso, perdido entre suas decisões, ingênuo e descobrindo o que quer e precisa, como alguém que chegou agora ao mundo. Há uma tranqüilidade no personagem de Owen Wilson e nos diálogos incríveis com o amigo pseudo-intelectual de Inez, que nos fazem gargalhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A surpresa do protagonista diante do inusitado – também para mim que não li nada sobre o filme, apenas vi o trailer – nos faz entrar imediatamente na história, quase como o herói de &lt;i&gt;A Rosa Púrpura do Cairo&lt;/i&gt;, só que de forma invertida. Aliás, a primeira grande diferença deste novo filme para os demais não é tanto a ausência de&lt;i&gt; voz&lt;/i&gt; &lt;i&gt;off&lt;/i&gt;, mas as primeiras cenas, lindas, das pequenas ruas estreitas, de paralelepípedos, com cafés e restaurantes e uma trilha de fundo, nos indicando: é Paris, nada mais importa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com mais imagens deliciosas de uma cidade ainda desconhecida, a ansiedade me tomou o coração com um imperativo de ‘você precisa viver isso’. Este filme aparentemente simples – como todos os outros de Woody Allen aparentemente são – traz questionamentos de forma sutil sobre o tempo que vivemos, o tempo que queremos viver e se o que estamos fazendo agora é viver o que queremos ou se estamos sempre pensando no que queremos viver. As respostas suscitam outras questões e provavelmente não teremos uma solução que não signifique novas decisões e atitudes. E tudo pode se passar num domingo qualquer com uma boa companhia e que não se pense mais a respeito ou, como um bicho que nos morde, pode ficar uma marquinha, uma manifestação pequena e incômoda do que realmente precisamos fazer e que não conseguiremos esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título original: Midnight in Paris&lt;br /&gt;2011 / 94 min&lt;br /&gt;Diretor: Woody Allen&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-4598284436121454856?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/4598284436121454856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=4598284436121454856&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4598284436121454856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4598284436121454856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/07/meia-noite-em-paris.html' title='Meia noite em Paris'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-gXvWmGl8GlI/ThEQwV2kJwI/AAAAAAAABik/qoxTEaoTVN8/s72-c/midnight-in-paris-poster1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2517776108069399795</id><published>2011-05-25T11:53:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:44:55.401-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beatles'/><title type='text'>Shows</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fJ-LP3sAn8E/Td0WHWrCdvI/AAAAAAAABhw/3QPW3fSYeL8/s1600/2011-05-25_11-34-26_78.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://4.bp.blogspot.com/-fJ-LP3sAn8E/Td0WHWrCdvI/AAAAAAAABhw/3QPW3fSYeL8/s400/2011-05-25_11-34-26_78.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sem assistir novos filmes num fim de semana atribulado, fechei o domingo com chave de ouro no show de Paul McCartney. Já tinha perdido o de São Paulo e não poderia deixar de ir, estando Paul no Rio de Janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para chegar pegamos o metrô até a Central do Brasil e de lá um trem direto ao Engenhão. Foi minha primeira visita à Central, meu primeiro trem carioca. Uma fila incrível nos aguardava na entrada do estádio, mas tínhamos tempo. Fui com 3 amigos que encontro de vez em quando e foi como se o tempo não houvesse passado. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi incrível! Não sei se pela excitação do evento, se por ser um show grande, pelos fanáticos – como eu – que cantavam com toda a voz e pulmão todas as músicas do começo ao fim... mesmo sem conseguir ver o palco direito, valeu cada minuto. Fiquei pensando em como deve ser difícil montar um set list com tantos sucessos de carreira, mas ele escolheu bem e como nos filmes em que não leio sinopse, aqui também não sabia a rotina do show e cada música era uma grande surpresa. Cada primeiro acorde nos levava ao delírio, já reconhecíamos quase todas assim e os gritos, xingamentos, lágrimas e abraços celebravam aquela imensa comunhão musical.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Segunda teve um show extra. O amigo que foi domingo comigo havia comprado o ingresso de segunda e me disse que eu ia me arrepender se não fosse. Na verdade, quando ele me falou que já tinha o ingresso, eu comecei a sofrer. Imaginar que poderia ver o show novamente, de repente até de mais perto, ver Paul no palco junto com os músicos... reviver chorando &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;the long and winding road&lt;/i&gt;... eu merecia isso. E fui.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Consegui ficar muito mais perto por um valor não tão absurdo graças ao desespero dos cambistas e não só me acabei em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;the long and winding road&lt;/i&gt; como fiz o mesmo em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;let it be. &lt;/i&gt;Não sei exatamente por que... acho que por estar sozinha naquele momento e sozinha por escolha, porque queria ficar na frente e outro amigo que foi comigo não era tão fanático assim... acho que acabei também ficando mais à vontade e me deixei levar nessas duas lindas músicas. Um rapaz me viu naquela alegria chorosa, me abraçou e me consolou, mas nem precisava... era um transbordamento feliz.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O Rio estava me entediando há um tempo e eu precisava de fortes emoções, fortes e boas que eu sabia que encontraria ali. As duas noites recarregaram minhas energias, eu estava tranqüila novamente e ainda reencontrei grandes amigos. São prazeres fundamentais. Era preciso viver. Foi importante.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Soube de uma lenda que Paul vem no último bimestre. Mesmo não sendo meu Beatle favorito, não posso encontrar com John, então... Eu tinha esquecido como é divertido ir a um show e encontrar tanta gente ali, feliz, vibrando com o mesmo motivo, na mesma energia, buscando o mesmo fim. Como nos entregamos naquelas 3 horas, esperando que elas nunca acabassem... Eu entendi porque Paul faz um show longo: é porque já conhecemos tanto as músicas que elas passam muito rápido... o tempo corre e nos perdemos. Quando olhava no relógio, me assustava como já estava perto do fim e todos ainda estavam gritando e vivendo, rindo, pulando. Valeu cada centavo. Agora é esperar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2517776108069399795?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2517776108069399795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2517776108069399795&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2517776108069399795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2517776108069399795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/05/o-show.html' title='Shows'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fJ-LP3sAn8E/Td0WHWrCdvI/AAAAAAAABhw/3QPW3fSYeL8/s72-c/2011-05-25_11-34-26_78.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3168603818543764799</id><published>2011-05-17T11:34:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:44:35.860-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Rabbit Hole</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-lwCoJBmLVag/TdKGDtZ50PI/AAAAAAAABhs/GA12Pwli5MU/s1600/rabbit+hole.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-lwCoJBmLVag/TdKGDtZ50PI/AAAAAAAABhs/GA12Pwli5MU/s640/rabbit+hole.jpg" width="428" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se Tarkovski diz &lt;i&gt;em certo sentido, o passado é muito mais real, ou de qualquer forma, mais estável, mais resistente que o presente, o qual desliza e se esvai como areia entre os dedos, adquirindo peso material somente através da recordação&lt;/i&gt;, é justamente deste peso e de como lidar com a recordação que trata &lt;i&gt;Rabbit Hole&lt;/i&gt; ou ridiculamente em português &lt;i&gt;Reencontrando a Felicidade&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Becca (Nicole Kidman) e Howie (Aaron Eckhart) formam um casal que perdeu há oito meses o filho de poucos anos num acidente. Eles, ao contrário de estar reencontrando a felicidade – como assim definiu o título em português alguém que não entendeu o filme – buscam apenas conseguir conviver com a realidade, com o presente, lidando com um passado ao mesmo tempo feliz e triste.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Enquanto o pai tenta se apegar às recordações tentando reviver momentos com o filho em filmes gravados no celular, reclama da ausência de fotos na casa e vai à terapia de grupo na esperança de se reerguer, a mãe prefere transformar o presente, arrumando a casa, guardando e doando o que não vai mais ter uso, como as roupas e brinquedos do filho. O interessante é perceber que o tratamento da perda aqui é individual. Apesar de todos viverem uma dor compartilhada, as manifestações são particulares e é esse o ponto forte do filme. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Rabbit Hole&lt;/i&gt; refere-se aos buracos de coelho, parte de uma teoria sobre universos paralelos em que através deles conseguimos atravessar deste para outros universos onde seria possível viver versões de nós. Daí&amp;nbsp; vem a própria construção do poster, onde vemos frações de uma mesma pessoa. A explicação quem nos dá é um adolescente que está criando uma história em quadrinhos com esse tema. Becca o encontra e começa a ler um livro sobre o assunto. Para ela, é interessante pensar que em algum lugar, ainda que em outro universo, ela está se divertindo. Sem falar que a expressão rabbit hole nos remete a outras obras que se valem desta teoria, onde os mais óbvios são &lt;i&gt;Alice no País das Maravilhas,&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Matrix &lt;/i&gt;e&lt;i&gt; &lt;/i&gt;um pouco mais distante,&lt;i&gt; A Origem&lt;/i&gt;. A teoria dos universos paralelos sempre esteve nos filmes, enriquecendo e tornando mais complexas as tramas. Especialmente em filmes de ficção científica. Mas aqui, funciona como um caminho para se pensar alternativas. Não tanto em relação à dor, mas como uma forma de olhar diferente o que se está vivendo, tornar suportável. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com toda a carga trágica do filme, este não é um melodrama. A postura dos atores, a forma como foram dirigidos deixa claro que o objetivo é muito mais a sinceridade do que a pungência.&amp;nbsp; Este resultado é fruto da construção dos personagens e a de Nicole Kidman merece atenção. Ela nos prende com o menor dos movimentos, acreditamos nela apenas com o olhar, com uma frase, num personagem complexo e fantástico. Ao mesmo tempo, vemos um Aaron Eckhart crescendo. Ele ainda não tem a presença de um protagonista, mas seu desenvolvimento é notável, especialmente quando nos lembramos dele como o Duas Caras de &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2008/07/batman.html"&gt;Batman &lt;/a&gt;e agora nesse drama quase real. Há ainda personagens secundários, alguns descartáveis e outros marcantes como o de Dianne Wiest, que faz a mãe de Becca, uma mulher que também sofreu perdas e ajuda a filha dentro do limite que lhe foi imposto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As construções de contexto também se tornam elementos chave. A fotografia mantém uma aura de passado, especialmente na residência do casal. Tons monocromáticos em gradações distintas, de figurino e iluminação, a fotografia em si, com um filtro de textura quase palpável e enquadramentos nos olhares, focos nas expressões e momentos de silêncio são a chave. Filmes silenciosos devem ser difíceis de fazer. Construir a cena na expressão e nos enquadramentos exige não só preparo, mas refinamento dos atores e do diretor. Talvez aqui tenha sido menos difícil ao se tratar de uma adaptação de uma peça e, já tendo sido montada, ficou mais fácil perceber os momentos onde – e aí vai um clichê – menos é mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não é um filme leve. É um filme que fala sobre perda de alguém fundamental. Ao mesmo tempo, é um filme real, possível. O que vemos na tela é muito parecido com o que vivemos em algum momento e isso é doído, mas, ao mesmo tempo, conseguimos ultrapassar os apertos e perceber que não é só disso que trata o filme, mas de amor e de relacionamentos. Numa sessão cheia, conseguimos ainda gargalhar e se solidarizar, em conjunto, com o que víamos na tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trailer &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nypzdbob3sk"&gt;aqui. &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3168603818543764799?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3168603818543764799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3168603818543764799&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3168603818543764799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3168603818543764799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/05/rabbit-hole.html' title='Rabbit Hole'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-lwCoJBmLVag/TdKGDtZ50PI/AAAAAAAABhs/GA12Pwli5MU/s72-c/rabbit+hole.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5978830845748423204</id><published>2011-05-05T09:55:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:43:43.988-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hq'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Duelo de Titãs</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Vejo agora o que eu teria que me tornar para deter homens como ele.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Batman&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No fim de semana passado, Osama morreu. Talvez por ter perdido algumas noites numa gripe sem fim, quando soube da notícia na segunda de manhã, acho que não reagi da forma adequada. As notícias sobre o Casamento Real finalmente haviam saído da mídia e agora festejos como o Ano Novo apareciam na TV. Os americanos foram às ruas na noite de domingo festejar histéricos o fim de uma era. Passou. Agora as notícias que correm são radiais. Elas partem deste foco &lt;i&gt;Obama matou Osama &lt;/i&gt;para porque, o que, quando, como, onde, cadê.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O Coringa do último &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2008/07/batman.html"&gt;Batman&lt;/a&gt; é o melhor vilão já criado no cinema. Ele representa loucura, com uma insanidade quase lógica. O Coringa não tem planos, desorganiza o crime dos outros com um ideal: matar Batman. Ele não tem medo, não tem religião, não tem amigos. Durante o filme, ele procura justificar para cada vítima a razão para aquele sorriso de cicatriz; a marca indelével de seu caráter estampada na face: mesmo morto, ele estará rindo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não há ninguém mais assustador do que esse vilão, simplesmente por conta do riso. Não há nada mais assustador do que a perversidade, a loucura consentida, o escárnio consciente, a ausência de medo. O sorriso de que derivam gargalhadas pode se transformar no terror mais brutal.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entendendo que o objetivo de Batman não é matar o Coringa, mas livrar Gotham City dos criminosos, começamos a nos perguntar, como os cidadãos de Gotham, por que isso estava demorando tanto. Batman havia perdido a credibilidade e já queriam bani-lo, estava causando muitos estragos na cidade, deixando inocentes morrerem. Enquanto isso, o Coringa atacava, espalhando medo, informando a todos seu objetivo e esperando um retorno da sociedade. Os vilões são sempre simples, porque são leais aos seus objetivos e não medem esforços para cumpri-los.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Após os ataques terroristas do Coringa, Batman não pôde mais ficar quieto. Ele nem queria se meter nessa briga, ia deixar para o procurador da justiça, mas o estrago já estava feito: ele estava no meio do tiroteio e tinha que contra atacar. Como todo terrorista – porque hoje em dia sabemos absolutamente tudo sobre eles – seus ataques inesperados eram o toque de gênio. Gotham estava em pânico.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em uma cena, Batman, já em desespero encontra um dos bandidos que contratou o Coringa e pergunta onde aquele está e a resposta é:&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; Ninguém vai lhe dizer nada. Eles sabem qual é a sua. Você segue as regras. O Coringa não segue regra alguma. Ninguém vai traí-lo por você. Se quer pegá-lo, só tem uma saída. Mas você já sabe qual. É só tirar a máscara que ele irá até você. Ou deixe mais pessoas morrerem enquanto se decide.&lt;/i&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;Sabemos o que foi necessário aqui, governos que entraram e saíram, pedidos de apoio negados, rios de dinheiro, invasões, assassinatos. Todas as regras foram quebradas paulatinamente, com uma sobrancelha levantada em ar de desafio esperando um impedimento que nunca chegou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme segue e um ou dois minutos depois, Harvey Dent, o procurador da justiça (e do bem, aparentemente) encontra-se com Batman. Ambos atrás do Coringa. E Batman diz:&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; Você é o símbolo de esperança que eu nunca poderei ser. Sua luta contra o crime organizado é o primeiro raio de luz legítimo em Gotham há décadas.&lt;/i&gt; E numa discussão, Batman entrega Gotham a Harvey.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As analogias de um filme de super-herói com a vida real são tão gritantes, que só a descrição das cenas já revela mais do que qualquer discurso presidencial. Fica meio confuso definir quem é mocinho e bandido e isso também é legal no filme, porque Batman é o Cavaleiro das Trevas, um herói sombrio, politicamente incorreto, não um raio de sol e proteção, como o Super Homem. Aliás, falando em Super Homem, a última notícia é de que abandonaria os Estados Unidos, porque lá o pessoal estava acreditando que ele era de domínio norte-americano, quando o objetivo primeiro do Super Homem é salvar toda a humanidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Além disso, outras questões nos deixam de orelha em pé. O &lt;a href="http://www.economist.com/blogs/democracyinamerica/2011/05/targeted_killing&amp;amp;fsrc=nwl"&gt;artigo do Economist&lt;/a&gt; que trata da ética no assassinato de Osama, de como isso foi aceito ou não mal recebido por países que antes condenavam esse tipo de operação é um deles. Ainda no livro de Ali Kamel, Bush havia solicitado apoio a estes países e todos se mantiveram incólumes numa política de não estão me incomodando, então deixa quieto. O artigo é bem feliz quando traz uma dúvida sincera: o que era de fato fundamental? Era fundamental matar Osama? Se fosse capturado vivo, seria melhor ou pior? A morte de terroristas – assumindo que quem os classifica são os EU&lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;A &lt;/span&gt;– é a solução final? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E, como toda a indústria do entretenimento, já temos livros e filmes em produção sobre a morte do Osama, a tropa de elite que o matou, provavelmente um perfil de cada presidente envolvido e o que mais possa corroborar a situação de forma que todos possam aceitar sem engasgos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se o irmão mais velho domina a quadra da escola, quem vai brigar com ele quando ele não quiser ninguém lá dentro? Num mundo de tanta diversidade e apatia política, não temos pais para dizer o que é certo e errado, se nem órgãos internacionais se manifestam. Acabaremos todos cedendo aos caprichos do mais forte para não apanharmos ou sermos colocados de castigo. É esta a democracia de que tanto se fala por aí?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Todos se esconderam sob a capa da hipocrisia. Como o Comissário Gordon permitiria o Batman matar o Coringa, aqui ninguém manifestou repúdio ou, pelo menos, alguma estranheza nos festejos em torno de um assassinato. Há, inclusive, justificativas cordiais para tanta alegria, outro fato assustador do momento. Nem se ouve falar em direitos humanos, ONU ou qualquer coisa do gênero. Que fique claro: o objetivo não é defender, proteger, salvaguardar a honra do terrorista, mas se fazer entender que matá-lo não transforma ninguém em herói. Ainda que acabem por transformar o bandido em mártir.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se Batman usa a mesma moeda que o Coringa – que consegue até transformar o correto procurador no Duas Caras – quem vai nos salvar ou, mais importante: de quem seremos salvos? E se outro dia aparecer um Coringa mais louco? Os países que se oporiam continuarão na política de vendar os olhos? Ou será que tudo vai terminar como os filmes de Jason em que nos preocupamos em saber onde está a cabeça do serial killer para provar que ele morreu? Enquanto todos se ocupam com perguntas de esquiva, perde-se o motivo do crime, ou melhor, da legítima defesa, justiça, paz e igualdade porque tanto prezam os super-heróis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5978830845748423204?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5978830845748423204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5978830845748423204&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5978830845748423204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5978830845748423204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/05/duelo-de-titas.html' title='Duelo de Titãs'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-7728556841331975951</id><published>2011-05-02T17:04:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:43:01.002-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clássico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kubrick'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Stanley Kubrick</title><content type='html'>Enquanto um bom filme não aparece por aqui, vale relembrar de Stanley Kubrick nesse vídeo divertido e não falar nada mais. Quem fez foi &lt;span class="ft4" id="AC_fonte"&gt;Martin Woutisseth, o dono desse blog: &lt;a href="http://www.finestblackdesign.blogspot.com/"&gt;www.finestblackdesign.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe frameborder="0" height="225" src="http://player.vimeo.com/video/23030893?title=0&amp;amp;byline=0&amp;amp;portrait=0" width="400"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/23030893"&gt;Stanley Kubrick - a filmography -&lt;/a&gt; from &lt;a href="http://vimeo.com/user6811251"&gt;mwoutisseth&lt;/a&gt; on &lt;a href="http://vimeo.com/"&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-7728556841331975951?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/7728556841331975951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=7728556841331975951&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7728556841331975951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7728556841331975951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/05/stabley-kubrick.html' title='Stanley Kubrick'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5672081814846240141</id><published>2011-04-26T12:59:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:42:33.016-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Canadá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Incêndios</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Dfw9AGlNUIQ/TbbaGsI28qI/AAAAAAAABgU/MhcvK2AUlXA/s1600/incendies-ver2-xlg.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-Dfw9AGlNUIQ/TbbaGsI28qI/AAAAAAAABgU/MhcvK2AUlXA/s400/incendies-ver2-xlg.jpg" width="293" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os primeiros cinco minutos de um filme costumam ser os mais importantes. São eles que prendem o espectador no cinema, selando o pacto da ilusão e, ainda que não garantam sua estadia até o fim da história, conseguem intrigar quem a assiste. Assim faz o diretor Denis Villeneuve em &lt;i&gt;Incêndios&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao contrário do que costumo escrever aqui, a história não é simples. A primeira seqüência nos deixa em alerta: uma música pesada, forte e alta do Radiohead acontece enquanto vemos longos planos – agora não me recordo se é um plano-seqüência ou tem alguns cortes, mas a cena é lenta – de um garoto tendo sua cabeça raspada numa espécie de reformatório. A criança olha para a câmera e percebemos que, no mínimo, tem alguma coisa errada com ela. Mas não, esse não é um típico filme de terror.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A secretária de um tabelião morre e deixa de herança para o casal de filhos gêmeos duas cartas. O tabelião é responsável por ler o testamento da mãe, que inaugura uma aventura no melhor estilo Joseph Campbell: a menina vai à busca do pai que acreditava estar morto enquanto seu irmão deve encontrar um terceiro filho de sua mãe, que eles desconheciam a existência. O objetivo de cada jornada é entregar uma carta e assim ela descansará em paz, com um enterro digno e terá cumprido suas promessas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Logo de cara percebemos que os gêmeos Simon e Jeanne Marwan não tinham uma relação muito feliz com a mãe, Narwan. Simon admite que agora terá paz e não procurará ninguém; quer enterrar a mãe da forma correta, enquanto Jeanne, professora assistente de matemática pura numa universidade, para resolver esta equação complexa e querendo satisfazer este último desejo, investe na busca por seu pai. Assim, encontra o passaporte da mãe, uma foto com dizeres árabes numa parede e um crucifixo. Embarca para o Líbano.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aqui quase nada sabemos. Em algum momento durante o filme há a referência ao Líbano, mas é muito sutil, dando a impressão de que para o diretor não importava identificar um país no Oriente Médio já que os conflitos ali são disseminados. Essa situação embaralhada me deu agonia e senti falta de um embasamento mais forte do que a escola me ensinou sobre Oriente Médio, religiões e conflitos. Não entendia, por exemplo porque Narwan sendo católica em alguns momentos tinha que esconder seu crucifixo, mas em outro, exibí-lo foi suficiente para salvá-la. Não compreendia a frente de luta católica num país mulçumano que, pelo que vemos na TV, tem embates rotineiros com os judeus. Resolvi acabar com a ignorância e parti pra outra aventura, após o filme: o livro de Ali Kamel – &lt;i&gt;Sobre o Islã&lt;/i&gt; – e não só não consigo largá-lo um minuto, como descobri uma parte imensa da história que eu desconhecia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Investigando também na internet, consegui entender as referências que corroboram ser o Líbano, pano de fundo do filme. Quando Jeanne visita o país em busca do passado da mãe, lhe dizem que para conhecer a região, há que visitar o sul. Foi justamente lá que eclodiu a guerra nos anos 80 onde mulçumanos, judeus e cristãos se envolveram em conflitos sangrentos que deixaram de saldo vítimas nas três religiões. É aqui que justifica como a religião poderia proteger e boicotar as defesas de nossa protagonista. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Incêndios&lt;/i&gt; é título e referência óbvia para o que se passa no filme. Durante os flashbacks que contam a história, vemos massacres dos conflitos em cenários destruídos por uma guerra que não acabou. Essa idéia chega ao presente com as ruínas que Jeanne visita; ela busca redescobrir a mãe a partir do encontro de um pai que nunca soube ter.&amp;nbsp; Em um determinado ponto do filme, depois de ver os desdobramentos de Narwan numa tragédia clássica, fiquei me perguntando se aquela cronologia era possível; se era possível &amp;nbsp;viver tanto, tanto sofrimento, em uma vida só. Destrinchando: uma mulher grávida vê o namorado ser assassinado por seu irmão, tem o filho, é obrigada a abandoná-lo, se muda para a capital. Quando a guerra explode, foge da família e vai a busca do filho, se envolve na luta para assassinar um opositor importante do governo, é presa por 15 anos, torturada, estuprada e consegue, de alguma forma, parar no Canadá.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os gêmeos, que nada sabiam deste passado e vão descobrindo com a mesma distância que o espectador – por isso o melodrama não acontece – percebem que a mãe fria que eles conheciam era só uma fração da mulher que ela foi; um resquício de passado resumido numa vida pacata no Canadá. Simon, a pedido da irmã a encontra e passa a fazer parte da história, vendo também ele, como e o que tornou sua mãe a que ele conheceu. A relação destes irmãos agora perdidos, numa jornada que os confunde no coração onde também fica difícil se reconhecer, é um pouco a sensação que o espectador tem até o clímax, quando as soluções são encontradas e o final se torna mais impactante do que os incêndios na tela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme segue cheio de detalhes que enriquecem a trama. É longo e isso também é notado a cada desdobramento. Ficamos nos perguntando, ali sentados o quanto conseguimos agüentar assistir, com tanta tensão; funciona como aqueles jogos de estratégia em que, vencendo uma etapa outro desafio mais complicado se abre para nós. Ainda na referência da matemática: o professor titular com quem trabalha Jeanne dá a dica, dizendo que não adianta; vocês vão se cansar, ficar frustrados, sozinhos e a equação vai trazer uma resposta ainda mais complexa. No caso deste filme, outro nó para os personagens, uma nova tragédia na tela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bresson diz em uma de suas &lt;i&gt;Notas&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;: &lt;i&gt;sua imaginação vai mirar menos os eventos que os sentimentos querendo esses últimos os mais &lt;/i&gt;documentais&lt;i&gt; possíveis.&lt;/i&gt; Essa relação de importância com o sentimento é o que move o filme; a transformação dos personagens; o crescimento do irmão oculto, os gêmeos frente à descobertas, o final. O foco nunca esteve nos eventos por trás da história, nos incêndios literais, mas naqueles que ocorriam internamente em cada envolvido. Talvez por isso não conquistou o Oscar de filme estrangeiro, por não ser um filme de vencedores e vencidos; dentro um contexto real em que os EUA estão presentes e sequer aparecem de relance na tela dentro de uma história que poderia ser explicitamente política e buscou o foco numa dinâmica familiar. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há tanto para se dizer deste filme, que terminar por aqui incomoda. Ao mesmo tempo, seria preciso falar do contexto e não da trama, dos atores incríveis, do personagem ambíguo do tabelião – Remy, de &lt;i&gt;Invasões Bárbaras&lt;/i&gt; – do terceiro filho e de como sua história cresce; da trilha sonora que pontua momentos com músicas atuais e que colaboram para o desenvolvimento do filme no presente; de como a montagem segue lenta, mas nunca entediante; fazendo com que nós descubramos a história a partir dos relatos dados aos gêmeos – e enriquecidos com as cenas em paralelo da mãe naquele presente já antigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Encontrar uma realidade como Ali Kamel cita, parecida com a que vivem as pessoas nas favelas controladas pelo tráfico, só que no Líbano com o Hezbollah, &lt;i&gt;o morador não concorda com os traficantes, odeia o que eles fazem, mas se submete, com medo de ser morto.&lt;/i&gt; Por fim, fica a curiosidade de saber o que quase passou despercebido; como foi sua ida ao Canadá? Como vive a comunidade mulçumana lá e como funciona essa rede de comunicação e esses poderes extraterritoriais e além-governo? Talvez esta resposta esteja no olhar enigmático do tabelião, que guarda o mistério e espera que ele se descortine, ao invés de nos mostrá-lo de graça, o que transformaria essa história num conto previsível.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;*BRESSON, Robert. Notas sobre o cinematógrafo. Ed. Iluminuras, São Paulo. 2005.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5672081814846240141?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5672081814846240141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5672081814846240141&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5672081814846240141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5672081814846240141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/04/incendios.html' title='Incêndios'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Dfw9AGlNUIQ/TbbaGsI28qI/AAAAAAAABgU/MhcvK2AUlXA/s72-c/incendies-ver2-xlg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8014234628183192320</id><published>2011-04-17T15:18:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:41:00.052-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Janela para ouvir</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Outro dia, saindo mais cedo do trabalho, entrei no ônibus do metrô. Algumas paradas depois e eu sentada na penúltima fileira, seguia distraída lendo um livro sobre o universo dos surdos, quando o senhor que estava do meu lado se levanta bruscamente e cede lugar a outro senhor, cego. O toco com a mão e ofereço o braço para que se apóie enquanto senta. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Este senhor é um pai de uma família de cegos: mulher e dois filhos. Não me lembro se ele me contou como conheceu sua mulher e nem como chegamos a esse ponto da conversa, recordo que ele frisou que a família era como ele. Acho que tudo começou com um ‘que horas são’. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em uma cena de &lt;i&gt;Amélie Poulain&lt;/i&gt;, quando ela decide se tornar a heroína de sua própria história e livrar o mundo de forma divertida dos injustos, ajuda um senhor cego a atravessar a rua e vai lhe narrando tudo o que acontece à sua volta. De forma rápida, imagino eu, as imagens iam se construindo no pensamento daquele homem, dando um ar de novo aos sons que ele ouvia por hábito. Com o meu vizinho de ônibus tive que abandonar a história de quem não ouve para aprender a de quem não vê.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu só havia conhecido um cego em toda a minha vida. Era um massagista, colega de trabalho de minha mãe, fisioterapeuta. Eles trabalhavam anos juntos quando eu era adolescente e sempre que eu ia à clínica de meus pais ele estava ocupado. Tinha lista de espera. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O cego que conheci também é massagista. Também tem fila de espera. Imagino que a privação de um dos sentidos intensifica os demais; principalmente a audição e o tato, que agora são estes de que depende mais primordialmente para &lt;i&gt;viver&lt;/i&gt;. Percebi que ele tem consciência do que o cerca, falou de brincadeira sobre o ponto final do ônibus do metrô, que insistentemente os motoristas sempre param de forma que a porta de saída fique de frente para uma árvore. Ele dizia que era de propósito, para testar sua atenção. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uma parte de mim se sentiu como uma criança ao ver alguém diferente pela primeira vez. Mesmo tendo conhecido o amigo de minha mãe, nunca estive tão perto fisicamente com alguém que me parecia tão à vontade. Ele não se portava como uma vítima, pelo contrário, me contou numa conversa tranqüila e gostosa como vivia numa casa com um terreno grande, que plantava e cuidava do quintal junto com a mulher, e minhas perguntas insistentes eu guardei pra mim. Minha vontade era de descobrir como ele &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;imagina&lt;/i&gt;, como cria imagens, se compreende o conceito de cor. Ele frisou, quando soube que eu trabalhava numa TV, que ouvia muito rádio; claro, pensei, muito mais eficaz do que a televisão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não consegui perguntar quase nada, tive vergonha. Não sei como são as reações das pessoas e não queria que minha curiosidade se transformasse num abuso, numa invasão, num desconforto. Tinha perguntas de criança, perguntas simples, diretas e sem ternura, de quem quer saber como o mundo funciona com restrições. Talvez também por isso esteja lendo sobre os surdos. Entender a forma do pensamento sem termos todos os veículos que permitem a compreensão é um desafio e é algo que me motiva profundamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então, enquanto ele falava no trânsito – que dessa vez pedi mil engarrafamentos para que demorasse um pouquinho mais – eu olhava pra fora, através da janela fechada aquele mundo todo de paisagens banais que vemos todos os dias quase do mesmo jeito e não &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;imaginamos&lt;/i&gt; como elas são importantes. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8014234628183192320?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8014234628183192320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8014234628183192320&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8014234628183192320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8014234628183192320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/04/janela-para-ouvir.html' title='Janela para ouvir'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-7457063718801406354</id><published>2011-04-16T11:00:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:40:41.359-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>Uma Manhã Gloriosa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-rEUTAmGM7Yk/TamgkbW639I/AAAAAAAABc0/qMheaMrK-Ko/s1600/morningglory_04.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-rEUTAmGM7Yk/TamgkbW639I/AAAAAAAABc0/qMheaMrK-Ko/s400/morningglory_04.jpg" width="268" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Apenas pelo cartaz, já temos uma idéia de como será o filme. Dois âncoras televisivos: Harrison Ford sério, Diane Keaton sorrindo jocosamente para ele. No meio, uma garota entre telefones e papéis com uma expressão atrapalhada no rosto. Sem nem olhar os grafismos, já dá pra ter uma noção do que vem pela frente: comédia romântica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não tão romântica se partirmos para a definição do ‘gênero’ (menino conhece menina etc, etc.. são felizes para sempre), já que a história não trata disso. Aqui uma produtora de TV perde o emprego em New Jersey e é contratada para trabalhar na mesma função em NY, ganhando menos, num programa fraco. Ela é a produtora executiva do &lt;i&gt;Daybreak&lt;/i&gt;, um programa de entretenimento matutino parecido com os que temos na televisão brasileira. Notícias, futilidades, frivolidades e, por que não, imbecilidades.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O conflito se instaura quando nossa heroína, no primeiro dia de trabalho demite o âncora galã-estúpido e precisa encontrar outro em pouquíssimo tempo. A solução está no personagem de Harrison Ford, um jornalista premiado anos atrás que, claro e como qualquer pessoa faria, recusa a oferta. Nesse embate, contratualmente ele é obrigado a fazer o programa e os problemas só aumentam. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme tem boas idéias que explora pouco: é estranho como a roteirista de &lt;i&gt;O Diabo Veste Prada&lt;/i&gt; não investiu tanto em pequenas e ótimas seqüências – a mocinha vai a NY procurar trabalho, vai procurar lugar pra morar, as cenas dela com o mocinho tinham fôlego, poderiam ser continuadas e mais embasadas... e ficamos presos nesses embates Harrison Ford x Diane Keaton, Harrison Ford x Rachel McAdams, Rachel McAdams x mundo... o roteiro enfraquece e até com todos os problemas na cabeça, você percebe que está no cinema e a ilusão vai embora. A atuação de todos é extremamente caricata – entendo que é o estilo do filme – mas ultrapassa em muito essa idéia e esvazia os personagens. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esta não é uma comédia escrachada, não é Mike Meyers ou Jim Carey, não segue por aí – mas tem cenas que até os envergonhariam porque ficam entre o escracho e o plausível e não funcionam. A própria postura de nossa protagonista, como li em uma crítica, beira o despreparo profissional; uma produtora executiva tem que ser atenta, firme, prática, objetiva. Não deveria ser a garota perdida que derruba coisas o tempo inteiro e tem uma primeira atitude firme para amolecer no que sobrou da história. Houve alguma transformação no personagem, é visível, como nos outros dois de que falamos, no final todos vão em busca do mesmo objetivo. Agora, depois disso tudo, me diga uma coisa: se você recebesse a oferta dos sonhos, diria não?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acho que este filme está perto de uma versão pobre de &lt;i&gt;Bridget Jones&lt;/i&gt; em seus momentos de ridículo na televisão. Eles tiveram muito e fizeram pouco, baseando-se na credibilidade da equipe: diretor de &lt;i&gt;Notting Hill&lt;/i&gt;, roteirista de &lt;i&gt;Diabo Veste Prada&lt;/i&gt;, o próprio elenco... e juntando tudo, ainda não funcionou bem. Em todo caso, para mim, há momentos de identificação com a transformação do personagem, a pressão do trabalho – apesar de nossas ‘produções’ serem diferentes, a mudança de endereço, mas acabam aí. O perfil é realmente diferente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É óbvio que é um filme bobo. Pelo cartaz, pelo trailer, não tem pra onde correr. Não espere demais, faça como eu: esteja estressada e cansada - porque qualquer coisa leve, boba vai ser ótima e pensar demais nesses momentos não vale mesmo a pena. Se fôssemos voltar aquela história do &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2011/03/sexo-sem-compromisso.html"&gt;Sessão da Tarde&lt;/a&gt;, esse certamente não ficaria entre os melhores.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-7457063718801406354?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/7457063718801406354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=7457063718801406354&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7457063718801406354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7457063718801406354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/04/uma-manha-gloriosa.html' title='Uma Manhã Gloriosa'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-rEUTAmGM7Yk/TamgkbW639I/AAAAAAAABc0/qMheaMrK-Ko/s72-c/morningglory_04.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8849524204331209580</id><published>2011-04-10T12:47:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:40:13.790-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chile'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='É Tudo Verdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Abuelos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-JC44N-Dqxms/TaHcfZZ50SI/AAAAAAAABcw/g35wRCudHLk/s1600/AFICHE.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-JC44N-Dqxms/TaHcfZZ50SI/AAAAAAAABcw/g35wRCudHLk/s400/AFICHE.jpg" width="314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, além de mim, há muita gente buscando em suas raízes, temas para filmes. Ou que fazem da busca um próprio filme. Como eu, essa diretora foi em busca de seus avôs, redescobrí-los, reconhecê-los e partir deles para contemplar o todo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Abuelos &lt;/i&gt;conta a história de Reno e Juan, um médico autodidata equatoriano e um ativista político chileno engajado no tempo em que isso custava a vida. Carla Valencia D’Avila é o elo; a neta destes latino-americanos com histórias incomuns e pouca convivência com eles. Mas a pergunta que alguns se fazem é: mas o que eu tenho a ver com isso? Ou: por que me interesso por isso, já que não é minha a história?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os documentários nasceram pessoais. Os Lumiére ligavam suas câmeras e registravam momentos em família, os filhos pequenos, passeios nos parques. Claro que não só isso, porque foi deles também o trem que apavorou todos no cinema e a clássica saída da fábrica. Mas desde muito cedo se registrava em filme momentos íntimos, familiares, histórias que partem de um interesse e com enfoque pessoal abrangendo muito mais. &amp;nbsp;Um professor de Cinema já me dizia que para falar sobre o correio, parta da carta. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não apenas nós, mas Sandra Kogut, João Moreira Salles, Kiko Goiffman buscaram dentro de casa, histórias para nos contar. Esse é um mote comum; sem falar dos cineastas que partem das histórias pessoais de outros para construir seus filmes e aí Eduardo Coutinho por si só me resume todo o parágrafo. As questões aqui são: todas as histórias bem contadas, ainda que pessoais, extrapolam o doméstico e é muito fácil se identificar a partir da história do outro; ainda mais se ela trata de assuntos de família.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aqui acontece o mesmo. O avô Juan foi um militante em prol do desenvolvimento do Chile, país que tanto amava. O Chile estava no período da ilusão – como vários outros países da América Latina – quando se desenvolvimento social e político prometia uma ascensão econômica, mas seu engajamento o levou a um campo de concentração quando Salvador Allende foi assassinado e a ditadura militar assumiu. Carla, nossa diretora, nunca o conheceu. Sua investida parte de histórias da vida de seu pai e tios, encontrando aquela situação política que ultrapassava fronteiras. E numa dessas, precisamente em Moscou, seu pai conheceu sua mãe, uma equatoriana um tanto diferente. Este seria, portanto, o único meio possível destas duas famílias, tão díspares se unirem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Carla conheceu Reno e só assim, pudemos perceber que seu avô seria perfeitamente um personagem de Gabriel García Márquez. Repleto de histórias fantásticas – agora reais – esse médico autodidata salvou vidas com curas milagrosas a partir de suas fórmulas de imortalidade em comprimidos. Por mais surpreendente que seja a ponto de parecer ficção,&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; é tudo verdade.&lt;/i&gt; E é essa a verdade que transcende o filme; aqui já falamos de curas alternativas, de fé, de política, de ditadura. Onde mais haveria identificação? São temas para todos partindo de um.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O filme é muito feliz em sua construção. Como aconteceu comigo, a própria diretora conta sua história, é sua a voz que ouvimos. Não havia outra maneira, acredito eu, já que a investigação também parte dela. As conexões que ela faz com as duas famílias, mantendo ainda uma separação para que não se confundam equatorianos com chilenos é importante para o espectador e chega num determinado ponto do filme que já estamos íntimos daquela história, mais uma vez, como nos livros de Gabriel García Márquez. Não só isso, há ainda a montagem que segue paralela, numa analogia entre o abundante verde da região amazônica, com suas matas densas e rios caudalosos e a secura do deserto chileno; um mar de areia para ressaltar o vazio daquele que ela não conheceu. Também, a violência de um fim com a suavidade daquele que se dizia imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecendo as famílias por seus nomes e relatos, nos confundimos pouco o quase nada e com o final triste – já que sabemos que os dois estão mortos – relembramos nossa própria trajetória, nossas história e famílias, como se uniram, que laços também mágicos estão presentes e quem são nossos heróis. Carla, contando sua história e buscando um passado, trouxe um pouco de cada país, um pouco de culturas mescladas, tudo de América Latina e também nos fez encontrar nossa própria família, que nos esperava em pensamento, do lado de fora da sala do cinema.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.abueloslapelicula.com/"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, o site do filme.&lt;br /&gt;E o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5Www0yCqLRo"&gt;trailer&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8849524204331209580?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8849524204331209580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8849524204331209580&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8849524204331209580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8849524204331209580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/04/abuelos.html' title='Abuelos'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-JC44N-Dqxms/TaHcfZZ50SI/AAAAAAAABcw/g35wRCudHLk/s72-c/AFICHE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-7316918386621175602</id><published>2011-04-06T23:35:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:39:28.209-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festival do Rio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clássico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='É Tudo Verdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Cavalos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/IEqccPhsqgA/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/IEqccPhsqgA&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/IEqccPhsqgA&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Investindo no É Tudo Verdade mais uma vez, consegui assistir ao debate sobre o mercado internacional de cinema documentário. O interessante foi, além de saber um pouco do financiamento para co-produções Brasil-França, ouvir sobre &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo&lt;/i&gt;. Este foi o filme do Festival do Rio 2010 que ganhou meu coração, minha alma e tudo mais que podia existir em mim naquela tarde no Odeon. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Viajo&lt;/i&gt; é um filme de estrada, de saudade, de nordeste. É uma fotografia do Brasil de dentro. Você sente a película vibrando com os batimentos dos corações de quem a produziu e toda a beleza do filme está na simplicidade, numa história linda que tem tudo de real e fantasia. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A produtora do filme, Daniela Capelatto, estava na mesa. Ela nos contou que &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Viajo&lt;/i&gt;, foi o filme brasileiro que mais percorreu o mundo ano passado. Ele foi pra diversos festivais e concorreu como Ficção e Documentário, ganhando prêmios nas duas categorias. Como pode isso? A questão não está na categoria que assinalamos nas fichas de inscrição, mas no que diz o filme. A câmera de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Viajo&lt;/i&gt; adentra o Brasil verdadeiro, encontra não-atores, realidades, rotinas, vidas &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;reais&lt;/i&gt; ou, pelo menos, vidas &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;possíveis&lt;/i&gt;. Ainda que o fio da meada seja uma história inventada, o entorno é muito mais documental do que fantasioso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A categorização livre ou abrangente insere possibilidades infinitas de criação. Nada disso é novidade nas entrelinhas, se pensarmos em muitos outros docs que se valem da reconstituição ou até os mocumentários*, sobre assuntos criados, realidades inventadas. Recordo imediatamente do filme de Renato Gaiarsa, do último post. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O filme que fiz para não esquecer&lt;/i&gt; é uma história real, que parece sempre se dar no presente, porque trata de uma ausência, da separação de um casal quando nitidamente os percebemos e sentimos na tela. A forma poética que o autor escolheu o permite se desvencilhar também de rótulos; ele pode sugerir uma ficção tanto quanto um documentário. O mesmo vale para &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/search/label/Curta%3A%20No%20tempo%20de%20meu%20av%C3%B4..."&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;meu avô&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, se investirmos no assunto. Eu poderia ter criado um avô e, ainda que não seja este o caso, utilizei imagens reais de outros grandes personagens da História para o representarem, também aqui, ilusão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Os Cavalos de Goethe&lt;/i&gt; não passam despercebidos. Artur Omar abriu a sessão, apresentou seu filme e nos deixou à distensão do tempo. Seus cavalos e homens se tornaram pinturas, retratos vivos do presente que se descortina na tela. O que vemos é uma produção sem definição – ou joguemos o quase finado termo ‘videoarte’ – onde, a partir de um evento real faz se a desconstrução e nos permite outro olhar; força-nos a enxergar diferente, sentir diferente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao tempo que é incômoda a lentidão das imagens, não conseguimos fechar os olhos. Eu já vi alguns trabalhos deste artista e já o estudei um pouco na faculdade, então fui preparada. Imagino que a primeira vez com esse filme pode ser impactante. Alguns saíram da sala. Cavalos e homens montados num jogo no Afeganistão. Uma platéia assiste. Nós assistimos a platéia que assiste e ao espetáculo dentro do filme. Os efeitos visuais nos atraem quase com morbidez. Não conseguimos não ver. Também lembrei de Eadweard Muybridge lá no século XIX – antes do cinema ter nascido oficialmente – que usou o cinematógrafo para registrar justamente o movimento dos cavalos, das articulações, dos músculos num hipódromo. Esse registro era puramente científico. Com Artur Omar, estávamos quase frame a frame. Lembra um pouco as pinturas de Caravaggio, com a profundidade da fotografia, seus tons, os contrastes de luz e sombra agora num ambiente com luz natural. E as interrupções de ritmo com frases encadeadas para associarmos, a música irregular, solavancos de áudio e visual, sempre um exercício de apreensão e vislumbre.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Também aqui não podemos rotular. O que é isso, uma instalação? Talvez ficasse melhor numa sala escura sem cadeiras, numa exposição. Mas aí ninguém veria o trabalho completo, mas frações. Uma ficção? Ele certamente &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;manipulou e subverteu a imagem. &lt;/i&gt;Um documentário? Estamos tratando de fatos reais com pessoas reais e tema real. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Diante de tantas questões, o que menos importa é a resposta. A grande chave dos filmes está na &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;verdade&lt;/i&gt; que imprimem em nós. E todos os filmes citados são felizes nisso.&amp;nbsp; Conseguimos adentrar em seu universo, nos deixar levar pelo que vemos, ainda que as sensações sejam diferentes em cada obra. Estes filmes estão bem alicerçados em seus sistemas de coerência e são híbridos, ultrapassam as barreiras da taxonomia e podem seguir livres, cativando e se deixando consumir por quem os aprecie.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;*&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; Mocumentary ou pseudocumentário é o 'gênero' de filmes com estética documental, mas que tratam de temas fictícios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-7316918386621175602?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/7316918386621175602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=7316918386621175602&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7316918386621175602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7316918386621175602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/04/12.html' title='Cavalos'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-4320807162714970798</id><published>2011-04-04T23:03:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:38:39.273-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='É Tudo Verdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>O Filme que fiz para não Esquecer</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3xh0ajxaPrk/TZp4H997-nI/AAAAAAAABcs/a9upxLlsUQs/s1600/gaiarsa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="207" src="http://1.bp.blogspot.com/-3xh0ajxaPrk/TZp4H997-nI/AAAAAAAABcs/a9upxLlsUQs/s400/gaiarsa.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em 2008 participei de uma oficina de Cinema de Arquivo que fazia parte do Recine – Festival Internacional de Cinema de Arquivo. Neste projeto nasceu &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/search/label/Curta%3A%20No%20tempo%20de%20meu%20av%C3%B4..."&gt;No tempo de meu avô&lt;/a&gt;, que rendeu a nós dois o prêmio de melhor roteiro. Acho que ele não chega nem a três minutos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A duração de um filme não diz muito sobre ele. Bom é aquele que perdura em nossa mente e nos faz revivê-lo, reconstruí-lo, criar uma seqüência para uma história que acabou ali, assim que os créditos passaram e as luzes foram acesas. Ontem, antes do filme dinamarquês, vi uma sessão de curta-metragens brasileiros da mostra competitiva. Entre eles estava &lt;i&gt;O Filme que fiz para não Esquecer.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Terminado há pouco tempo, esse foi até agora o mais bonito e sensível que vi no Festival. Durante a mesma sessão encontrei com &lt;i&gt;Coutinho Reporter&lt;/i&gt;, um filme que não recordo o nome sobre um poeta – um pouco repetitivo – e &lt;i&gt;São Silvestre&lt;/i&gt;. Dos quatro três são bem bacanas, mas devo meu coração ao filme deste baiano radicado em São Paulo.&lt;i&gt; São Silvestre&lt;/i&gt; é um filme muito bonito sobre a corrida anual em São Paulo, quando a Avenida Paulista recebe corredores do mundo inteiro para lhe cruzar o caminho. É um filme em que o coração aperta, dá vontade de ser corredor para fazer parte daquele grupo de pessoas que lutam o ano inteiro para estar ali, driblando os problemas e mantendo a disciplina. São 15km, não é brincadeira. O diretor foi fundo e conseguiu fazer um filme coração.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para Coutinho teremos um capítulo à parte, é muita história para um parágrafo só. E voltamos ao filme de Renato. Conheci Renato Gaiarsa nos corredores da minha faculdade de cinema, o reencontrei numa videolocadora no século passado e hoje nossos caminhos se cruzam assim, em festivais. Estivemos juntos em Gramado e agora, de surpresa e sem contato, abro o catálogo do festival e lá está ele, com um filme surpreendente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Renato tinha uma namorada e durante uma viagem ao Uruguai descobrem que o presente muito em breve se tornará passado. O filme é sobre o fim do relacionamento, quando não havia mais como, porque, quando continuar. E de uma forma suave, com a voz da moça baixinha como uma gravação perdida no tempo e a direção do rapaz, o que era amor se transforma em saudade, um sentimento comum, conhecido de todos, ainda sentido por muitos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A construção do filme sugere um fluxo de imagens ligada pelo verbo e por nossa protagonista. Sofia passeia, atravessa os caminhos do diretor como as mocinhas dos filmes de Wong Kar-Wai. Deste, lembrei diretamente de &lt;i&gt;Amor à Flor da Pele&lt;/i&gt;, por mais díspare que soe assim, cru. Em &lt;i&gt;Amor à Flor da Pele,&lt;/i&gt; percebemos a densidade da fotografia, quase podemos tocá-la com os dedos e atravessar a tela, indo de encontro a outro casal repleto de expectativas e anseios. Aqui, a câmera íntima, participativa, sendo convocada a todo instante para um encontro que, por fim, é o último, traz a mesma percepção. E a voz doce da heroína nos mostra a saudade, o fim, um espaço compartilhado em outra cidade que agora estará vazio. Como se separar? Como se afastar dos objetos, fotos, lembranças? Como mandar embora as histórias?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Este filme traz um fim tão doce e sincero que, mesmo sabendo que não deu certo como o filme conta, dá muita vontade de dizer: voltem! Por que terminar...? Como se fizessem parte de nossa história. E na mesma sessão, o filme se tornou mais poético do que aquele sobre um poeta. Com apenas três minutos e meio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-4320807162714970798?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/4320807162714970798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=4320807162714970798&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4320807162714970798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4320807162714970798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/04/o-filme-que-fiz-para-nao-esquecer.html' title='O Filme que fiz para não Esquecer'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-3xh0ajxaPrk/TZp4H997-nI/AAAAAAAABcs/a9upxLlsUQs/s72-c/gaiarsa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6848070245454352133</id><published>2011-04-03T23:17:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:37:47.721-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rússia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='É Tudo Verdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Erotic Man*</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-lC3yLYeYdHE/TZkqPaHeRQI/AAAAAAAABco/hsGnAPuCHhc/s1600/rokhaya_adamphilp.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://2.bp.blogspot.com/-lC3yLYeYdHE/TZkqPaHeRQI/AAAAAAAABco/hsGnAPuCHhc/s400/rokhaya_adamphilp.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;À primeira vista, logo na apresentação da sessão, Amir Labaki nos introduz a Jorgen Leth, o diretor dinamarquês. Simpático, falante, assume o filme como extremamente pessoal e desinteressado da crítica e público, mas um tanto curioso para responder às futuras perguntas. Não falou muito sobre o filme, apresentou seu filho musicista e autor da trilha e vamos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpos nus. Corpos femininos nus de mulheres jovens do Brasil, Venezuela, Haiti, Filipinas, Laos... não vemos América do Norte nem Europa, um pouco de Paris, sutilmente... por mais que eu tentasse ver o filme sem a ótica clichê da exploração sexual nos países ‘subdesenvolvidos pelo colonizador’, foi quase impossível fugir disso. O filme é sensual, mas não erótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que entendo como erotismo é uma definição que se completa com o mistério. O erotismo pode estar num olhar, num sorriso e mais do que tudo, no que não se vê. É justamente o que perdemos aqui. Todo o exibicionismo dos corpos nos deixa com uma sensação de vazio ao tempo que o objetivo do erótico se constrói apenas com as questões do protagonista-diretor, mas jamais com respostas. É como uma adolescência tardia, desvendar o erotismo com poses e nus. O objetivo não seria o contrário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti com um grupo de 4 rapazes latino americanos. Saímos do filme e comentando com o venezuelano, chegamos à conclusão de ser sobre um senhor de meia idade que resolve viajar para se divertir com jovens e lindas mulheres. A forma como a câmera as invade nos quartos de hotel torna tudo ainda mais estranho. Na seleção do elenco, ele as informa de que é um filme para reviver momentos do passado, romances antigos e que, com isso, elas irão sempre a um quarto de hotel se despir e ele vai filmar. Não teremos cenas de sexo. Durante o casting, vemos uma personagem que se diz atriz e ‘engole cobras’. Por mais inusitado que seja o fato na vida real, carregá-lo dentro de um filme com uma temática bacana, mas numa forma estranha deixa tudo um pouco pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao filme achando que encontraria algo diferente. Vi um filme do diretor ano passado e me chamou atenção sua desenvoltura com a linguagem, como surpreendia a cada nova investida do produtor. &lt;i&gt;The 5 Obstructions&lt;/i&gt; é um filme incrível. Lars Von Trier impõe cada vez mais regras para fazer a mesma seqüência e Jorgen Leth consegue vencê-las com maestria. Entendi que novamente veria algo interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda nos testes de elenco, ele faz questão de informá-las que não haverá cenas de sexo. Uma mulher nua num quarto de hotel já não imprime sexo na tela? Os closes justamente nas partes 'sensuais’ do corpo não são um indício? Será essa provocação o objetivo final? Mais feliz seria o filme que vi há milênios, &lt;i&gt;Uma Relação Pornográfica&lt;/i&gt;. Aqui uma mulher e um homem se encontram após responderem a um anúncio de jornal com o objetivo de realizar suas fantasias sexuais num quarto de hotel. É um filme belíssimo, inteligente, divertido e que mostra tudo o que precisamos ver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cenas de &lt;i&gt;Erotic Man&lt;/i&gt; realmente causam impacto e ele nos informa, enquanto ator e autor em sua obra, que pretende descobrir o homem erótico e tentar transpor o erotismo na tela, mas o que vemos são corpos em camas, com um texto poético que se repete talvez tentando imprimir algum sentido de conjunto. É a expressão do que parece ser o sonho, desejo, capricho ou fantasia do diretor, num filme feito para si, como nos alertou e de fato não passa disso. Em todas as cenas em que se apresenta, apenas questiona, mas nada responde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma como a estrutura do filme é de repetição da ação, tento não trazer isso para o texto e recordo a fotografia que remete ao passado, com uma névoa, uma imagem não tão limpa como nos acostumamos a ver – aí sim, um ponto positivo – e não muito mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas cenas chamam atenção por motivos diferentes: uma rememora &lt;i&gt;Acossado&lt;/i&gt;, quando uma negra – vestida – senta-se numa cadeira e se vê observada por um homem com um palito na boca. A troca de olhares, os óculos Ray ban do homem, os closes e seu palito; a expressão final o transforma no grande personagem de Godard, Michel Poiccard. A cena número dois é mais impactante, polêmica e ainda tento entender sua razão no filme. Vemos uma cerimônia religiosa – candomblé, umbanda ou alguma parecida – em que uma de nossas protagonistas está incorporando alguma entidade e se manifestando. A cena se desenvolve, vemos o protagonista-diretor distante e vendo tudo do alto numa varanda, acompanhando o transe crescente, ela dançando, se transformando, se movimentando numa forma cada vez mais insinuante, claramente ‘fora de si’,&amp;nbsp; exibindo seu corpo numa provocação, mais uma vez, sensual. Por que esta cena? O que se buscava com isso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí desconfiada, com um ‘sei não’ estampado no rosto. Uma parte de mim se sentia perdendo tempo com essa exibição e a outra, mais condescendente dizia que serviu para pensar, ainda que a estrutura do filme não se sustente. Vemos imagens, criamos conceitos com o filme, levantamos questões, saímos com ‘mulheres bonitas’, ‘países &lt;i&gt;exóticos&lt;/i&gt;', ‘dinamarquês’, ‘belíssima fotografia’, na cabeça. Não digo que falta justificativa – porque esse não é a finalidade dos filmes – mas também não encontrei objetivo. Por fim, acho que a vaidade e o narcisismo foram além e os patrocinadores acreditaram em seu perfil de obstruções para confiar nesse novo 'sucesso'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Trailer &lt;a href="http://www.trustnordisk.com/film/2010-erotic-man"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;*Esse e outros muito melhores no &lt;a href="http://www.itsalltrue.com.br/"&gt;É Tudo Verdade 2011&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6848070245454352133?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6848070245454352133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6848070245454352133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6848070245454352133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6848070245454352133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/04/erotic-man.html' title='Erotic Man*'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-lC3yLYeYdHE/TZkqPaHeRQI/AAAAAAAABco/hsGnAPuCHhc/s72-c/rokhaya_adamphilp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-141849717758563738</id><published>2011-03-31T00:37:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:36:50.449-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>Sessão da Tarde</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ClPw1gl5jkg/TZP_YJuwuBI/AAAAAAAABcg/WD1DXjWgohw/s1600/09242010155044.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://2.bp.blogspot.com/-ClPw1gl5jkg/TZP_YJuwuBI/AAAAAAAABcg/WD1DXjWgohw/s400/09242010155044.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Acabo de voltar do cinema. Vi com uma amiga uma comédia romântica gostosa que nos deixou comentários divertidos e comparações com a vida real. Não é o melhor filme do mundo, mas também não é uma sessão da tarde, como ouvi na saída. O que me chamou a atenção foi como compreendemos tão rapidamente essa ‘sessão da tarde’ e com base nela conseguimos julgar a qualidade de um filme.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sem levar tão a fundo a discussão, definir a qualidade de um filme no cinema como ‘sessão da tarde’ pode ser mais complicado do que aparenta. Para quem chegou ao Brasil hoje, &lt;i&gt;Sessão da Tarde&lt;/i&gt; é uma faixa semanal da Globo de exibição de filmes. É naquele meio de tarde de segunda a sexta, onde estão em casa as crianças, os aposentados, pessoas enfermas ou de folga – meio sem ter o que fazer – e que assistem a um filme qualquer que esteja passando. Mas que filmes são esses?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje eu realmente não sei. Tive uma ampla cota da programação durante minha infância e adolescência e vi alguns filmes incríveis que hoje tento encontrar. &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Curtindo a vida adoidado, Clube dos 5, Gatinhas e Gatões, Esqueceram de Mim, História sem Fim, Labirinto, A Lagoa Azul, Meu Primeiro Amor, Conta Comigo, Os Goonies, Gremlins&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Ghostbusters, Os Garotos Perdidos&lt;/i&gt; são os que lembrei agora e&amp;nbsp; por quais quase todos da minha geração são aficionados. Garanto que alguns, inclusive, são melhores do que o que vi hoje. É meio nebuloso identificar os outros filmes incríveis, não me lembro agora se estavam enquadrados nesta &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Sessão&lt;/i&gt;, mas acho que sim, como &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Te pego lá fora, Três Solteirões e uma pequena dama, Querida, encolhi as crianças, Olha quem está falando, Quero ser grande, Harry e Sally&lt;/i&gt;. São também deliciosos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os filmes que me moldaram e me fizeram ser esse aglomerado de pensamentos, sentimentos e o que mais possa existir para definir uma pessoa, tinham uma comédia ingênua, boba. A adolescência era o primeiro beijo aos 14, o primeiro amasso, as amigas-irmãs, os grupinhos de escola, as brigas bobas, as piadas bobas, o rock’n roll não tão pesado, o primeiro porre. Tudo bem que minha adolescência foi um retardo da infância em grande parte, mas ainda assim tinha relação com o que acontecia nas sessões da tarde e nessa época ninguém se importava com dublagens.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acontece que nem só de bons filmes vivíamos. A &lt;i&gt;Sessão da Tarde&lt;/i&gt; conseguia ser muito trash algumas vezes, com filmes repetidos até a exaustão e que só copiavam fórmulas de sucesso anteriores. Seqüências de alguns filmes acima é o exemplo.&lt;i&gt; Esqueceram de mim&lt;/i&gt; foi até o 4 e tivemos também o impossível &lt;i&gt;De Volta a Lagoa Azul&lt;/i&gt;, só pra sentir o drama. Não dá pra aturar essas coisas e é daí talvez que venha a expressão da mocinha que saiu do meu filme hoje. Mas este também não era ruim de todo...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-mHHDZoln-vY/TZQAHAs8yCI/AAAAAAAABck/VW9rDF5CNu0/s1600/No-Strings-Attached-1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-mHHDZoln-vY/TZQAHAs8yCI/AAAAAAAABck/VW9rDF5CNu0/s320/No-Strings-Attached-1.jpg" width="214" /&gt;&lt;/a&gt;Estamos falando de&lt;i&gt; Sexo sem Compromisso&lt;/i&gt;, com Aston Kutcher e Natalie Portman. De cara, você já sabe que é uma comédia romântica. Não precisa nem ver o trailer, basta ver o cartaz. De cara, você já sabe que tudo acabará bem e que é um filme alto astral, não importa o enredo. É a mesma coisa de sempre: mocinho conhece mocinha. Os dois se separam. Tudo acaba bem. Saímos felizes e com inveja daquela ilusão toda. É sempre assim. São comédias românticas, feitas especialmente e sob medida para nos causar esse efeito. E não adianta teimar com isso: o mocinho e a mocinha são lindos. Sempre. Partindo desse princípio, podemos deixar de lado o excesso de crítica e nos entregar, como quem não quer nada, a alguma distração boba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o melhor filme dos dois atores, na verdade passa longe disso, mas também nos ocupa com bobagens positivas, &lt;i&gt;ilusões desnecessárias&lt;/i&gt; – como diria o mocinho de outra comédia romântica (essa sim, muito boa) &lt;i&gt;500 dias com ela&lt;/i&gt; – e risadas cúmplices. A verdade é: normalmente os rapazes não gostariam deste filme, as moças o acham bobo e é, de fato. Mas eu sou boba e me diverti bastante. Se fosse enquadrar na&lt;i&gt; Sessão da Tarde,&lt;/i&gt; colocaria um tanto abaixo de &lt;i&gt;Harry e Sally&lt;/i&gt;, mas ainda distante de &lt;i&gt;De Volta a Lagoa Azul&lt;/i&gt; ou, pra quem não os viu, entre a clássica comédia romântica super legal e o cúmulo da inocência num filme que perdeu a diversão e deixou apenas o tédio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-141849717758563738?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/141849717758563738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=141849717758563738&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/141849717758563738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/141849717758563738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/03/sexo-sem-compromisso.html' title='Sessão da Tarde'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ClPw1gl5jkg/TZP_YJuwuBI/AAAAAAAABcg/WD1DXjWgohw/s72-c/09242010155044.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2996125984254099693</id><published>2011-03-20T19:09:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:34:04.807-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Sem palavras</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando estava na faculdade de cinema anos atrás, estudei um pouco sobre linguagem. Numa matéria que não me lembro agora – se oficina de comunicação escrita ou semiótica – tratamos da origem da linguagem, do fim da oralidade para a escrita e me surgiu uma questão que ficou sem resposta: como é pensar sem palavras? Porque, toda vez que pensamos, frases, verbos, construções lingüísticas são feitas em nossa mente. Como Oliver Sacks diz em &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Vendo Vozes&lt;/b&gt;,&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; a fala faz parte do pensamento.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Estava no sebo aqui na frente de casa – que por sinal vai fechar as portas e me deixar tristíssima mês que vem – vendo se achava alguma coisa que me despertasse a curiosidade e meio sem querer, o cara que trabalha lá me mostrou esse &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Vendo Vozes&lt;/b&gt;. Resolvi levar e, entre a dúvida e o arrependimento por ter dito isso, fui pra casa com o livro na mão. Achei que esse poderia ser daqueles que compramos no impulso e ficam empoeirados em casa como uma proposta para um futuro improvável. No fim das contas, comecei a ler o livro e não consigo largar dele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O livro trata um pouco da história da surdez pré-lingüística e o surgimento da língua dos sinais e de sua importância. Surdez pré-lingüística foi o termo que deram para aquelas pessoas que nascem surdas, que não tiveram acesso até onde se recordam de ouvir qualquer palavra. Claro que para isso, consideramos a palavra como forma de linguagem primordial e essa é uma questão também levantada e bem lembrada de sua importância quando o autor cita a Bíblia, como um dos grandes exemplos: &lt;i&gt;no princípio era o Verbo.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que passa é durante a história da evolução da linguagem dos sinais, viu-se que o desenvolvimento humano dos surdos nesta condição era muito mais rápido do que se eles aprendessem de imediato a ler lábios, falar como fosse possível – já que não tinham parâmetro para como falar, se nunca ouviram – ou até escrever.&amp;nbsp; Mas isso ainda não respondia a minha pergunta, apenas a tornava mais densa. Eu tinha pensado nos surdos, sabia como eles se comunicavam, mas nunca havia me passado pela cabeça a possibilidade deles não pensarem como os que ouvem ou já ouviram pensam. E aí a pergunta segue viva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A leitura é extremamente acessível, como vários outros livros de Oliver Sacks, esse neurologista que trouxe aos pobres mortais conceitos, questões interessantes e normalmente restritas aos ambientes acadêmicos e profissionais. Uma das pistas que me ajudam a chegar perto da resposta que procuro é:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“A linguagem &lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;[&lt;/span&gt;de sinais] que usamos entre nós, sendo uma imagem fiel do objeto expresso, é singularmente apropriada para tornar nossas idéias acuradas e para ampliar nossa compreensão, obrigando-nos a adquirir o hábito da observação e análise constantes.”&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ou ainda&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;“Com base na linguagem da ação, De l’Epée criou uma arte metódica, simples e fácil com a qual dá a seus pupilos idéias de todo tipo e, ouso dizer, idéias mais precisas do que as que em geral se adquirem com a ajuda da audição. Quando, na infância, somos reduzidos a julgar o significado das palavras a partir das circunstâncias nas quais as ouvimos, ocorre com freqüência que apreendemos o significado apenas aproximadamente e nos satisfazemos com essa aproximação durante toda a nossa vida. É diferente no caso dos surdos ensinados por De l’Epée. Este só tem um meio de dar a eles idéias sensoriais: é analisar e fazer com que o pupilo analise junto. Assim, ele os conduz de idéias sensoriais a idéias abstratas; podemos avaliar o quanto a linguagem da ação de De l’Epée é mais vantajosa do que os sons falados por nossas governantas e preceptores.”&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esses são trechos tirados do livro de outros autores - sendo o primeiro um surdo 'pós-linguístico' e do século XIX, quando a surdez já era vista não como um impasse, mas um desafio a superar, que era descobrir uma forma de desenvolver, de dar valor e condição a estas pessoas.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entretanto, minha questão primeira não foi resolvida e ainda há outras no caminho, quando leio o livro. Acabo de falar com um amigo que teve a experiência de ensinar a surdos com um intérprete para LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Ele me disse que não havia um ‘gesto’ específico para FÍSICA, e que assim, a intérprete tinha que soletrar. Tudo bem, é uma saída, mas ela destoa um pouco das noções (ok, séc. XIX) acima, quando entendiam ser a linguagem dos sinais completa. E, pensando adiante, como se definem algumas abstrações? Como se define paz, saudade... será que há um gestual ou serão soletrados também, o que acaba se tornando necessário retornar à palavra... e voltamos à questão do ensino da mesma e o pensamento ‘sem palavra’ passa a se tornar mais difícil.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acredito que não encontrarei as respostas neste livro - nem ele se presta diretamente a esse tema, mas já traz alguns desenvolvimentos e eu ainda não passei de um terço da leitura. A partir dos surdos talvez se chegue mais perto, ou se imaginássemos aqueles idiomas de símbolos, como o Chinês, Japonês... apesar eles também escreverem conforme o alfabeto, há os símbolos que formam diretamente conceitos e não letras. Mas ainda não é o caso, já que é apenas uma convenção de conceituar através dos símbolos as palavras que entendemos. É só um ‘alfabeto’ distinto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Isso parece mais uma história sem fim, mas até o fim do livro, alguma noção deve surgir ou pelo menos, ainda mais questões. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2996125984254099693?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2996125984254099693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2996125984254099693&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2996125984254099693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2996125984254099693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/03/sem-palavras.html' title='Sem palavras'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5199240546763203325</id><published>2011-01-30T23:02:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:35:05.875-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Épico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clássico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>...E o Vento Levou</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TUYf9RXnClI/AAAAAAAABcI/qxuEU88TnpQ/s1600/imagens-de-filme-e-o-vento-levou.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TUYf9RXnClI/AAAAAAAABcI/qxuEU88TnpQ/s320/imagens-de-filme-e-o-vento-levou.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quase quatro horas. Precisamente, três horas e cinqüenta e oito minutos. E durante todo esse tempo assistimos numa boa a saga de Scarlett O’Hara, uma das personagens mais lembradas do cinema.&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;...E o Vento Levou&lt;/i&gt; é um filme que todo mundo já viu um pedaço. Na minha adolescência via trechos, porque passava na tv tarde da noite e sempre caía no sono. Um dia cismei que ia ver todo. Achei cansativo e não dei importância a um filme interminável com forte teor racista e uma história ‘nada demais’. Grande erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, domingo de sol e calor aqui no Rio, não tive coragem de enfrentar o mar congelante com a areia escaldante e lotada. Fiquei em casa e coloquei o filme. Essa menina se tornando mulher na tela, se reerguendo sobre seu próprio orgulho, enfrentando tudo com a moral da necessidade e vaidade estampadas em suas ações. Era o sul dos Estados Unidos com os brancos ricos de grandes terras, famílias tradicionais, escravidão e racismo. Chegou a Guerra da Secessão e os ianques invadiram o sul, unificando o país, transformando em passado e devastação o que era a vida cotidiana dos que moravam ali. Scarlett descobriu a fome, a pobreza, a família destruída pela guerra e com isso, nos diz: &lt;i&gt;Jamais passarei fome novamente.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, além de toda a trama épica, este é um filme de amor. Scarlett, amava além de sua terra, sua casa Tara, amava o homem que não poderia ter, que havia noivado a benevolente Melanie. Estas duas mulheres passam a maior parte da vida juntas por necessidade e tornam-se amigas. Scarlett então conhece Rhett - interpretado pelo galã Clark Gable - e, ao contrário do esperado, sente por ele um incômodo pela semelhança na falha de caráter dos dois. Enquanto Scarlett faz o que estiver a seu alcance para conquistar seus objetivos - casa-se duas vezes, manipula os que estão a seu redor - Rhett é um aventureiro galanteador que participa de qualquer negócio que lhe renda algum lucro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Os anos se passam e Scarlett, agora uma mulher poderosa, casa-se com o ‘mocinho’ da história. A moral do casal os une como as duras palavras que trocam durante todo o filme. Se Rhett é um homem apaixonado, é também capaz de dizer a Scarlett que não adianta querer o homem dos outros, que nunca será dela, senão um peso no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trama segue sempre num crescente e para mim, que não lembrava da história em detalhes, foi quase como a primeira vez. Revemos cenas emblemáticas que hoje fazem parte do imaginário coletivo cinematográfico. É aqui que está o pôr-do-sol da frase que já citei ou aquela em que ouvimos de Scarlett se reerguendo mais uma vez, &lt;i&gt;afinal, amanhã será um outro dia&lt;/i&gt;. Há sempre uma obstinação, uma certeza de que como o sol tornará a brilhar, nossa protagonista vencerá mais uma batalha. E Vivien Leigh, que era uma atriz inglesa em ascensão, com esse filme tornou-se uma das mais importantes de seu tempo. Ela vive sua personagem de tal forma que acreditamos sem pestanejar e não há um só momento de hesitação em seus atos, em sua fala, no olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme ainda dá margem para outras questões. É uma adaptação do livro homônimo, escrito por Margaret Mitchell que ganhou o Pulitzer em 1937. O que significa que é uma obra escrita por uma mulher sobre uma mulher no sul dos Estados Unidos extremamente machista, onde a opinião feminina pouco importa e o que lhes confere valor é o marido que têm e a forma como se comportam. Aqui temos uma protagonista feminina que casa 3 vezes, rompe com as boas maneiras da mesma forma que investe no que acha importante para viver e ainda sustenta a própria família custe o que custar. É a emancipação da mulher em tempos de guerra, quando a população masculina sofria baixas consideráveis e as mulheres, sozinhas, precisavam criar seus filhos e não passar fome numa terra devastada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de toda a grandiosidade da obra, há uma imensa estrutura de produção por trás. Era a época dos grandes estúdios, das grandes estrelas, que fundaram o &lt;i&gt;star system&lt;/i&gt; da Hollywood que conhecemos hoje. Este é um filme de produtor, que contratou vários diretores, roteiristas e foi criando uma equipe diversa, imensa, desde que cumprisse com suas exigências para o que ele imaginava que deveria ser o filme, além de ser mais uma experiência com o recente cinema colorido, o technicolor. Foi o produtor, David Selznick, que acompanhou toda a montagem sem a interferência  dos diretores. Tanto trabalho sob mão de ferro rendeu 8  dos 12 Oscars a que o filme foi indicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;...E o vento levou&lt;/i&gt; não deve ser visto antes de dormir. É de fato um filme longo, mas que merece atenção; são histórias dentro de uma grande história, com muitas nuances e cujos detalhes, personagens, diálogos e tramas são enriquecidos com uma trilha sonora inesquecível. É um filme grandioso e complexo, que tem que ser visto como um filme épico e de uma época e que se sustenta como só os clássicos conseguem, sem mofar com o tempo ou perder a majestade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5199240546763203325?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5199240546763203325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5199240546763203325&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5199240546763203325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5199240546763203325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/01/e-o-vento-levou.html' title='...E o Vento Levou'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TUYf9RXnClI/AAAAAAAABcI/qxuEU88TnpQ/s72-c/imagens-de-filme-e-o-vento-levou.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3393457992274386926</id><published>2011-01-01T18:35:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:35:22.678-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><title type='text'>2011</title><content type='html'>Fui pra Disney quando tinha 15 ou 14 anos. Fui com as melhores amigas num pacote turístico padrão e foi nossa primeira viagem juntas. E na Disney vimos aquele desfile com os fogos de artifício no céu. Confesso que não me disse muita coisa, porque o desfile era muito longo e chato, então o encanto foi quebrado ali mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo São João que consigo passar em família envolve fogos. Desde muito pequena essa é a nossa maior festa, com uma tradição gostosa de muita comida, música boa e estouros coloridos. Meu pai&amp;nbsp;já sofreu acidente com fogos, mas segue feliz nessa teimosia e acabamos nos juntando a ele e somos aí, crianças novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este Ano Novo passei no Rio com outros amigos. Fizemos um esquema tranqüilo, comemos bem, bebemos e quando estava pertinho de meia noite, fomos ao Aterro do Flamengo ver os fogos. Não gosto de Ano Novo. Não me sinto muito animada, rola uma nostalgia não sei de quê e é sempre um aperto no peito. Normalmente passo em família, que ameniza um pouco a situação já que nos entendemos no olhar e conhecemos nossos comportamentos e necessidades, mas morando longe tem sido cada vez mais raro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na festa desse ano, tudo seguiu nos conformes e lá no Aterro, no meio de um monte de gente desconhecida, com chuviscos de água e confetes coloridos, os fogos finalmente fizeram seu espetáculo e o tempo passou sem que eu percebesse tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio daquela multidão de roupas brancas, esperanças difusas e muita bebida, quando as maiores luzes pareciam chover sobre nós todos, como crianças nos encantávamos, nos apaixonávamos e víamos naquela pintura estridente o brilho das cores tocando nosso coração pelo olhar. Ontem eu consegui entender sentindo,&amp;nbsp;o porquê dos fogos, das luzes e cores, a importância de queimar dinheiro desta forma, tão repetida no mundo inteiro em qualquer grande celebração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que é justamente naquele momento que todos param o que estão fazendo, param de pensar e ficam bestas mesmo, olhando, admirando, se aquecendo por dentro numa celebração contínua e conjunta, ainda que sentida diferentemente por cada um. E a multidão se entusiasma a cada novo estrondo, como uma surpresa&amp;nbsp;sabida e&amp;nbsp;bem vinda, festejada como um nascimento, o renascimento da juventude, da esperança, da ingeuidade, da inocência. O ano que vem nos permite isso tudo, afinal de contas. É bem ali, naquela meia noite que somos capazes de sonhar sinceramente, sem a auto-crítica apontando na esquina. E nesse meio tempo, ainda descobrimos&amp;nbsp;na outra margem da baía de Guanabara que podíamos ver ainda mais luzes e cores, em Niterói. Esse espetáculo duplo nos manteve por 25 minutos em pé, elegendo quais eram os mais bonitos, ouvindo suspiros e, ainda que algum aperto no peito me soprasse, respirava manso dentro de mim, distraído, sereno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para casa também no meio de toda a turma da praia, num clima abafado, mas ouviam-se felizes e altos Feliz Ano Novo!, com saudações, palmas e abraços. Como uma celebração branca e baiana de Yemanjá, seguíamos todos em paz, esperando&amp;nbsp;de coração,&amp;nbsp;um ano melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3393457992274386926?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3393457992274386926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3393457992274386926&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3393457992274386926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3393457992274386926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2011/01/2011.html' title='2011'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6751206481346547038</id><published>2010-12-09T15:29:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:36:01.466-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='John Lennon'/><title type='text'>30 anos sem ele.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TQEetoaIM_I/AAAAAAAAA74/J5AOHK2jngs/s1600/Lennon-Photo3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TQEetoaIM_I/AAAAAAAAA74/J5AOHK2jngs/s400/Lennon-Photo3.jpg" width="307" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TQEeo634PKI/AAAAAAAAA70/QcBzPovk0nU/s1600/john-lennon.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="287" src="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TQEeo634PKI/AAAAAAAAA70/QcBzPovk0nU/s400/john-lennon.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TQEenisMWrI/AAAAAAAAA7w/ZfAra64Sij4/s1600/john_lennon_2411.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TQEeyLaqgZI/AAAAAAAAA78/WTm_9JYmHM8/s1600/SMG_John_Lennon_70.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TQEeyLaqgZI/AAAAAAAAA78/WTm_9JYmHM8/s400/SMG_John_Lennon_70.jpg" width="381" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6751206481346547038?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6751206481346547038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6751206481346547038&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6751206481346547038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6751206481346547038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/12/lennon.html' title='30 anos sem ele.'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TQEetoaIM_I/AAAAAAAAA74/J5AOHK2jngs/s72-c/Lennon-Photo3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8423340422415351029</id><published>2010-12-04T21:17:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:33:35.269-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><title type='text'>Fim de Férias</title><content type='html'>Fim de férias sempre traz uma mistura de saudade e tristeza, não? Uma nostalgia do pouco tempo que tivemos sem preocupações até que elas sutilmente começam a nos contaminar, por jornal, familiares... e aos poucos aquela rotina anual vai se tornando presente, ainda que você tenha alguns dias restantes de suposta tranqüilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim aconteceram minhas deliciosas férias. Fui à Argentina, tive novas e revigorantes experiências, conheci bastante gente, algumas pessoas legais que carregarei comigo, reforcei laços de amizade, aprendi mais uma vez a selecionar aqueles que me acompanham. Diverti-me bastante, visitei lugares incríveis. Mas, um belo dia, com muitos e-mails preocupados da minha família, descubro que o Rio de Janeiro entrou em guerra. Feliz por estar longe, triste pela situação e preocupada com meus amigos que vivem aqui, uma parte das minhas férias se perdeu nesse limbo e percebi que o lugar em que escolhi viver deveria perder seus apelidos e se completar com substantivos sinceros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo gostando do Rio, não tenho previsão pra sair daqui, mas sou realista. Não há como ter grandes esperanças de uma transformação radical nesta cidade, com a manutenção da força como ela é hoje constituída. E, se vimos a polícia de todos os tipos unida ao Exército para combater os traficantes do Alemão - e sentimos um orgulho da justiça nacional, uma esperança de paz e uma vontade de aniquilar os bandidos -&amp;nbsp;vamos deixar claro que os grandes chefões desta equipe fugiram em escolta policial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a proposta de combater o tráfico é permitir a vigência da força podre no poder, melhor seria deixar todos de volta, assim não haveria mais tiroteios, inocentes não teriam suas casas invadidas ou sofreriam queimaduras em ônibus, tiros acidentais, no fim do mês todos ficariam&amp;nbsp;felizes com bolsos cheios. Mas, como o objetivo final é ludibriar a população e a impressão internacional que se tem desta capital maravilhosa, vamos à Copa do Mundo e às Olimpíadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu nem ia falar sobre isso. É que acabei de ouvir uns estrondos que não são de tiros ou bombas, talvez fogos, mas aprendemos aqui a entrar em alerta quando qualquer som similar chega para nós. Tomara que estes sons não sejam de carregamento de droga no Pavão-Pavãozinho, hoje pacificado. Ou eu preciso lembrar que um dos policiais do Pavão foi flagrado assaltando banco em Niterói?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8423340422415351029?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8423340422415351029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8423340422415351029&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8423340422415351029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8423340422415351029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/12/fim-de-ferias.html' title='Fim de Férias'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8123982104045007753</id><published>2010-12-02T09:43:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:33:14.776-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vacaciones'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Piuque Huapi*</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TPeR7kboMYI/AAAAAAAAA1g/QI7nqPPyh08/s1600/4701618.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" ox="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TPeR7kboMYI/AAAAAAAAA1g/QI7nqPPyh08/s320/4701618.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Em uma época imemorável, um homem e uma mulher de diferentes tribos da Patagônia Argentina se conheceram e se apaixonaram. Como suas culturas eram diversas, a norma que imperava sobre eles era o fim do amor, com a obrigatória separação. Cada um deveria seguir seu caminho, casando-se com um de seus comuns. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Mas o amor deles era muito muito forte. Era como aquele amor de Romeu e Julieta, de almas gêmeas e talvez como estes amores pelos quais as pessoas se casam com sinceridade. Em todo caso, o amor deles era muito maior do que as convenções e regras que tinham que obedecer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Resolveram fugir. Era a única forma de viverem juntos e construírem com seu amor uma nova família,&amp;nbsp;até formando uma nova tribo baseada no amor e com ele fortalecido. Eles correram e correram e se viram diante de um lago muito profundo e frio, o lago Mascardi. Conhecedores da região, sabiam que a única forma de viverem juntos seria na outra margem, onde as duas tribos não os alcançariam. Ao mesmo tempo, a margem oposta era muito distante e o lago de águas quase polares poderia matá-los. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mais uma vez, pensaram que não poderiam viver sozinhos separados -&amp;nbsp;casados com outras pessoas que não eles e foram com o amor do mundo nas mãos dadas ao lago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais se ouviu deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram procurados em todas as terras, em todas as margens e vales. Tribos se comunicavam, as mais distintas, para saber que fim tiveram os dois jovens mais importantes que haviam em cada comunidade. Nenhuma resposta. Não havia nenhum sinal deles em lugar nenhum, nenhum corpo encontrado, nenhum corpo avistado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mesmo local onde eles haviam pulado, nasceu um mirante, de tanto as pessoas tentarem vê-los. Numa tarde de sol já sem esperanças, alguns passavam por ali e viram uma sutil movimentação na água. Aos poucos, uma ilha nascida verde submergiu das águas profundas. Alguns metros afastada, outra ilha, parecida com a primeira também se viu nascer. Aos poucos, as duas foram de encontro uma à outra e tornaram-se apenas uma, com um formato nunca antes visto, mas agora perpetuado como símbolo de amor eterno. &lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Piuque Huapi em Mapuche significa Ilha Coração. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;*Essa lenda foi contada por Mapu, um índio&amp;nbsp;Mapuche que era nosso guia em um dos passeios por Bariloche este mês.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8123982104045007753?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8123982104045007753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8123982104045007753&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8123982104045007753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8123982104045007753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/12/piuque-huapi.html' title='Piuque Huapi*'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TPeR7kboMYI/AAAAAAAAA1g/QI7nqPPyh08/s72-c/4701618.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-404337680527393751</id><published>2010-09-05T11:27:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:32:52.475-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Infantil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>O Pequeno Nicolau</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TIOjpeEwtzI/AAAAAAAAA0I/-yHM6UM8RMY/s1600/pequenoNicolau.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TIOjpeEwtzI/AAAAAAAAA0I/-yHM6UM8RMY/s320/pequenoNicolau.jpg" width="217" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Ontem eu lia um livro que em aparecia um personagem que falava da infância. A história do livro é legal, sobre um cara que vai se redescobrindo a partir de um pé na bunda recebido de uma mulher de quem ele não se lembrava. Este outro personagem falava que não gostava de crianças, mesmo sendo um escritor de livros infantis e que só gostaria daqueles que fossem seus. Ele dizia que a infância é muito séria, que as crianças são sérias e cheias de idéias sobre as coisas e o trato consigo mesmas não é tão livre quanto os adultos pensam. Dizia ele que as crianças da forma como são, dariam ótimos adultos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Fiquei pensando nisso, porque dá a impressão de que esquecemos como fomos agora que crescemos e as lembranças parecem ficar presas em caixas, que quando abrimos, vemos uma bagunça de histórias acumuladas e não dá pra ter uma idéia mais precisa de quem éramos, fica apenas uma nuvem confusa de memórias. Ao mesmo tempo, acho que com um exercício de volta ao passado, dá pra lembrar de grandes momentos,&amp;nbsp;recolher as fotos e os amigos, até pra ver se o que queríamos ser quando grandes, conseguimos realizar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A história de Nicolau inicia assim. Está na sala de aula, sua professora pede a todos que façam uma redação sobre o que querem ser quando crescerem. E ele descreve seus amigos naquele instante pelo que querem ser, enquanto ele mesmo ainda não sabe. É essa seqüência que abre &lt;i&gt;O Pequeno Nicolau,&lt;/i&gt; em cartaz nos cinemas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;De início nada sabemos,&amp;nbsp;o cartaz é uma foto divertida de alunos de uma mesma sala de aula, todos com caras sapecas e suas descrições resumidas em legendas, já dá a impressão de ser um filme&amp;nbsp;divertido. Mas esta situação transcende a imagem parada. Nicolau é este menino no centro da imagem, com cara de líder da máfia infantil que está preocupado com o que lhe vai acontecer quando seu irmãozinho nascer – ele acredita que será deixado numa floresta, esquecido para sempre. Para resolver a situação, junta seus amigos e bola um plano para fazer com que seus pais o queiram de volta. Com isso, o filme não fala apenas sobre Nicolau, mas também de seus amigos, das famílias e da escola, criando não um retrato, mas uma coleção de memórias sobre a infância.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Aqui a infância é tão séria como a que li no livro lá de cima – &lt;i&gt;Talvez uma história de amor,&lt;/i&gt; Martin Page – as questões têm fundamento, os medos são sinceros, os planos inteligentes. Há inclusive essa relação da infância com a vida adulta e as justificativas para o que eles querem ser quando crescer são tão honestas que nos trazem um sorriso no rosto: antes todos fôssemos simples assim. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da história do filme casa direitinho com o desenrolar da narrativa de Virgile, protagonista do livro,&amp;nbsp;com suas interpretações sobre sua infância de circo. É incrível como obras tão díspares conversam tão bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;i&gt;O Pequeno Nicolau&lt;/i&gt; traz cenas que nos lembram &lt;i&gt;Amélie Poulain&lt;/i&gt; pela doçura e inocência. Ao mesmo tempo, enquanto Amélie nos encanta, Nicolau e seus amigos nos fazem rolar de rir. Aqui não importa a idade neste filme infantil, já que são situações que quando não estamos vivendo, lembramos de nossa própria história ou simplesmente nos deliciamos com as mirabolantes construções infantis. Assistir a um filme cuja visão do mundo e narrativa é entregue a uma criança torna tudo mais divertido. O diretor e roteiristas merecem prêmios por isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Ainda vemos o cuidado com a construção fílmica além diálogos: a fotografia tem uma marca importante que se associa à direção de arte e figurino;&amp;nbsp;estão realçadas as cores, em especial o vermelho, os figurinos são marcados e datados, bem como a decoração das casas, o carrinho de bebê, os carros. Fica claro que não estamos nos dias de hoje, ainda que as situações sejam plausíveis para qualquer década. Sendo um filme baseado num livro dos anos 50, notamos isso claramente também na construção dos personagens adultos: a mãe dona de casa, o pai querendo crescer no trabalho e convidando o chefe para almoçar em sua casa; a&amp;nbsp;necessidade da mãe ser uma mulher moderna e sua transformação, são&amp;nbsp;emblemas de uma geração adulta que&amp;nbsp;percebia a necessidade de&amp;nbsp;uma mudança que ali era embrionária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Para nós que temos &lt;i&gt;Turma da Mônica&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;O Menino Maluquinho&lt;/i&gt;, as comparações são claras. Os planos de Cebolinha e Cascão, as artimanhas do Menino Maluquinho - este até mais parecido pela relação com a fantasia e&amp;nbsp;o personagem central ser um garoto da mesma faixa etária&amp;nbsp;- nos remetem a um mesmo universo de trapaças infantis. Mas, enquanto o Menino Maluquinho se volta mais para o público infantil, neste filme Nicolau funciona bem para todas as idades. É quase impossível não gostar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Este filme dá vontade de ter em casa, de assistir mais umas vezes, de rir muito com aquelas crianças, de entender seus problemas e, melhor do que tudo, ver que todos podem se resolver. Dá vontade de deixar esses grandes atores mirins continuarem assim para sempre e esperar muitos outros filmes que nos levem pela lembrança do que fomos e pela fantasia do que queríamos ser.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Filme: O Pequeno Nicolau&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Título Original: Le petit Nicolas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Diretor: Laurent Tirard&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;2009, França e Bélgica, 91 min.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Livro: Talvez uma história de amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Autor: Martin Page&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Ed. Rocco, 2008 - 157 páginas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-404337680527393751?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/404337680527393751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=404337680527393751&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/404337680527393751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/404337680527393751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/09/o-pequeno-nicolau.html' title='O Pequeno Nicolau'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TIOjpeEwtzI/AAAAAAAAA0I/-yHM6UM8RMY/s72-c/pequenoNicolau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-4520035673726266408</id><published>2010-09-05T00:19:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:31:36.980-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Mais do mesmo?</title><content type='html'>Essa é uma atualização obrigatória, preliminar de um texto útil a ser desenvolvido brevemente. É uma limpeza da mente, um esvaziamento do excesso de palavras e idéias meio perdidas e sempre bobas que ficam escondidas em cantos, como moedas atrás dos móveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite estava dormindo e o telefone tocou. Era Cristiano, às 03:10 da manhã. Perguntou por que eu estava acordada àquela hora, disse que viu meu telefone em sua agenda e me ligou. Até aí tudo bem. Só que eu não sabia quem era Cristiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que vou ao trabalho, passo por avenidas de praias. Acaba sendo um passeio agradável quando consigo me sentar no ônibus e por uns instantes esquecemos da rotina e até por ela, temos sorte de passar por ali quase todos os dias. A cada dia, um turbilhão diferente de palavras sobre o mar surge em minha mente, mas o tempo passa e esqueço de anotá-las. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia eu estava pensando nas cores do mar. Tem gente que diz que é azul, tem gente que diz que é verde. Eu percebi que perto da margem é verde e lá no fundo fica azul. Claro que várias teorias foram construídas em cima disso, mas a mais legal é a de que como a areia é amarelinha e teoricamente a água era pra ser azul por conta do céu, o verde não era amarelo + azul? Achei essa mais convincente e aceitei como verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha casa é um abrigo de amigos. Antes era só um espaço meio meu, mas agora posso contar os dias que ela tem só a mim. É divertido e interessante receber pessoas, mas o tempo de pensar sozinho e escrever vai diminuindo devagarzinho. Não reclamo das minhas pessoas, as convido a ficarem porque a casa é nossa, afinal de contas e são as minhas pessoas favoritas. Mas foi bom passar o dia inteiro aqui, quietinha. Matei saudades de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem alguém na rua ou no prédio da frente assoviando. Não sei porquê. Não pode ser para um cachorro, porque isso já dura bem uma meia hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-4520035673726266408?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/4520035673726266408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=4520035673726266408&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4520035673726266408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4520035673726266408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/09/mais-do-mesmo.html' title='Mais do mesmo?'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-864998944219699720</id><published>2010-07-30T00:06:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:31:23.396-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>15 anos e meio</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TFJLSCMSscI/AAAAAAAAA0A/bJ7bkN2Q8kM/s1600/15-ans-et-demi-30-04-2008-8-g.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499540868170953154" src="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TFJLSCMSscI/AAAAAAAAA0A/bJ7bkN2Q8kM/s400/15-ans-et-demi-30-04-2008-8-g.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 266px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Comemorei meus quinze anos com festa de debutante. Meio sem querer mesmo, já que quem queria era minha mãe, para realizar um antigo e em sua época impossível desejo. Foi divertido diante das circunstâncias e meus amigos daquela época ainda o são hoje. Não me lembro agora se estava apaixonada por alguém... era adolescente e talvez mais lerda do que a maioria para essas coisas do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me apaixonei e desapaixonei por alguns garotos e de todos ficaram hoje boas lembranças. A vida adolescente é intensa e, como meus pais me diziam, eu ainda ia sentir falta disso. Nunca senti tanto como hoje. Tive um dia infernal no trabalho, milhões de problemas para resolver e que me tomaram muito tempo e desgaste diante de alguma incompetência alheia. Mas todo trabalho é assim. E uma manhã cheia de atribulações domésticas que escolhi pra mim com todo o orgulho da independência de quem justamente quer sair da fase 'casa dos pais'. Mas aconteceu agora de noite um filme que me deixou com vontade de apertar &lt;i&gt;rewind&lt;/i&gt; e sentir tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;15 anos e meio&lt;/i&gt; é um filme francês que está nos cinemas. Conta a história do retorno de um pai à vida da filha depois de quinze anos, agora ela nessa idade. Como eles não conviveram juntos, os conflitos óbvios surgem e essa comédia ‘romântica’ vai nos guiando por alguns estranhos caminhos, mas cheia de boas intenções. O pai é um profissional reconhecido, mestre em seu trabalho, mas se vê como amador quando se relaciona com a filha. Ela, geniosa, mas doce e complexa, vive as situações e ainda lida com esse pai que não se adapta às suas condições. Os dois atores funcionam muito bem juntos – não precisamos nem adjetivar Daniel Auteuil, que faz qualquer personagem muito bem e Juliette Lamboley, que conheci agora – e acho que suprimiria algumas fantasias do filme, quase de comédia pastelão, mas que não foram grande sofrimento assistir. Os coadjuvantes dão uma graça a mais ao filme, especialmente os adolescentes, que são mais coerentes do que os extremos apontados nos adultos. A intenção parece ser a de mostrar que a diferença entre as idades é muito menor do que aparenta e que o que importa é muito mais a troca de experiências do que uma situação de pai que manda e ensina e filha que obedece e aprende. Acaba sendo um filme mais para meninas, mas cabe para quase qualquer público. É leve, engraçada, com situações possíveis e que nos levam para viagens incríveis no tempo. Uma boa para domingos chuvosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como toda história bem contada, essa se torna universal. É a vida adolescente x vida adulta, é a noção de família, são as descobertas das meninas e os choques dos pais, o eterno problema das gerações. E esse descompromisso adolescente, essa vida de si para si e seus amigos, essa falta de responsabilidades e obrigações e o coração batendo forte pela paixão são marcantes no filme e na vida real. Para quem está iniciando a jornada nas águas misteriosas da fase adulta, acho que só cabem as férias para rever um pouco disso. E em um mês temos que resolver todos os nossos sonhos e fingir que não temos grandes responsabilidades. No fundo, sabemos que é impossível e por isso o coração aperta quando lembramos com muita saudade de nossos tempos de escola, quando o que mais queríamos era crescer. Por isso é que filmes assim são tão fundamentais. Agora, me resta o reencontro com os amigos – coisas que só a ‘idade’ traz – e, quem sabe, reviver as histórias nas conversas de bar e cafezinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Original: 15 ans et demi&lt;br /&gt;Ano: 2008, França.&lt;br /&gt;Dir.: François Desagnat e Thomas Sorriaux.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-864998944219699720?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/864998944219699720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=864998944219699720&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/864998944219699720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/864998944219699720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/07/15-anos-e-meio.html' title='15 anos e meio'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TFJLSCMSscI/AAAAAAAAA0A/bJ7bkN2Q8kM/s72-c/15-ans-et-demi-30-04-2008-8-g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2322426231343292928</id><published>2010-07-19T00:21:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:30:29.430-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Anne Frank</title><content type='html'>&lt;i&gt;Assim, a Anne boa nunca é vista acompanhada. Ela nunca aparece, ainda que quase sempre assuma o palco quando estou sozinha. Sei exatamente como gostaria de ser, como sou... por dentro. Mas infelizmente só sou assim comigo mesma. E talvez seja por isso – não, tenho certeza de que este é o motivo – que penso em mim como uma pessoa feliz por dentro, e os outros pensam que sou feliz por fora. Sou guiada pela Anne pura, de dentro, mas por fora sou apenas uma cabrita fazendo cabriolas, forçando a corda à qual está amarrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já disse, o que falo não é o que sinto, e por isso tenho reputação de assanhada e namoradeira, de sabichona e leitora de romances de amor. A Anne jovial gargalha, dá uma resposta ferina, encolhe os ombros e finge que nem liga. A Anne quieta reage do modo oposto. Se estou sendo completamente honesta, tenho que admitir que isso me importa, que tento arduamente mudar, mas me vejo sempre diante de um inimigo mais poderoso.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anne Frank me acompanhou esses dias. De início, imaginava que sua história era outra, que de alguma forma, ela havia estado em um campo de concentração e de lá narrasse suas memórias. Claro que isso se mostrou uma ilusão até infantil, já que deveria ser proibido escrever qualquer coisa ali – até porque viver era proibido... a questão é que eu não imaginava com que força esse diário de uma adolescente durante a guerra ia me impactar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando lemos diários, participamos da vida das pessoas, do que há mais íntimo e particular nelas. Porque, na época dos diários, era de fato tudo secreto, íntimo. Hoje os diários quase não existem, deram lugar ao movimento oposto – blogs, twitters, Orkut, facebook, myspace... – onde o secreto se torna popular e a intimidade deixa de existir, como se todos tivéssemos interesse nas vidas alheias, quando elas se tornam cada vez mais banais e desinteressantes; mostrando muito mais vazio do que algo válido de conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diário de Anne é uma extensa correspondência para uma suposta amiga. Dali extraímos o dia a dia de pouco mais de oito pessoas que se forçaram a viver juntas por serem judeus em Amsterdam na Segunda Guerra. Esse livro deveria ser lido na adolescência. Porque, além de falar da óbvia guerra, fala muito mais da fase, do momento, da criação de Anne. Fala de ser menina virando mulher em outros tempos, mas escritos de uma forma universal e atemporal, a exemplo dos trechos lá de cima. Ás vezes, até pensamos quando lemos, ‘mas não muda muito, é só a rotina’. Mas é justamente nessa rotina que vemos as transformações, como o confinamento a que se submeteram na esperança de sair dali sufocava as pessoas, antes amigas, agradáveis e educadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anne Frank humaniza a guerra; a tira dos livros didáticos, dos dados, das execuções. A narrativa pessoal de um período tão visado até hoje na mídia altera nosso olhar e saímos do clichê. Parece que estamos vendo um longo filme, tentando não sofrer, pois já sabemos o final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminei o diário e ia seguir para o posfácio, dei de cara com uma frase que me chocou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; O DIÁRIO DE ANNE TERMINA AQUI. &lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E temos a continuação da tragédia coletiva onde, literalmente, só sobrou o pai para contar a história. Mas a frase, ali, centralizada após os últimos parágrafos – para mim os mais bonitos – e sem despedidas, afundou meu coração e me deixou perdida. Não acreditei quando virei a última página, não queria que isso acontecesse, não queria sair do meio da história. E logo quando Anne estava se compreendendo, quando eu estava me compreendendo... quando a identificação finalmente entrou com tudo no meu peito e na minha cabeça e eu entendi finalmente porque não conseguia deixar o livro em casa e tinha que lê-lo a caminho do trabalho. Acabou. E o sentimento de incapacidade, inutilidade... contrasta com a possibilidade de ler algo assim. Uma confusão se instaurou em mim e ainda não consegui diluir o final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2322426231343292928?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2322426231343292928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2322426231343292928&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2322426231343292928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2322426231343292928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/07/anne-frank.html' title='Anne Frank'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2388072496609729737</id><published>2010-07-14T11:31:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:30:13.589-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Independente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Away we go</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TD3KnZyETqI/AAAAAAAAAz4/iuYhZyU4lKI/s1600/away_we_go_photo_8.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493769898746465954" src="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TD3KnZyETqI/AAAAAAAAAz4/iuYhZyU4lKI/s400/away_we_go_photo_8.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 265px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia dizer que hoje existem dois tipos de garotas da minha idade: as que já iniciaram sua família e estão ou querem estar o quanto antes, grávidas; e aquelas que estão solteiras, vivendo a vida de outra forma. Claro que entre uma coisa e outra existem gradações que diversificam e relativizam tudo, mas vamos manter assim pra facilitar. Burt e Verona são esse casal, um pouco mais velhos que eu e que estão grávidos, mas cuja vida se parece muito mais com a minha do que com essa referência organizada dos jovens casados. Até porque eles não são casados, apenas vivem juntos. Em seu sexto mês de gravidez, decidem partir para descobrir onde e como querem viver e finalmente fazer surgir a família que eles esperam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, tenho esse casal de amigos que estão grávidos e super organizados. Eles são minha referência mais próxima de jovens pais, ainda que estejamos em regiões distintas do país. E quanto mais perguntas eu faço a ela para saber como é estar grávida, o que se sente, o que muda, ela me dá as respostas evasivas de uma grande transformação: nulas. Porque, quando se está em processo pouco se sabe dele se há muita distração, e às vezes as transformações são muito mais íntimas e sutis do que algo que seja fácil de notar, como uma cor nova nos cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Burt e Verona estão neste filme de Sam Mendes, &lt;i&gt;Away we go&lt;/i&gt;, que vi ontem aqui em casa. Nesta viagem, buscam suas referências de amigos e familiares em algumas cidades dos EUA e Canadá. Assim, encontram tipos de família tão díspares como podem ser na vida real e, mais do que perdidos, compreendem que estão no caminho certo, ainda que não saibam bem qual seja. O que esse filme tem de incrível é a possibilidade que ele cria. As situações são tão comuns que dá pra se enxergar nelas. Por serem mais velhos que eu, já imagino que minha gravidez não seguirá como a de minha amiga, mas muito mais próxima da ‘realidade’ deste filme. Estarei grávida pelos trinta, não sei se numa situação de conforto e estabilidade (ainda mais tendo em conta minha situação financeira atual...) e levaremos isso como der.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o formato do filme nos prende nessa jornada; filmes de viagens tendem a nos levar pelos caminhos de belas paisagens, mas neste vamos além, estamos por eles, por nos vermos em parte como eles são e até por concordarmos que existem aqueles tipos que acompanhamos; nas histórias tristes, nas famílias desestruturadas, nos desequilíbrios de pais despreparados, naquelas pessoas que nunca deveriam ser pais, nos pais alternativos e naqueles fantásticos que queremos nos espelhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa seleção de situações que espelham as famílias americanas é mais uma que Sam Mendes nos traz. O diretor fez além desse,&lt;i&gt; Beleza Americana, &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2009/10/revolutionary-road.html"&gt;Revolutionary Road &lt;/a&gt;&lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Soldado Anônimo &lt;/i&gt;, além de &lt;i&gt;Estrada para Perdição&lt;/i&gt;. Talvez dê para perceber mais fortemente nos três primeiros a particularidade das visões que ele tem sobre seu país, que já o identificam num cinema de autor. No caso de &lt;i&gt;Away&lt;/i&gt;, é estranho, mas ele não chegou aqui aos cinemas, foi direto para as locadoras, mesmo tendo público garantido. Não é um filme impactante como &lt;i&gt;Beleza Americana &lt;/i&gt;ou&lt;i&gt; Estrada para Perdição&lt;/i&gt;, mas tem seu impacto e é sensível como poucos. As atuações são mais uma vez impecáveis; o casal é muito bem construído e o mais engraçado é ver a inocência inteligente no olhar do pai – John Krasinski - e, com isso, a preocupação da mãe - Maya Rudolph - em não saber como será esse futuro, na certeza de que eles se amam e de que não querem ser como os outros. Ainda Maggie Gyllenhaal como a mãe ‘alternativa’ e o casal incrível interpretado por Melanie Lynskey e Chris Messina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não suficiente, Jeff Daniels – que já é um expert em filmes sobre o comportamento da sociedade americana – a trilha sonora incrível e a fotografia de Ellen Kuras, que já fez tanta coisa que me surpreendi de não ter notado seu nome antes, quando vi a filmografia no imdb. Incrível. É um filme sincero e simples, dando os melhores significados para esses dois adjetivos. Não há mais o que falar, só que precisamos sempre ver filmes assim e esperar que sejam feitos mais e melhores, se isso for possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título original: Away we go&lt;br /&gt;Diretor: Sam Mendes&lt;br /&gt;2009, EUA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2388072496609729737?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2388072496609729737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2388072496609729737&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2388072496609729737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2388072496609729737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/07/away-we-go.html' title='Away we go'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TD3KnZyETqI/AAAAAAAAAz4/iuYhZyU4lKI/s72-c/away_we_go_photo_8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-7350544902909307587</id><published>2010-06-21T11:37:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:29:27.058-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>The greatest</title><content type='html'>Achei que seria um texto fácil de começar, na verdade. A questão é que o filme trata da dor de perder uma pessoa querida e isso em si, já traz bastante sentimento, quando você passa a associar a sua vida como exemplo. Porque para você chegar onde o filme pretende te transportar, naturalmente e até sem querer, você acaba se comparando àquela situação. E daqui pra ali já começa a apertar o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família encabeçada por Pierce Brosnan e Susan Sarandon perde o filho mais velho. Era um garoto modelo, do tipo que não dá trabalho, nem cria problemas pra ninguém. O típico cara sensacional, legal pra caramba, super amigo. Como meu amigo que perdi há uns anos, por exemplo. Então encontramos essa família perdida entre a dor e não saber como lidar com isso, cada um vivendo sua própria condição e o pai tentando confortar todos, sem saber como reagir a si próprio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que há de especial no filme não é exatamente a trama, mas a interpretação dos atores. Porque a história é comum, com alguns exageros, algumas cenas desnecessárias, mas que se apóia em situações tão singulares quanto sinceras, basta lembrar da relação criada entre a namorada do que morreu com o pai da família. A função deste (aparentemente como todos os pais se acreditam) era segurar as pontas, quando nem ele se tinha sob controle e encontra nela uma força parecida, junto com uma necessidade de carinho e proteção. E eu, que tinha tantas críticas em relação a Pierce Brosnan, tiro meu chapéu ao ver tanta força também no início do filme, no plano-seqüência dos mais bonitos que já vi na vida, quando a família volta do enterro, no banco de trás de um carro, mudo, sem trilha sonora, como a vida mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando alto e longe, essa poderia ser a seqüência do ponto de vista da família do jovem Alexander Supertramp, de &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2008/03/na-natureza-selvagem.html"&gt;Na Natureza Selvagem&lt;/a&gt;. As estruturas familiares são bastante parecidas; o pai enquanto dono da casa, a mãe de uma força incrível cujos embates com o marido são inevitáveis e um irmão (irmã neste caso) mais novo que perde a referência que tinha a seguir. Claro que a história real de Alexander Supertramp – Cris McCandless é diferente porque sua busca era outra e a impressão de impacto na vida dos que conviveram com ele foi muito maior até por isso (ainda mais se imaginamos que ali é real). Mas a continuação da história familiar não parece ser muito diferente do que vimos neste, como uma família que tenta se reestruturar após tanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havendo preconceitos e com alguma vontade de encarar um drama, esse até vale. Não é um filme para grandes expectativas e, talvez por eu ir acreditando nisso, tive uma boa experiência. É uma história triste, mas possível porque é americana, o próprio peso é bem dimensionado, algo que se pensássemos numa produção européia seria muito mais doído. Vale para uma tarde de tédio num domingo ou um fim de semana chuvoso em casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título original: The greatest&lt;br /&gt;Direção: Shana Feste.&lt;br /&gt;2010, EUA,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-7350544902909307587?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/7350544902909307587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=7350544902909307587&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7350544902909307587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7350544902909307587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/06/greatest.html' title='The greatest'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6457077636913508674</id><published>2010-05-30T22:47:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:28:46.029-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>Girl talk</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TAMgrPs7LEI/AAAAAAAAAzc/akuAbNxeACU/s1600/sexandthecity2_19.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477257499134078018" src="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TAMgrPs7LEI/AAAAAAAAAzc/akuAbNxeACU/s400/sexandthecity2_19.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 267px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não preciso dizer que algumas séries de televisão duram para sempre e que marcam o crescimento de gerações com interesses que se tornam comuns. Assim é com muitas delas e a partir daí se desenvolvem grupos tão heterogêneos que quase apenas a linguagem audiovisual consegue unificar, que diga Hollywood e todo seu sucesso histórico e global. Hoje, numa sala de cinema lotada de poucos homens e muitas mulheres, mais uma vez todas poderiam ser boas amigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sex and the City 2&lt;/i&gt; é um filme bobo, feminino, de meninas e mulheres, sobre amizade e relacionamentos em que todas já conhecemos os protagonistas, suas histórias de vida e não é difícil saber também o final. Sabemos que o figurino será no mínimo ousado e que todas vamos querer os sapatos que elas usam, os namorados e maridos de algumas e que ali é o reduto da fantasia que nos permitimos viver durante pouco mais de duas horas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série se consagrou no mundo por mostrar quatro amigas solteiras, trintonas, vivendo em Manhattan, falando e praticando sexo de maneira casual, sem maiores polêmicas. Todos os luxos eram permitidos: homens lindos, restaurantes e cafeterias, boates badaladas, moda e sapatos, muitos sapatos. E um histórico de relações que qualquer mulher pós-vinte consegue se identificar em menor ou maior instância. Não há só bobagem nisso: há uma espécie de retrato – guardando os limites da ficção – das mulheres da útlima década que vivem amizade, amor, sexo, trabalham e garantem seu espaço. Aqui falamos de independência feminina, relacionamentos e comportamento com uma comédia em tons de crônica com estilo e inteligência. Nesse bocado de ‘futilidade’ viveram e assistiram muitas outras mulheres da vida real, acompanhando as trajetórias das &lt;i&gt;single ladies &lt;/i&gt;americanas. E agora, que na ficção continuam suas vidas nesta seqüência, marcamos outro encontro na grande tela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso, que aqui no Brasil surgiram programas de tevê que deram voz às mulheres: aquele com quatro mulheres independentes, algum estilo, idades variadas e importância no meio artístico-cultural que conversam sobre tudo o que rola no mundo ou outro de pior gosto une outras quatro falando de sexo tórrido e descritivo, cujo apelo é muito mais vulgar do que interessante. Este último, além da pobreza na qualidade e conteúdo cria uma confusão entre quebra de tabus, originalidade, ousadia e objetivo, este último que ainda não consegui identificar. Sem falar nas entrevistadoras e nos canais brasileiros voltados ao público feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao filme, claro que ele peca em alguns detalhes, falas muito marcadas, os estereótipos de sempre e a caricatura de um Oriente Médio que só os americanos têm a cara dura de fazer, que se inclua aí até a fotografia. De uma forma ou de outra, quem vai assistir não espera muita coisa além de reencontrar Carrie, Samantha, Miranda, Charlotte, Mr. Big e até o charmosíssimo Aidan. E sobre suspiros, risos, gargalhadas, oohhs e aahhs, as mulheres e até os homens – um senhor inicialmente rabugento que estava ao meu lado é um exemplo – riem das loucuras femininas das moças agora comprometidas e sempre complicadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria muito bom esperar uma seqüência para matar novamente a saudade das meninas, mas não sei se será possível. As crises estão acabando pra elas e o jeito vai ser comprar o box para rever as histórias que já sabemos de cor. Engraçado além do filme é ver a coreografia de risos e expressões que ganha o cinema cheio. Éramos todas comadres rindo juntas, criticando as roupas, amando os sapatos e rapazes do filme, nos surpreendendo com algumas cenas, partilhando da mesma emoção. E podem contar com mocinhas de 18 às senhoras, mães e avós. Fato que só reforça a necessidade das grandes salas frente ao mercado crescente do cinema em casa. Para que melhor, quando até as gargalhadas fora de tempo causam ainda mais gargalhadas e o público se solidariza com ele mesmo? É um cinema participativo que um dvd não se compara jamais, ainda mais se vamos aos domingos. Se esse texto saiu tão bobo e feliz com o filme, nada mais é do que o reflexo de uma boa sessão com ótima e vasta companhia, num momento mulherzinha. Que me desculpem os &lt;i&gt;cults&lt;/i&gt;, mas tudo tem seu momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título original: Sex and the City 2&lt;br /&gt;Diretor: Michael Patrick King&lt;br /&gt;2010, 146 min. EUA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6457077636913508674?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6457077636913508674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6457077636913508674&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6457077636913508674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6457077636913508674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/05/girl-talk.html' title='Girl talk'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/TAMgrPs7LEI/AAAAAAAAAzc/akuAbNxeACU/s72-c/sexandthecity2_19.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8128695235399370152</id><published>2010-04-30T11:24:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:28:11.113-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Garapa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S9rss2FicUI/AAAAAAAAAyA/kci5npIkBzc/s1600/05.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465941352944660802" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S9rss2FicUI/AAAAAAAAAyA/kci5npIkBzc/s400/05.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 265px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando asistimos &lt;i&gt;Estamira&lt;/i&gt;, imaginamos aquela mulher re-construída no documentário de Marcos Prado, com aquela voz, poder e miséria pouca vezes repetida no audiovisual. Neste documentário, mistura de dor, genialidade e belíssima fotografia, Estamira mais uma vez e tantas outras, pois é difícil esquecê-la quando a conhecemos assim. Garapa dói ainda mais. Agora José Padilha é quem nos mostra outra miséria, escondida nos programas assistencialistas do país... miséria que até sabemos existir, mas esquecemos diante do progresso sem ordem deste Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garapa é a mistura de água com açúcar dada em mamadeiras às crianças pelas mães, no intuito de enganar uma fome permanente. As crianças deste filme, desnutridas, cheias de doenças e com a maior delas: uma falta de futuro, de fim útil, o excesso de ignorância e miséria reinantes, a pobreza que ninguém quer ver. Porque estamos acostumados a meninos de rua, viciados em crack, assaltantes, desesperados. O que não estamos acostumados é a apatia, o fim pelo fim, a aceitação por não se saber outro que são expostos nesse filme. É a crueza do Sertão, aquele de &lt;i&gt;Vidas Secas &lt;/i&gt;lá atrás... atualizado nesse documentário em p&amp;amp;b.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa onde estejam: se à margem de uma cidade maior, se no meio do nada, se atendidas ou não por algum programa do governo. Ainda há pessoas sem carteiras de identidade que sequer sabem sua própria idade; ainda há pessoas que vivem sem saber mesmo o que significa este verbo; ainda há pessoas sem sonhos. E as crianças deste filme, muito ou tão doloridas quanto seus pais, todos vítimas. Outro dia estive conversando com uns amigos e se falava do crescimento econômico do país, da possibilidade de se chegar do quase nada à classe média em pouco tempo, da ‘facilidade’ de entrar em uma universidade e todos acreditávamos nisso, nesta nação grande, aconchegante e democrática, de um presidente forte internacionalmente, ele mesmo o próprio retrato de esperança... há que assistir &lt;i&gt;Garapa &lt;/i&gt;para perder um pouco dessa ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, enquanto alguém que estuda a arte, há um embate moral nessa história toda. Aprendi a defender o filme pelo que ele se propõe, por seu objetivo final, mas, como uma pedra no sapato, fica a questão da ‘exploração’ da imagem de quem só tem isso a que se agarrar. Essas três famílias passam fome. Uma equipe vai fazer um filme sobre a fome e os encontra como exemplo perfeito. Como é lidar com uma situação tão discrepante e depois voltar ao hotel, jantar, almoçar, tomar café com a impregnação do real a alguns quilômetros de distância? Como se manter próximo para filmar e distante para algum apoio? Como ignorar o assunto do filme que se faz e não prestar qualquer ajuda, ou ver a fome enquanto lhe sobra comida? Numa situação limite, foi dado um analgésico a uma criança com dor de dente. Mas é um detalhe diante do todo. Independente de uma assistência futura, de uma promessa de ajuda pós-filme... algo de culpa permeia minha cabeça sem nem ter feito parte desta equipe, ao mesmo tempo que defendo a produção e encaro a obra como pronta, ótima e útil e, que se houvesse algum assistencialismo prévio, não haveria filme. Dilemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semelhanças em &lt;i&gt;Estamira &lt;/i&gt;não são à toa. Não apenas a temática, a questão ética, quanto à parceria entre os dois diretores é permanente. Marcos Prado e José Padilha se reencontram aqui também, na fotografia, no cinema brasileiro direto, na aposta em filmes importantes. E é esse o cinema que permite a ‘não’-interação com o tema a filmar e que o torna tão íntimo para quem assiste e talvez até para quem participe. A vida daquelas pessoas é tão escancarada que percebemos que sequer onde moram as famílias têm privacidade. Como as cidades pequenas em que estão localizados, seus habitantes participam e têm opiniões a dar, reclamações, invasões. Vizinhos são sempre observadores de nossas vidas, como a câmera-olho que os permite nos visitar. E é essa exposição que evidencia a importância vital das mulheres nestas famílias. Invariavelmente elas se tornam protagonistas das ações, já que depende delas o parco sustento de todos, desde a preparação da garapa, a busca por água, o cuidado com os filhos, o recebimento do bolsa família, a visita a uma ONG ou até a defesa da própria situação frente às criticas de quem os invade. Aos homens, álcool, desilusão, despreparo, apatia, brigas, doenças e o cuidado mais como favor do que como obrigação aos filhos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um filme duro e importante. Traz-nos uma culpa pelo que desperdiçamos, nos indica uma perspectiva escamoteada pelas políticas públicas e índices eleitoreiros, escancara o que não queremos ver, mostra que este Brasil existiu desde sempre e ainda existirá por muito tempo. A situação de insegurança alimentar que esse filme expõe também identifica uma condição internacional, já que há esta fome em todo globo. Aqui temos um detalhamento apurado do cotidiano dessas famílias à beira de um precipício. E não há melodramas, novelas ou um quê de responsabilidade social que poderia ser pregado como um religioso no seu palanque/palco. A idéia que temos ao assisti-lo é simplesmente de que é daquela forma que realmente eles vivem. E isso sim, é a mais grave e dolorosa conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garapa&lt;br /&gt;Direção: José Padilha&lt;br /&gt;Ano: 2009 - Brasil&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8128695235399370152?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8128695235399370152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8128695235399370152&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8128695235399370152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8128695235399370152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/04/garapa.html' title='Garapa'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S9rss2FicUI/AAAAAAAAAyA/kci5npIkBzc/s72-c/05.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6623639611482842099</id><published>2010-04-12T15:20:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:26:42.502-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><title type='text'>Chuva em Itapuã</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S8NkhOnLgWI/AAAAAAAAAx0/V2GDkYejKe0/s1600/650x425_163623.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5459317695324062050" src="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S8NkhOnLgWI/AAAAAAAAAx0/V2GDkYejKe0/s400/650x425_163623.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 262px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foto de: Marco Aurélio Martins / A Tarde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6623639611482842099?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6623639611482842099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6623639611482842099&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6623639611482842099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6623639611482842099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/04/chuva-em-itapua.html' title='Chuva em Itapuã'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S8NkhOnLgWI/AAAAAAAAAx0/V2GDkYejKe0/s72-c/650x425_163623.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2114917291511426551</id><published>2010-04-11T23:04:00.001-03:00</published><updated>2012-01-21T23:26:30.168-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><title type='text'>Bumba</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S8KET55MJgI/AAAAAAAAAxs/6HWFUXWinoQ/s1600/Sem+t%C3%ADtulo.png"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5459071175819535874" src="http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S8KET55MJgI/AAAAAAAAAxs/6HWFUXWinoQ/s400/Sem+t%C3%ADtulo.png" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 223px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É impossível não falar sobre a chuva. Quando o verão desse ano assou e fritou a todos nós aqui no Rio também não dava para pensar em outra coisa. Em todos os lugares, bares, restaurantes, trabalho, bancas de revistas era sempre calor e um verão quente além dos quarenta graus. Falou-se também sobre o apagão do calor. E todos faziam parte de uma mesma conversa, um tom monocórdio, repetitivo, uma chatice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que não ia precisar falar sobre a chuva do Rio. Não vivi o dia "D" dos alagamentos, a cidade deserta como num ataque de zumbis. Não vivi as horas de engarrafamento maiores que uma jornada de trabalho, os prejuízos, afogamentos, a devastação. Neste dia eu passava frio em São Paulo e esperava. Não tinha aeroporto aberto. Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do Brasil, que será a oitava maior economia do mundo, parou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi, entretanto, o dia "E". O dia depois de amanhã daquele pessoal de Niterói. Niterói e São Gonçalo já haviam sido as cidades da Grande Rio mais assoladas por essa tempestade louca. Mas o deslizamento de terra do dia 08 foi de uma crueldade sem limites. Não se falava em mais nada, em qualquer jornal. O Nacional, especialmente, não tinha outro assunto. A rotina carioca voltou, mas aquele monte de terra e lixo, lixo, lixo, lixo, porque não dá pra esquecer, em cima de um monte de gente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o Brasil é craque em miséria, a gente sabe disso. Temos aí filmes e filmes pra mostrar, as ruas que exibem suas mazelas como uma vitrine para turista, os passeios de carros 4x4 subindo as favelas cariocas. As reportagens de fome, sujeira, os ‘Ilha das Flores’... todas as classes assistem, vêem, vivem, presenciam, cada um a seu modo. Mas nessa miséria toda é possível viver. É possível subir um aterro sanitário e chamá-lo de seu. É possível morar, construir, viver. Não pelo dinheiro, mas por aquela nossa velha apatia do poder público, dos olhos vendados da justiça, da cegueira coletiva, da estupidez e do descaso. E não tem esse direito humano reclamado que seja suficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, chove. E é morro. E tem terra. Lixo e chorume. É uma ladeira de lixo com casas em cima. E cai. E pouca gente se salvou. Parece o Haiti sem a música. Sem o terremoto, sem a pobreza cruel daquele país, mas a falta de humanidade deste daqui, que tem muito mais do que o Haiti e vive a mesma situação. Não dá pra falar de outra coisa. E convém lembrar que não dá pra ouvir o prefeito de Niterói dizer que não sabia. Ninguém sabia... e foram feitas melhorias na região... o que no meu português significa: estimular os moradores a permanecerem ali.  Eu achei que não precisaria falar da chuva, do que todos vimos nas televisores, do que muitos infelizmente viveram de perto. Mas, se nem ao menos pensarmos um pouco e falarmos sobre, vai chegar o dia em que não se falará mais nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2114917291511426551?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2114917291511426551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2114917291511426551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2114917291511426551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2114917291511426551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/04/bumba.html' title='Bumba'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S8KET55MJgI/AAAAAAAAAxs/6HWFUXWinoQ/s72-c/Sem+t%C3%ADtulo.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5288906081932878418</id><published>2010-03-29T22:56:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:26:09.331-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><title type='text'>Apatia</title><content type='html'>Até hoje não entendi bem como a Globo exibiu Dourado do BBB 10 falar que apenas homossexuais pegam HIV. Até agora não entendi como a emissora não se pronunciou com uma campanha educativa e preventiva, como não aproveitou e cortou no ar mesmo a loucura que foi essa afirmação, mas se postou covardemente de forma passiva e neutra, responsabilizando apenas o personagem de seu programa por suas falas e atos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, sabemos o que é essa emissora, sabemos o poder que tem e o público deste programa, sempre imenso. E hoje, saiu uma notícia nos jornais, informando que no BBB a justiça obrigou a emissora a se pronunciar agora de forma direta sobre a doença. Eu até entendo a lerdeza da justiça, o que é difícil de entender é a displicência geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa seria uma oportunidade perfeita para uma campanha, para um movimento, para qualquer coisa. E o que reinou foi a apatia nacional. Nem ouvi pessoas comentando isso! Precisou eu lembrar a meus amigos e colegas de trabalho o caso, e discutir partindo da lembrança de apenas um e não de um incômodo geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho isso. E olha que coisa: exatamente quando eu estava pensando nas próximas linhas para este texto quase sem fim, o BBB exibe uma cartela com uma locutora e texto, indicando as formas de contágio do HIV. Tudo bem, ajuda. Mas poderia ser melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa não é do personagem. Ele pode ser ignorante. Muita gente é. Nem todo mundo foi educado para muitas coisas. Pouca gente foi. Acho que não apenas a frase infeliz e, quem sabe, em alguma instância ingênua e carregada de preconceitos, mas o resultado dela, tanto da emissora quanto dos que a assistem. Esse é o reflexo deste país. É por situações como essas que adolescentes engravidam, que muita gente efetivamente contrai o HIV, que meninas morrem fazendo abortos ilegais e lipoaspirações clandestinas. E com um motivo tão óbvio, não se fez nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como eu ia dizendo ao fim... muito estranho isso. E nem precisei falar da ausência do governo nesse momento. Porque uma governança séria, falaria sério sobre isso. Aproveitaria uma deixa óbvia e fácil. E a partir daí, se transformaria alguma coisa em alguém... em alguém que vê televisão, em alguém que só tem isso pra ver... em alguém onde não há como buscar educação... e tudo o que bastou aparentemente foi uma cartela de 10 segundos na tela. Lugar bom pra se viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5288906081932878418?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5288906081932878418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5288906081932878418&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5288906081932878418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5288906081932878418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/03/apatia.html' title='Apatia'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3948617094810910417</id><published>2010-03-22T11:24:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:25:47.338-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>De ônibus</title><content type='html'>Como tudo na vida, no início ninguém reclama muito, o que vale é a experiência, tudo é diferente. Por mais que eu já tivesse usado ônibus algumas vezes em Salvador, a experiência cotidiana tem outros... sabores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No buzu, o convívio social é mais democrático. Pessoas com algum dinheiro, pessoas sem dinheiro, pessoas sem nem a sombra do dinheiro volta e meia se encontram, com suas particularidades. Uma vez, um pirralho adolescente resolveu que queria fumar dentro do veículo. Já mais vazio, eu, um homem alto e fortão um pouco mais à frente, uma senhora também. O pentelho sequinho fantasiado de rebelde senta justamente atrás de quem? Pois é, e me acende um cigarro. Não deu outra: o fortão se levantou em todos os seus vários quilos e músculos de trabalhador braçal, grudou ao lado do pirralho e disse: você vai apagar agora ou prefere que eu faça isso? Me apaixonei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando o ônibus parou pela primeira vez numa lanchonete no meio da minha volta pra casa? Passageiros dentro, normalmente à noite. Eles param em uma lanchonete específica de Copacabana, pegam o lanche e sobem novamente. Quando vi isso, não sabia bem o que pensar, se: “pô, ele deve estar com fome mesmo, pra parar nessa agonia aqui” ou  “ok... ele é o DONO do ônibus e pouco liga pras outras pessoas... os CLIENTES que estão aguardando a refeição do motorista e cobrador”. A meu ver, os motoristas e cobradores têm momentos de parar seus carros para justamente irem ao banheiro e comer. E eles nem avisam... simplesmente param e se você tem um compromisso, se está com fome também, se simplesmente está cansado e precisa ir pra casa, problema seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem sempre as coisas são bizarras. Existem muitos motoristas bacanas e gentis, educados, generosos. Na chuva, principalmente. Facilitam nossa vida, tentam parar onde pedimos, até se oferecem para nos ajudar. No fim das contas, pegar ônibus é uma arte.  Não pode simplesmente esperar e algumas vezes terá que sair correndo no meio da rua, de salto, com saia balançando ao vento. Relaxe: todo mundo já fez isso um dia. E ônibus para mais pra mulher bonita mesmo, não tem jeito. Mas também... não custa nada sorrir e agradecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior problema do buzu é a higiene. Esqueça detalhes como ônibus apostando corrida, fechando carros, freando bruscamente, você caindo por cima das pessoas. O negócio é que esse contato democrático não respeita a higiene. A igualdade é para todos, mas a limpeza pra poucos. E nem é por grana, é porcaria mesmo, educação. Minha sorte é que não costumo pegar ônibus muito cheios, então não rola aquele constrangimento e guerra da apalpação masculina. Mas o calor carioca do verão tira nossas forças. Caí na besteira de economizar e tentar a sorte dos raros com ar condicionado que me servem. Quando não achava, pensava, mas esse aí também vai pra lá e entrava. Eu chegava no trabalho cansada, destruída. Não digo nem suada, porque com 40 graus poucas pessoas não estavam assim. Mas é cruel, porque realmente tem gente que não gosta de banho, então você pensa né, lavar a mão, impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o barulho? Tem gente que, não suficiente com o sacolejar dos ônibus-sardinha com seus metais batendo, ainda liga algo no celular e acha que toda a comunidade tem que ouvir junto. A pessoa que inventou o mp3 no celular nunca pegou ônibus. Nem todo mundo tem fone ou cérebro, afinal de contas. E a música NUNCA é boa. Mas, com todas as agonias e diversões de um passeio de ônibus, não é tão ruim. É questão de hábito mesmo, tranqüilidade e cálculo. E a forma mais sincera e visceral de conhecer uma cidade. Mas... de vez em quando um taxi também não mata ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3948617094810910417?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3948617094810910417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3948617094810910417&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3948617094810910417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3948617094810910417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/03/de-onibus.html' title='De ônibus'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6355346217792003124</id><published>2010-03-14T23:51:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:25:32.009-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Guerra ao Terror</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S52jIl_oJrI/AAAAAAAAAo8/99lcER2rDzM/s1600-h/guerra%2520ao%2520terror%281%29.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448690492221433522" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S52jIl_oJrI/AAAAAAAAAo8/99lcER2rDzM/s400/guerra%2520ao%2520terror%281%29.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 267px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que parece, é fácil entender porque&lt;i&gt; Guerra ao Terror&lt;/i&gt; ganhou vários prêmios. Mas, antes de tudo, vamos entender realmente do que ele trata. O filme é sobre o trabalho de um esquadrão anti-bomba no Iraque. Este grupo de 3 homens vai onde há uma ameaça e enquanto dois dão cobertura, um terceiro vestido adequadamente vai ao local e a desarma. E, uma pequena observação: o filme é dirigido por uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que isso pareça pouco, é estranho e interessante ver um filme de guerra dirigido por uma mulher. Em nossa cabeça passa, ainda que sutilmente, aquela idéia de porque uma mulher se interessaria em fazer um filme de ação, um filme de guerra e ainda: quase não pôr mulheres no filme. Mas a melhor parte desse pensamento que aparece sem querer e sem que queiramos, é que ele rompe com o ideário padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ver o filme fiquei me perguntando se ia ganhar o Oscar. Como todo mundo, tinha visto &lt;i&gt;Avatar &lt;/i&gt;e me deslumbrado com seus efeitos, com a brincadeira 3d, com a megalomania. No caso de Kathryn Bigelow não tem muito disso. O foco, aliás, bem escolhido levando em conta o tema, a relação destes homens com sua atividade e, principalmente, entre si. A chegada de um novo líder na equipe, aquele que desarma as bombas, após a morte iminente do grande amigo e líder anterior, desequilibra as relações e percepções dos envolvidos. E é nisso que está a graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo na primeira seqüência, o filme já diz ao que veio: o esquadrão em atividade, um dos três colocando a roupa de proteção, as cenas de ambientação, “cenas de Iraque”, cenas meio sujas, câmera na mão, tensão.  O filme mantém esse ritmo até o fim e nossa respiração fica presa a cada investida deles em campo. Não adianta: nos afeiçoamos aos personagens, independente de política. O filme foi construído assim, o roteiro é assim, assim quis a direção. E são bons personagens. Jovens, bonitos e corajosos, humanos, homens dispostos a enfrentar o "vida ou morte" todos os dias, com seus dilemas, seus medos. Cada um dos protagonistas carrega um motivo que cria a empatia; um é o mais novo, que precisa de mais cuidados; o outro  não sabe bem o porquê de estar ali e muito menos de não estar e o terceiro, com aquele perfil de estou aqui porque gosto, é disso e para isso que vivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme ganhou quando me perdi dentro dele. Cada cena fora do quartel era uma tensão, ainda que saibamos que no início ninguém morre senão o filme acaba. Essa tensão é difícil de construir quando as situações são parecidas e têm que ser mesmo, afinal o objetivo é mostrar o dia a dia. Não suficiente, a fotografia merece várias exclamações (!!!!!!!!!). O câmera conseguiu ser repórter, espectador, documentarista e diretor de fotografia de ação. Os planos à luz quase natural o tempo todo ou tendendo a isso criou uma atmosfera realista, bem como a inconstância de movimentos, os planos quase tremidos mas perfeitamente inteligíveis. E não vou nem comentar aqueles em super câmera lenta, porque são obras de arte. Só vendo pra sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vi todos os filmes que concorreram ao Oscar desse ano. Vi apenas &lt;i&gt;Avatar &lt;/i&gt;e este. Mesmo tendo gostado bastante de &lt;i&gt;Avatar&lt;/i&gt;, não passa muito de efeitos especiais numa história bonita até, mas secundária. Tudo compreendido, deve ter sido bastante difícil e caro de fazer, de construir o mundo de James Cameron. Mas, mais interessante achei esse. Mesmo sendo um filme de guerra, mesmo sendo unilateral e mesmo mantendo os iraquianos calados e de cara fechada todo o tempo com uma única exceção trágica do garoto, passemos por cima das obviedades. Kathryn deu um show de direção num filme de situação estabelecida. Teoricamente não há heróis, mas participantes do mesmo conflito. O filme não prevê o fim da guerra, muito pelo contrário, a meu ver não culpa tanto os iraquianos, não há nada muito tendencioso (além de ser um filme americano, claro) que nos impeça de assisti-lo. Claro, melhor seria se fosse mais ambíguo, se ouvíssemos aqueles que armam as bombas e suas também tragédias diárias, mas não era o objetivo deste, não era seu recorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Oscar é uma premiação política. Filmes sobre não só essa, mas todas as Guerras americanas pelo mundo são sempre melhor posicionados. Há um cuidado em se manter o moral norte americano, essa é a política óbvia. É preciso que se vá a ele sem esperar muito. É um filme de guerra, é um filme de relações humanas numa guerra, é um filme de ação. Tem tiros, tem crueldade. E é americano e bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Original: The hurt Locker&lt;br /&gt;Direção: Kathryn Bigelow&lt;br /&gt;EUA, 2008, 131 min&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6355346217792003124?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6355346217792003124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6355346217792003124&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6355346217792003124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6355346217792003124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/03/guerra-ao-terror.html' title='Guerra ao Terror'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S52jIl_oJrI/AAAAAAAAAo8/99lcER2rDzM/s72-c/guerra%2520ao%2520terror%281%29.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5249198363440539268</id><published>2010-02-08T22:49:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:24:59.932-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>O Céu de Suely</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S3DAwJJvyBI/AAAAAAAAAoU/7G666Cbfry8/s1600-h/ceudesuely01.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436056683559241746" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S3DAwJJvyBI/AAAAAAAAAoU/7G666Cbfry8/s400/ceudesuely01.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 268px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sabe aqueles filmes que nos cativam a cada novo e instantâneo, natural pensamento que aflora sobre ele? Sem querer, após sermos apresentados, vão ressurgindo na memória durante o dia, ou a semana e queremos manter aquela satisfação da boa surpresa e o deleite de uma grande e sensível produção que participamos. Nordestina e visceral, esta &lt;i&gt;Suely &lt;/i&gt;me tomou de corpo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que há um destino a ser cumprido, uma missão para determinadas mulheres e indo de encontro à correnteza que tenta lhe arrastar, ela se sustenta e rema, nada na direção contrária da tradição. E assim, toma outros rumos e vive sua própria jornada. Suely/Hermila é essa mulher; é a representação de tantas outras que querem ser apenas uma de cada vez e não parte de um conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hermila é uma mãe que retorna à sua cidade natal vindo de São Paulo à espera do marido para aí viverem com o filho que carrega no colo. Como manda o destino trágico das mulheres, o marido não retorna e daí nasce Suely, um corpo novo na então Hermila que se rifa a troco de dinheiro para viver como nova em um outro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, da safra do cinema nacional, a que mais me interessa é a nordestina. Muito por ser de onde eu vim, mas principalmente por ser o cinema puro, o cinema menos misturado à linguagem televisiva, o cinema mais distante das grandes emissoras. Talvez também o cinema mais pobre e por isso, mais rústico, mas isso é um engano estético, na verdade, porque a riqueza dele está na sutileza e no retrato do nosso coração em sua forma mais sincera. São filmes que nos tocam a alma, que nos lembram quem são e o que são as pessoas, a diversidade da vida neste país, os lugares menosprezados, as vidas nas pequenas cidades, quase documentários de tão reais situações encenadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poesia e beleza nas cenas deste filme, há a elegância da atriz e personagem Hermila que nos faz compreender suas estranhas ações, seu desespero controlado em movimentos calculados para atingir seus objetivos. Há uma doçura de jovem mulher e uma coragem pouco vista nas meninas de nossa idade preocupadas com pequenos problemas. E há uma tradição familiar quebrada em pequenos fragmentos com um roteiro muito bem amarrado em personagens-chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O Céu de Suely&lt;/i&gt; é um filme para mulheres que buscam seu próprio caminho, para mulheres que estão satisfeitas com a correnteza que as impulsiona e para os homens, muito bem retratados numa história que finalmente não os privilegia. Acima de tudo, é um filme sobre pessoas e sentimentos incompletos, que se totalizam na confusão da vida, nas conseqüências das decisões que tomamos com o coração e enfrentamos com a rotina. É um filme que lembra a mim mesma, às minhas comadres espalhadas pelo mundo, às nossas travessuras de novas adultas ainda meninas e à força que nos impulsionas para sermos apenas uma de cada vez e não todas de uma vez só. E essa sensibilidade veio de Karim Ainouz, um homem que surpreende, nordestino e fantástico, também retirante e vivente sensível de uma grande cidade que não a sua. O céu de Suely pode não ser o paraíso, mas vive de pôr-do-sol como nenhum outro poderia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5249198363440539268?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5249198363440539268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5249198363440539268&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5249198363440539268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5249198363440539268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/02/o-ceu-de-suely.html' title='O Céu de Suely'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S3DAwJJvyBI/AAAAAAAAAoU/7G666Cbfry8/s72-c/ceudesuely01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-7583885536599456562</id><published>2010-01-16T20:23:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:24:34.541-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cuba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Velhas novidades</title><content type='html'>Estou lendo &lt;i&gt;De cuba, com carinho&lt;/i&gt;, de Yoani Sanchez. O livro contém uma seleção dos posts dessa autora no &lt;a href="http://desdecuba.com/generaciony/"&gt;Generación Y&lt;/a&gt;, sobre as situações que vive e conhece na Cuba de hoje, esmigalhada por seu próprio governo. Textos curtos, muito bem escritos levaram essa filóloga ao topo do mundo, ainda que não consiga sair de sua própria ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Cuba se consome, penso no que acontece ao meu redor. O Rio de Janeiro, ridiculamente futura sede olímpica, mantém os mesmos problemas de sempre e não parece medir esforços suficientes para aplacar a situação, apesar das propagandas políticas. Aqui o tráfico de drogas é a rotina, bem como as trocas de tiros, as balas perdidas. É claro que nem todos os acontecimentos são noticiados, mas este tipo de evento não assusta mais ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nosso Rio está o Irã e seus vizinhos; ninguém se abala mais com tantos atentados, vítimas, mortes à toa. Fico pensando em quantos blogueiros seriam necessários para tratar dos temas de cada país, de forma a impactar seu próprio sistema. Para que não pareça exagero: a cubana Yoani, ao lançar seu livro com sucesso mundo afora sem conseguir ir aos lançamentos, foi seqüestrada e espancada. Sem mencionar a luta diária para usar a internet ilegalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pensamos que aqui como Cuba, sofre de problemas crônicos, não vemos novidade nenhuma nas notícias dos jornais. A corrupção nacional, os viciados, seus traficantes e policiais, balas perdidas e assassinatos são notícias passadas e preenchem lacunas nos impressos na falta de coisa melhor a dizer. Agora, com algumas tragédias dignas de 2012, os tiroteios cariocas e atentados no Oriente Médio cederam lugar a Angra, Ilha Grande e Haiti. Não se preocupem, em um mês ou dois, as velhas novidades retornam às primeiras páginas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-7583885536599456562?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/7583885536599456562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=7583885536599456562&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7583885536599456562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7583885536599456562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/01/velhas-novidades.html' title='Velhas novidades'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-261138557318332571</id><published>2010-01-05T23:20:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:23:57.447-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><title type='text'>05.01.2010</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S0P0AlYTvZI/AAAAAAAAAnU/KGjyGlPYKlg/s1600-h/S5300060.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423446667155455378" src="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S0P0AlYTvZI/AAAAAAAAAnU/KGjyGlPYKlg/s400/S5300060.JPG" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 300px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu olho os postais dos Médicos Sem Fronteiras, fico pensando no que fazemos por aí para nós e para os outros. Nada dessa megalomania de vamos salvar o mundo ou 2012 chegará, mas as pequenas ações mesmo. E é claro que essa reflexão vem por conta do novo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me venham com o altruísmo não existe, que ele em si carrega o que há de mais egoísta que é o sentimento de bem estar por ter feito algo por alguém em condição pior. Nada dessa energia carregada de amargura. Vamos pensar sim, no que podemos fazer por quem precisa, independente de qualquer sentimento ou benefício próprio. Talvez seja por isso que a medicina me ronda a cabeça como uma possibilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenas de destruição no início do ano, réveillon devastado por diversas tragédias pelo globo e isso acontece sempre. Talvez por estar mais próximo de mim, no mesmo estado em que resido, me afetam de forma diferenciada. Ou talvez não, a situação em si, a dor coletiva de uma tragédia 'natural' é o que mais nos abala, as perdas de vidas que desconhecemos, as perdas em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muita tensão comigo e minha família nesse fim e início de anos. Problemas íntimos nos tomam o coração e o máximo que conseguimos é empurrar um sorriso de batalha e pensar para o bem, para um futuro promissor, para uma saúde coletiva, um bem maior, uma vida resolvida. Enquanto as coisas se encaminham para isso com obstáculos superados dia-a-dia como uma formiguinha carregando seu alimento maior que ela própria, o coração segue apertado, interrompido por momentos de distração no trabalho, com os amigos. De tanta oração, para tantos deuses e religiões, pedidos à natureza, esperamos sempre o melhor. O melhor para o ano, para nós, para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chega dessa ladainha positivista. A vida segue. Que nesse ano sejamos mais honestos, diretos, reflexivos, lutadores, pensantes, ativistas. Que novos ideais surjam, que a coletividade aumente, cada indivíduo se destaque como uno, se compreenda e então conviva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pode parecer difícil, complicado, distante e a preguiça nos ronda. Somos tomados de leve pelo conforto, pelo marasmo e pela paciência, mas no chega e basta é que corremos atrás e vemos de que substâncias somos feitos. É esse o sangue que tem que ferver. Que os orixás, deuses de todos os cantos e naturezas nos guiem e conosco, nos tranformem no que acreditamos que podemos ser e, por fim, sejamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-261138557318332571?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/261138557318332571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=261138557318332571&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/261138557318332571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/261138557318332571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2010/01/05012010.html' title='05.01.2010'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/S0P0AlYTvZI/AAAAAAAAAnU/KGjyGlPYKlg/s72-c/S5300060.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8329574347191197820</id><published>2009-11-16T23:29:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:23:30.527-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Agonia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SwIT0w3889I/AAAAAAAAAms/8fsOd9QQfBc/s1600/00000211354.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404904299991725010" src="http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SwIT0w3889I/AAAAAAAAAms/8fsOd9QQfBc/s400/00000211354.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 264px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acabei o livro. Comprei sábado de tarde e acabei hoje, segunda. Toda vez que eu acabo um livro, sinto alguma coisa que me percorre o corpo, mas que na verdade é puramente mental. É como se naquele momento exato da última palavra da última frase estivesse a resposta que vínhamos buscando desde a página um. Mas não, na verdade não é isso, o negócio é que como todo filme muito bom, ficamos com aquela expressão de quem acabou de conhecer alguma coisa diferente. Mas, como todo filme que acaba e livro que se lê, quase uma tristeza nos diz: agora eu já sei, a surpresa se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse livro veio como uma surpresa boa. Caiu em mim uma matéria sobre seu autor, como se ele fosse uma pessoa que eu poderia ser: físico, 26 anos, primeiro romance. Pensei em fazer física um dia e me perguntei como seria o primeiro romance de um físico que, não suficiente, ganhou o prêmio mais importante da literatura italiana. Comprei, comecei a ler na manhã de domingo e o levei até mais da metade até a noite. Li mais um pouco hoje de manhã, como uma necessidade urgente de dar segmento à história. Fui pro trabalho com outro livro na bolsa, na tentativa de impedir que o final daquele chegasse logo. No trabalho, um senso crítico se apoderou de mim e começou a questionar o livro, se era realmente bom, se eu não o estaria aumentando, criando ilusões em cima de uma obra menor. O negócio é que quando me vi em casa, deixei a tv de lado, o computador e fui de encontro a ele, entre a agonia de ver as páginas indo embora e a delícia da história acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A Solidão dos Números Primos,&lt;/i&gt; conta a história de duas crianças que se conhecem numa escola. As duas carregam uma tristeza latente fruto de tragédias que não podem ser esquecidas. E crescem ao avançar das páginas. Não vale falar mais do que isso; é uma história de duas pessoas, num universo que poderia ser o nosso, com uma linguagem simples e rápida, sem muitos adjetivos. Há um motivo muito bonito para o título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que o livro se foi e será relido em breve com mais calma, verificando e ouvindo internamente cada frase, ficou aquele vazio da vontade de falar e falar sobre ele e sentir com alguém aquela experiência naquele mundo fictício. Enquanto isso não acontece, vivo os personagens em minha cabeça, recriando as situações, entendendo seus sentimentos, até sendo um pouco como eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;i&gt;A Solidão dos Números Primos,&lt;/i&gt; Paolo Giordano. Editora Rocco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8329574347191197820?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8329574347191197820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8329574347191197820&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8329574347191197820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8329574347191197820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/11/agonia.html' title='Agonia'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SwIT0w3889I/AAAAAAAAAms/8fsOd9QQfBc/s72-c/00000211354.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-7089457582156805967</id><published>2009-11-13T10:55:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:22:50.916-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>0.0</title><content type='html'>Uma noite dessas estive numa festa de aniversário de uma pessoa que não conhecia. Fui acompanhando uma amiga em comum e aproveitei pra conhecer o bar na Lapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos de lá, agora quatro meninas num carro dirigido por Camis, a amiga. Nossa motorista havia bebido umas cervejinhas antes, umas oito da noite e tinha parado por aí. Agora já eram 00:30. Na Praia de Botafogo a caminho de casa, uma blitz da Lei Seca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A blitz ainda não se entendeu em estrutura. Eles sempre causam engarrafamentos surreais onde param. Paciência. Das risadas que foram minguando, o policial nos fez parar. Instantaneamente, nosso clima de curtição se transformou em tensão. Nenhuma de nós era da área de saúde para saber a duração do álcool no sangue e todas haviam bebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camis foi chamada ao bafômetro. Tensa, tadinha, com razão já que era a dona do veículo, já imaginava o pior. Ao nosso redor, dezenas de carros, muitos meninos na casa dos vinte e início de trinta e um casal que chamou atenção: eram de meia idade, a senhora usava um vestido pavão em cores, maquiagem e uma cabeleira loira presa no alto da cabeça. O senhor, em eterna pose, caminhava e falava ao telefone. Na certa, os policiais pensaram: whisky. Até acho que eles foram pegos, porque não estavam com uma cara de muitos amigos. Outra figura era uma garota de top e short estilo esportista que conversava animadamente com um dos policiais. Momentos depois, uma das meninas de nosso carro lhe perguntou se tinha bebido e ela respondeu: muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camis foi ao seu martírio junto comigo. Eu explicava segundo a lógica do momento: relaxe, você bebeu bem mais cedo, já tomou refrigerante e comeu coisinhas. Tudo acabará bem. E fingindo calma, fomos. Ela soprou três vezes o negócio na esperança do O.O aparecer no visor. Na maior educação e presteza, nosso algoz nos disse enfim: muito bem, senhoritas, podem ir pra casa. Na mesma calma, dissemos com o olhar: Viu? E por fim, ele: parabéns. Ela: Obrigada. Ainda que esse pudesse ser o início de uma história de amor com tantas gentilezas, acabou aí mesmo e fomos buscar nossa liberdade no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A euforia continuou como havia iniciado antes da blitz, agora com a ênfase da vitória final. Ao deixar as duas meninas na primeira parada, uma delas diz: mas tem é gente bonita nessa Lei Seca, hein? À parte a surrealidade da comadre, a tensão não vale a pena. Ainda mais quando são policiais. Ainda mais no Rio. Ainda mais quando eu lembro que dois dias antes, saindo do banho de mar matinal do verão desavisado e toda enrolada na canga pra atravessar a rua, dois policiais desses que acham bonito mostrar a ponta do fuzil no carro, falam coisas quando passam por você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-7089457582156805967?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/7089457582156805967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=7089457582156805967&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7089457582156805967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/7089457582156805967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/11/00.html' title='0.0'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-810403615511304219</id><published>2009-10-21T22:15:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:22:38.310-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Revolutionary road</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/St-0v9aV3FI/AAAAAAAAAmk/vsQjI-mSJ14/s1600-h/2008_revolutionary_road_005.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395229614645042258" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/St-0v9aV3FI/AAAAAAAAAmk/vsQjI-mSJ14/s400/2008_revolutionary_road_005.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 267px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre o jovem e o adulto é que enquanto o primeiro vai levando a vida com a sacola carregada de sonhos acreditando que pode realizar a maioria deles, o adulto resume tudo numa bolsa, já os têm sob medida e restritos à realidade que conseguiu para si. É tudo uma questão de expectativas x frustrações e sucessos. À medida que vamos crescendo e adquirindo responsabilidades e anseios cada vez maiores, vamos entendendo a dificuldade de atingir nossos sonhos e mesuramos o que queremos e o que podemos ter. Isso é crescer. Por mais frustrante que pareça, é inevitável e pode quem sabe, promover os sucessos que tanto planejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Revolutionary Road&lt;/i&gt; é uma ficção. Dirigido por Sam Mendes, trata da vida do casal representado por Kate Winslet e Leonardo DiCaprio. O casal jovem, vivendo nos subúrbios americanos da classe média, se depara com sua vida e com a que pensaram em levar um dia. E surgem os conflitos naturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que interessa nesse filme, além das interpretações de todos os atores e da fotografia palatável, é o enfrentamento que o tema do filme propõe. Quem nunca se questionou como a vida seria, como será? Quem nunca almejou grandes objetivos e viu que na hora H tudo toma outras dimensões? Nada contra os sonhos, que carrego vários comigo, mas há sempre frustração quando se sonha demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramos aqui um círculo social muito bem construído que universaliza a trama: os vizinhos, os colegas de trabalho, os filhos. O mundo que cerca os protagonistas é tão importante e diz tanto quanto suas interpretações; é o contexto que incomoda, que exemplifica ao espectador a recusa à satisfação. E somos carregados em discussões ácidas construídas com uma intimidade natural do casal de atores, os encontros dos secundários com eles e vamos percebendo situações que vivemos no dia a dia. É um texto que prescinde de temporalidade, de época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, &lt;i&gt;Revolutionary Road &lt;/i&gt;é ambientado no início do século 20 sem crise americana. Uma geração de mulheres submissas, no velho conhecido espaço machista recebe este casal sedutor e inteligente que se apregoa diferente dos demais, ainda que viva a mesma realidade coletiva, da mesma forma. A insatisfação culmina num desmembramento da relação perfeita e encontramos no casal a verdade que não queremos ouvir: o contentamento e a decepção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também um filme que fala sobre a coragem e o desespero e vemos uma linha tênue muito bem traçada entre os extremos. Filme que nos apaixonamos de cara, com um início profundamente sedutor que nos leva pelas entrelinhas do roteiro e quase não acreditamos no rumo dos acontecimentos. Vale cada prêmio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ficha Técnica&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Título ridículo em português: Foi Apenas um Sonho&lt;br /&gt;2008, 119 min.&lt;br /&gt;Diretor: Sam Mendes&lt;br /&gt;Atores (que eu lembro o nome):&lt;br /&gt;Kate Winslet&lt;br /&gt;Leonardo DiCaprio&lt;br /&gt;Kathy Bates&lt;br /&gt;Michael Shannon&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-810403615511304219?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/810403615511304219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=810403615511304219&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/810403615511304219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/810403615511304219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/10/revolutionary-road.html' title='Revolutionary road'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/St-0v9aV3FI/AAAAAAAAAmk/vsQjI-mSJ14/s72-c/2008_revolutionary_road_005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-4821618490217262660</id><published>2009-10-17T00:18:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:21:58.148-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Mocinha do filme</title><content type='html'>Lá estava ela, no lugar certo, no momento certo quando mais duvidava de tudo. Enquanto procurava respostas, distraindo-se pelo caminho, estava numa noite em casa, numa dessas noites que não querem dizer nada, que são só estrelas escondidas em pingos de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma calmaria de cochilar no sofá. Na tv uma comédia romântica das de sempre, no estômago um rebuliço sem fim e nada de pensar, mas frases rondavam em sua mente... beije sempre... viva cada dia como se fosse o último. Já pensou nisso? Viva cada dia como se fosse o último... muito difícil! Porque ela pensava que não poderia ainda viver cada dia como se fosse o último porque estava ainda se preparando para viver assim. Mas, ao tempo que vivia se preparando, nunca estava pronta para simplesmente viver sem os preparos do improviso. E que momento melhor para viver na abundância da vida que não a juventude? Mas e os recursos, as responsabilidades do dia a dia que são uma parte da vida mas nunca aquela vida que queríamos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste vaivém, estrondos na janela, luzes no céu. Apreensiva da grande cidade, pensou o pior: não eram trovões apesar da chuva e do frio; seriam tiros? Mas, com luzes? Intrigada, foi à janela e quando abriu foi inundada de fogos coloridos que riscavam o céu. Era um barquinho no mar, numa noite chuvosa e vazia de pessoas, mas então cheia, imensa e inteira entre água, luz e fumaça. As cores apareciam num ritmo e transição como um reveillon particular. Imagine só! E o barquinho no raso mesmo, bem próximo do poeta, bem acessível a ela, janela única num mar de prédios. Como um contrato, uma poesia, um romance; ode a uma pessoa que sozinha, lembra de vários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fogos espalharam uma alegria de confusão; sensações e não entendimento. A menina ficou deslumbrada com as luzes que sutilmente lhe traziam as noites de São João em família e, ao mesmo tempo, como num filme em que a mocinha entende sua missão, ela compreendeu aquele pedacinho de tempo e riu tranquila, feliz: não podia resolver nunca suas agonias ao mesmo tempo, mas teria tempo suficiente para se distrair e viver enquanto isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-4821618490217262660?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/4821618490217262660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=4821618490217262660&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4821618490217262660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4821618490217262660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/10/e-do-nada-um-barco-de-fogos-coloria-uma.html' title='Mocinha do filme'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6221256214705952776</id><published>2009-09-25T00:37:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:21:38.148-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><title type='text'>Xande Télis</title><content type='html'>É muito chato dizer 'as pessoas que passam por nossa vida' etc etc... as pessoas não estão para nos servir, para nos prestar favores ou viver apenas enquanto estão por perto. Já tem um tempo que eu fico pensando em escrever alguma coisa sobre Xande, mas não é que seja difícil, só não sei o que escrever sem diminuir tudo o que esse garoto foi pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria nada melodramático, porque ele era uma das pessoas mais alegres e animadas que conheci... e que ria das minhas besteiras. Também não queria ficar tecendo trezentos elogios, mas é bom enfatizar como ele sempre foi generoso e como nos dávamos tão bem. Rolava uma certa ingenuidade, uma natureza franca e tranquila, um querer bem inato. Claro que quando alguém nos deixa só pensamos nas qualidades e minimizamos os defeitos, mas o fato talvez seja que, mais importantes do que celebrar o que ele tinha de bom era ver que seus 'defeitos' eram como os confetes em cima de um bolo... ficam doces demais, mas nem tudo é perfeito e a gente come assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já perdi pessoas antes, tios, avós... que me deixaram uma saudade incrível e que sofri como nunca e com Xande não foi diferente, mas além de ser muito repentino, ele era como eu, jovem, saudável, com aquele clichê do futuro promissor. Não foi doença, não foi idade, não foi nada além de um acidente estúpido, fruto provável de uma irresponsabilidade de um inconseqüente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que hoje morando sozinha penso muito nesse rapaz, nesse meu melhor amigo que topava ir a praia e escapulir do trabalho quando dava tudo errado; com quem trocava problemas e discutia soluções surreais para as coisas. Xande era meu confidente e vice-versa... conversávamos com leveza nossas crises e ríamos do nosso modo ridículamente romântico de pensar certas coisas. Sei que se ele ainda estivesse vivo, já teria vindo aqui curtir esse Rio de Janeiro comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta e meia penso em Télis (Teles) que me veio de presente ao namorar uma amiga. Aí não tinha tempo ruim e eu sempre pude contar com ele, mesmo sem nem precisar. Xande é esse menino que me deixa saudades eternas e aquele desejo de tê-lo participando de um monte de coisas. E Xande não passou pela minha vida... fui eu que tive o prazer de viver um pouco com ele e até hoje tô puta dele ter ido embora sem se despedir. Eu não sei... mas um texto nunca fará jus a nada nem a ninguém né... mas como esse espaço é meu e quem manda nele sou eu... segue meu carinho por Xande pra sempre carregado por aí. Sorte vou ter se encontrar outro parecido com ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6221256214705952776?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6221256214705952776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6221256214705952776&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6221256214705952776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6221256214705952776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/09/xande-telis.html' title='Xande Télis'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6063816352063581063</id><published>2009-09-21T20:10:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:21:25.181-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>No ar rarefeito</title><content type='html'>Hoje está fazendo dezoito graus, venta e chove. Já estou me tremendo, tentando decidir em que momento vou levantar da cadeira pra pegar as meias e sair correndo pra debaixo do edredon. Fico imaginando o frio que devia fazer no Everest quando Jon Krakauer viveu lá experiências de vida e morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Krakauer todo mundo sabe quem é: o cara que escreveu &lt;i&gt;Na Natureza Selvagem&lt;/i&gt;, que virou &lt;a href="http://extraforte.blogspot.com/2008/03/na-natureza-selvagem.html"&gt;o filme obra prima de Sean Penn&lt;/a&gt;. Partindo do que se encontrou sobre Alexander Supertramp, o escritor relatou a história desse menino-homem que buscou no Alaska se reconhecer vivendo com muito pouco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;No ar rarefeito&lt;/i&gt; veio no mesmo ano. Krakauer foi convidado pela revista Outside a escalar o Everest e escrever sobre o surgimento do alpinismo comercial na montanha. As equipes pagavam, eram clientes de empresas que lhes garantiam uma experiência no topo do mundo. Como alpinista experiente, o convite veio como a realização de um antigo sonho. Entretanto, a matéria acabou não sendo suficiente e o livro relata a experiência que culminou numa tragédia quando uma tempestade alcançou alguns dos alpinistas no cume. Diversos fatores, pequenas circunstâncias que vão alarmando e preparando um imenso problema são aí descritos numa narrativa no presente e em primeira pessoa, mas já nos antecipando um final infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é uma saga; nos prende da primeira à ultima página e ficamos entre a vontade de subir a montanha e nos manter em segurança, porque à medida que se toma a decisão de ser um alpinista responsável, há ainda muito que contar com a sorte, já que tudo ao redor implica em risco de vida. Mas, muito mais profundo, o livro nos mostra as motivações das pessoas que estavam nas expedições, um pouco de suas vidas, o que os levou a assumir os riscos, o que e como enfrentaram as situações que viveram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser um alpinista não é como andar de skate, correr numa bicicleta, praticar rali. Ser aplinista é constantemente se pôr à prova, vencer as barreiras da altura, as enfermidades que daí podem surgir, viver no limite do corpo e da mente. Não há espaço para muitas reflexões ou pensar nos problemas do dia a dia. Há cansaço, dor e tenacidade. A preocupação é estar bem o suficiente para os próximos passos. É essa a impressão deixada pelo livro, de pessoas guerreiras que fazem da vida, esse &lt;i&gt;esporte&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escrita é ágil e o livro acontece muito rápido. Eu fiquei levemente obcecada com a história por fazer pensar mais uma vez nas decisões que tomamos e como cada uma delas, por menor que seja, implica em resultados impactantes. São escolhas muito parecidas com as do jovem McCandles (Supertramp) na &lt;i&gt;Natureza&lt;/i&gt; e muito presentes nesse livro, são fruto de uma coragem que domina o medo de pessoas comuns que vão aquirindo outras qualidades à medida que se enfrentam e vivem no extremo do mundo. Ali, o que deixa de ser um desafio vira uma obrigação que se demandou à própria vida e que cabe a nós refletir se nos levamos tão a sério como algumas pessoas desse relato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Pesquisando um pouco mais sobre o tema, verifiquei que Anatoli Boukreev, um dos alpinistas de então, também escreveu um livro contando sua versão dos fatos e, de repente também alcança uma boa leitura. Vale a pena também, depois de ler, buscar os vídeos e filmes que tratam do Everest, para ter uma idéia além de nossa imaginação, de como é a escalada, o que há ao redor, como é um acampamento base e os acampamentos avançados... enfim, concretizar o que abstraímos com nosso pequeno arsenal imaginativo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6063816352063581063?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6063816352063581063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6063816352063581063&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6063816352063581063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6063816352063581063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/09/no-ar-rarefeito.html' title='No ar rarefeito'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6560289747634933671</id><published>2009-09-11T23:43:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:20:52.527-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>O que vale é o espetáculo?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SqscakeKIMI/AAAAAAAAAmE/QCo7ocLJ-pg/s1600-h/Trapeze_Artists_in_Circus_thumb.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380425422616535234" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SqscakeKIMI/AAAAAAAAAmE/QCo7ocLJ-pg/s400/Trapeze_Artists_in_Circus_thumb.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 271px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por que não vemos documentários na televisão aberta? Ok, há aqueles dos animais que passam em alguns canais, nesses ainda há algum espaço, mas o público é sensivelmente menor. Por que os documentários não passam nas grandes emissoras? Não há interesse do público? Quem define o interesse do público? Ele mesmo, eu, você, a grande sociedade, o velho conjunto de fatores sócio-político-econômico-culturais? Por que o público mais diverso pára para ver a novela das oito? Por que esse público é o mesmo que está retornando a passos lentos ao cinema brasileiro (cinema mesmo, não produções de tv exibidas na telona)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira observação que me foi feita em relação ao texto anterior se transformou numa conversa que trouxe a questão: acho que você está com problemas em definir seu público. Há o público da tv aberta, o do cinema e há o público da tv fechada. Não entrando no mérito das interseções entre os grupos, há decerto uma definição de classe (em todos os seus aspectos) que define também o que se assiste. Mas, será que para nosso público de tv aberta os documentários que vêm sendo feitos não são interessantes? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao citar no texto anterior as relações entre os &lt;i&gt;reality shows&lt;/i&gt;, a internet e os documentários, acreditei ou não firmei o pensamento na questão espectador, o assumi como uno, um erro. Há um espectador que aceita e participa das três categorias, mas a grande maioria talvez viva do espetáculo e realmente não encare as coisas da forma como tentei refletir. Se para o espectador só interessa o espetáculo, que acaba por ficcionalizar qualquer tentativa de criar ali uma 'realidade', por que levamos em conta a história 'real' dos personagens? Por que damos valor a quem tem uma história sofrida em detrimento de alguém mais favorecido? É evidente que num &lt;i&gt;reality show &lt;/i&gt;como os atuais, se criam personagens a favor de quem os vende através muito mais dos recursos fora do cenário, na montagem, num roteiro do que vai ser exibido &lt;i&gt;a posteriori&lt;/i&gt;. O que se vê é um &lt;i&gt;tratamento do real &lt;/i&gt;e o público participa da história como o telespectador capaz de mudar a vida daqueles personagens. Mas, mais uma vez, há um direcionamento para o público que nos garante a não integridade de qualquer eleição feita por ele sobre o destino dos ocasionalmente confinados num espaço comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos documentários há um direcionamento, como num filme de ficção, como qualquer produto audiovisual. Há um roteiro, há montagem. Há, inclusive um espetáculo acontecendo, com clímax, anticlímax. Mas há um quê que o diferencia das outras produções: a forma como é contada a história, por vezes os personagens exibidos. Criou-se um mito de linguagem documental dessas de filmes de animais que se estendeu por sobre a história em qualquer coisa que se cunhe documentário e seja exibido na tv aberta. É esta a formação a que o precário público desses programas tem acesso, salvo episódicos filmes novos. Com isso, cria-se uma distância grande e elitiza o público do gênero, o tornando menor, restrito, diferenciado, fora dos objetivos de uma produção que quer abranger. Mas até essa forma específica de se fazer e ver documentários há tempos foi diversificada em outros formatos de tal forma que é apenas mais um tipo numa escala de subgêneros. E os espetáculos documentais preparados sob o conceito do &lt;i&gt;real&lt;/i&gt; na tela de qualquer dimensão valem tanta diversão quanto uma ficção produzida com &lt;i&gt;ar real&lt;/i&gt;, sem maiores obrigações (e sem entrar os estudos que evidenciam que até o real documental não existe, como bem sabemos). O que aparenta ser uma hipótese não muito distante é que assistir a um documentário pode ter se transformado numa tarefa escolar, como a criança que tem que ver para responder a uma prova na escola, ou um adolescente que tem um trabalho a fazer, até um universitário, pós-graduado, o que for, mas sempre como uma atividade compulsória, quase punitiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, já que estamos propondo mais questões do que efetivas soluções, as perguntas que intrigam no momento são: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há interesse em ver esse tipo de produção?&lt;br /&gt;De onde vem o interesse? Como ele se constrói?&lt;br /&gt;Por que ainda se vira a cara quando se ouve 'documentário'?&lt;br /&gt;Por que se cria uma &lt;i&gt;obrigação &lt;/i&gt;em assistí-los? &lt;br /&gt;Por que esses filmes não passam na tv aberta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São temas diversos, realizados de diversas maneiras, sob diferentes óticas, de muitos países. Sobre seu vizinho, ser vizinho, o mundo, a diversidade, uma história de vida, um fato, uma foto, um país, uma família, sua família, uma música... não são apenas didáticos ou zoológicos, botânicos, reportagens confundidas. Talvez seja o mote da fofoca, que se perde no meio do caminho. Não se pensa tanto em quem se deu bem ou mal, quem se relacionou com quem, apesar de ser possível encontrar isso tudo num filme também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem cenas dos próximos capítulos. E comentem, se assim acharem interessante.&lt;br /&gt;Um dia talvez o pensamento se conclua. Se puder ajudar, participe. Nem que seja pra confundir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6560289747634933671?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6560289747634933671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6560289747634933671&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6560289747634933671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6560289747634933671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/09/o-que-vale-e-o-espetaculo-que.html' title='O que vale é o espetáculo?'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SqscakeKIMI/AAAAAAAAAmE/QCo7ocLJ-pg/s72-c/Trapeze_Artists_in_Circus_thumb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8945058710645824416</id><published>2009-09-06T22:04:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:18:56.931-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Pensando em Cinema...</title><content type='html'>O que nos faz querer investigar a vida alheia como mais interessante que a nossa? A função do documentarista enquanto pesquisador vem sendo essa desde muito tempo. Esse desbravador, esse antropólogo, etnógrafo que registra em sua câmera costumes, cultura, como um armazenamento de estilo de vida, de estudo biológico e social de uma época a ser relembrada em retrospectivas e homenagens futuras. Mas o que se espera quando essa investigação é interna, é autóctone, autofágica? Este falar de si para si, essa exploração do sujeito documentarista ao objeto documentarista também atrai a atenção do espectador. Mas, de onde surgiu essa redescoberta do &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; nos filmes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa nova categoria de cinema de autor no documentário não pode se considerar uma vanguarda. O que há é uma conseqüência histórica da aproximação da câmera ao sujeito que a utiliza, do que é possível descobrir primeiro ao seu redor, dentro de sua cultura então ali vivida e depois do que está dentro de sua casa, numa busca de se redescobrir, se reinventar, desnudar a alma dos familiares, a própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta nova fase do documentário se reflete não apenas no cinema, como no jornalismo, nos programas de tv, nos &lt;i&gt;reality shows&lt;/i&gt;, na internet. O que se busca ao ligar a tv em casa é investigar a vida de alguém, como ratos de laboratórios, esperando desvendar seus momentos mais íntimos, suas verdades, o que se tenta esconder, como se vive. É a fechadura da casa ao lado, que na verdade é muito similar à sua, mas enquanto você não descobre isso, tudo soa mais interessante. Essa também é a descoberta de uma nova forma de pensar a sociedade, independente do título que se dê a ela. É a pós-modernista do homem perdido, é a revolução dos costumes com novos modelos, padrões, rompimento de valores antes estagnados de tão estabelecidos. Se o homem está perdido em si, não vai buscar se reencontrar no que lhe é distante, mas buscará o que lhe é parecido, próximo, para que não se perceba só e uno, mas em um grupo que lhe abrace.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os &lt;i&gt;reality shows &lt;/i&gt;são a janela para a descoberta do outro – que se camufla e esconde no próprio excesso exibicionista – é também reflexo da própria vida de quem os assiste: o que se busca nesses programas é a identificação com os personagens &lt;i&gt;reais&lt;/i&gt; daquela história &lt;i&gt;real&lt;/i&gt;. É a &lt;i&gt;vida real&lt;/i&gt; na tv, no cinema. Não só ali e talvez hoje até mais importante, a liberdade de expressão na internet, a democratização de quem a ela tem acesso é o veículo onde mais se expressa o que quer e, em grande parte das vezes, o que se exibe é a intimidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa expressão da vida de improviso, de capturar o momento real veio de muito cedo, dos Lumiére, Vertov, do início do que entendemos como cinema. A própria ficção tende, inúmeras vezes, a criar identificações  nos personagens com base no que se vive, trazendo ao espectador algo que lhe pareça próximo, ainda que ficcionalizado. Aí estão os filmes de ficção, os seriados, as novelas (mais do que nunca). Mas, independente do que se procure definir como real, verdade ou qualquer palavra cujo peso e responsabilidades parecem maiores ao documentarista ou repórter, muitas vezes, vive-se muito mais a ficção na grande tela do que o espaço &lt;i&gt;real &lt;/i&gt;que antes afastava o espectador da cadeira do cinema. Entretanto, ainda assim, existe esta barreira do gênero e algumas vezes, o alívio de que o que se vê numa ficção não é &lt;i&gt;real&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esse novo momento que o documentário parece viver. Não ir tanto atrás de animais selvagens em florestas longínquas, tribos nos confins vivendo seu dia-a-dia sem perturbação dessa cultura colonizadora, mas um retrato da própria cultura do cinema, de quem queria se esconder nas câmeras para trazer o outro e que agora ao contrário – através de si, exposto, abraça o público que se descobre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer que ao público não faça diferença; continua sendo &lt;i&gt;voyeur &lt;/i&gt;de uma vida que não é a sua. Mas quão maior é seu interesse ao perceber como vivem e pensam outras pessoas de seu tempo, as pessoas comuns, como é imensa ou até distante a identificação com quem lhe é próximo, é um estudo social do &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; por &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; mesmo, repleto de falhas, as assumindo e o mais importante: permitindo a conclusão inacabada à quem o assiste. É em busca disso que esse espectador vai conhecer esta safra de filmes e assim o cinema documental retorna com peso de desafio e novidade. Mas nada mais é senão espiar a janela do vizinho e ali encontrá-lo junto a um espelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8945058710645824416?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8945058710645824416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8945058710645824416&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8945058710645824416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8945058710645824416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/09/pensando-em-cinema.html' title='Pensando em Cinema...'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8982828054683024677</id><published>2009-08-25T22:29:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:18:32.205-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><title type='text'>Hum.</title><content type='html'>Estou sem tv. Ela quebrou ontem. Liguei à noite e ouvia, mas não via. O problema de você ter a tv quebrada é quebrar a rotina com isso. Não é simplesmente o desconforto de descer um lance de escada e mais 10 andares no elevador carregando uma tv de 29 polegadas, pegar um táxi até a assistência técnica e ainda chegar tarde no trabalho, mas o fato de não assistir seus programas e nem ter como reclamar deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito ruim. Daí não posso ler livros por muito tempo senão durmo antes do programado pelo meu relógio e me lasco numa insônia madrugada adentro. Mas já decidi não me estressar com isso hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível como são essas coisas que fazem a diferença e que nos lembram como é morar sozinho. Ninguém reclama dos meus quatro pares de sapatos na entrada de casa, do guarda chuva pendurado ao lado da tv, da bolsa jogada no sofá, dos casacos no outro. Dos papéis na escrivaninha e da cama quase eternamente desarrumada. E normalmente até que eu sou arrumadinha, mas esses dias têm sido complexos. Muita preguiça. Lavo os pratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo a rotina acontecer, tentando descobrir coisas para quebrar o marasmo. Agora mesmo, estou brincando de equilibrar a tábua da mesa do computador nas coxas, equilibrando o notebook e vendo até a que ângulo ele não vira. Ainda com frio e preguiça de botar uma roupa de gente. A parte boa é que fui ao cinema e o filme era muito bom - Se beber, não case!. Depois conto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Hoje entrei no Copa Palace. Bonito o menino. De verdade. Chique total, pé direito nos infernos. Silencioso. Vale muito um filme de terror. 4800 a mega suíte plus da Madonna, do Tom Cruzes e do Wolverine. E, no caminho de volta, ainda descobri a melhor confeitaria do Rio de Janeiro: Traiteurs de France. Comi três coisas, e se pudesse comia mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhé. Deixetá que já já acabo com isso. Em breve, cenas dos próximos capítulos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8982828054683024677?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8982828054683024677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8982828054683024677&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8982828054683024677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8982828054683024677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/08/hum.html' title='Hum.'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2852628064344832177</id><published>2009-08-21T22:02:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:18:13.695-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cannes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Itália'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espanha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Respiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/So9En_wmPZI/AAAAAAAAAlM/TyQ3QqC2DRk/s1600-h/R88.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372588334397144466" src="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/So9En_wmPZI/AAAAAAAAAlM/TyQ3QqC2DRk/s400/R88.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 267px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há filmes que passam por nós sem que os percebamos. Vão aos cinemas, entram nas locadoras e um belo dia encontramos na capa um motivo e a surpresa é inevitável. São filmes como &lt;i&gt;Respiro&lt;/i&gt; que devem, primordialmente, ser vistos no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente o vi apenas agora, na minha tv, numa noite de chuva. &lt;i&gt;Respiro&lt;/i&gt; conta a história de uma família siciliana que vive em Lampedusa, uma pequena ilha. O nome da ilha só dá pra saber se você já conhecer o local ou ler a sinopse no dvd, porque o filme não indica e prescinde disso. Esta família tem uma mãe cuja natureza é distinta de todas as pessoas ali residentes e seu comportamento confunde e incomoda a vida da comunidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme tem algo que me lembra &lt;i&gt;Lucía e o Sexo&lt;/i&gt;, de Julio Medem. Em &lt;i&gt;Lucía&lt;/i&gt;, a protagonista também é uma mulher impetuosa e intempestiva cuja cartilha da própria vida vai escrevendo com os sentimentos e impulsos. Ainda temos fotografias e locações (no caso de &lt;i&gt;Lucía&lt;/i&gt;, Espanha) cuja beleza natural deve espantar até os moradores. Mas as semelhanças acabam aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza de &lt;i&gt;Respiro&lt;/i&gt; está na ausência. Em Grazia, que diz muito em pouquíssimas palavras, que vive conforme a natureza e o mar em seu olhar. Grazia é instinto, sua paixão pela vida está, não no que seria o termo liberdade, mas numa forma de viver autônoma e independente, espontânea. E, enquanto seu marido luta para conseguir conviver com tanto amor a esta estranheza, aqueles que estão sob sua órbita percebem apenas incômodo e desconforto. Tão próximos e não menos importantes, os filhos e seu carinho, o querer de cada um e como compreendem o que têm ao seu redor. A cada um,  uma expressão particular, uma relação íntima, um entendimento. Aqui a compreensão das partes, dos filhos, das funções sociais que conhecemos tão bem vão se transformando gradualmente, suavemente como se devesse ser sempre assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo em que percebemos a trajetória do filme como a história de um vilarejo em que todos parecem vizinhos, embarcamos numa cultura particular de um povo que vive bem com o que acharíamos muito pouco. A cultura arraigada ali, o calor entre as pessoas e o olhar vibrante como as palavras, criam um ritmo próprio e queremos que o filme nunca acabe. De roteiro aparentemente simples, é firme a complexidade e universalização das relações. Conseguimos fazer parte de um universo que nos é distante geograficamente, culturalmente. Assim é contada uma boa história, como acontece a um bom livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente vi &lt;i&gt;Respiro&lt;/i&gt; agora. O filme há que ser visto com o carinho de quem quer conhecer, ter uma experiência de beleza e emoção, a paixão, comer com olhar cada nuance da fotografia e do natural que transborda das locações. É uma pena, porque só consigo pensar em elogios e palavras que se repetem em minha cabeça e dá vontade de conversar, falar, narrar cada cena que nos marca, cada luz e fotografia, os diálogos, os personagens, o olhar de cada um, os sentimentos ali contidos e depois expostos. A impressão que dá é que os atores não mais existem, que são aqueles personagens, que não há encenação. É um filme em que o ideal é que se escreva pouco sobre ele, que se assista e sinta. Assim é mais fácil entender, sem pensar muito, ou pensando com o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Original: Respiro&lt;br /&gt;Diretor: Emanuele Crialese&lt;br /&gt;Itália, 2002. 91 min.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citado:&lt;br /&gt;Título Original: Lucía y el Sexo&lt;br /&gt;Diretor: Julio Medem&lt;br /&gt;Espanha, 2001. 128 min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2852628064344832177?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2852628064344832177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2852628064344832177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2852628064344832177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2852628064344832177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/08/respiro.html' title='Respiro'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/So9En_wmPZI/AAAAAAAAAlM/TyQ3QqC2DRk/s72-c/R88.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2499311758209685594</id><published>2009-08-18T20:46:00.001-03:00</published><updated>2012-01-21T23:16:31.305-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Posto  6</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sos9vlwWYGI/AAAAAAAAAlE/GQlIzECqzmE/s1600-h/S5300009.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371454868367499362" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sos9vlwWYGI/AAAAAAAAAlE/GQlIzECqzmE/s400/S5300009.JPG" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 300px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2499311758209685594?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2499311758209685594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2499311758209685594&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2499311758209685594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2499311758209685594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/08/posto-6.html' title='Posto  6'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sos9vlwWYGI/AAAAAAAAAlE/GQlIzECqzmE/s72-c/S5300009.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6148178658965054020</id><published>2009-07-30T20:59:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:16:13.262-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Em dias assim...</title><content type='html'>Deu pra chover por aqui. Enquanto molha tudo ao redor e vai esfriando nossos pés e eu uso sempre calças e meias para dormir, fico pensando numa forma de praticar exercícios físicos. Além de grana, é o que me falta no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me acostumei com o Rio, com o clima de chuva do inverno e já aceitei que quando chove nós temos que trabalhar assim mesmo. Já entendi que se molhar faz parte das circunstâncias e ser sábio é perceber que a hora pra isso é a de voltar pra casa. Então, nesses momentos de chuva e frio gostoso, dormir tem sido delicioso, bem como comer coisinhas, alugar filmes, ir ao cinema, escrever. O Rio é bonito com chuva também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engraçado da chuva aqui é que parece que as nuvens dominam todo o espectro visível. Conforme me disse um amigo ontem, as nuvens aqui são mais baixas do que lá. JC some, o Pão também. Até a violência parece se esconder sob uma voz general que diz: está frio para subir o morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmes brotam nos cinemas, lojas e locadoras. Acho o frio uma delícia, porque não é mortal como em São Paulo ou Friburgo e não é fajuto, como o da terrinha. É frio, de fato mas não de neve. É o frio de uma blusa e um casaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso no Flamenco que deixei por lá e que me custa achar por aqui. Penso no marasmo que será uma academia e que me voltarei aos pensamentos de o que estou fazendo aqui, por que as pessoas gostam e insistem em levantar peso (e se vangloriam com isso). Penso nos domingos que tiro pra sair perambulando pela Atlântica, de casaco, calça e chinelos e em como isso é muito melhor do que andar loucamente como se fugisse de alguém. Mas não dá pra caminhar debaixo de chuva. Não uma pessoa rinítica como eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dias assim, melhor mesmo é se deixar levar com o tempo. A chuva nos traz os amigos, o aconchego de um abraço, o sorriso íntimo de cada conquista. O inverno é tímido: é a estação que se encolhe no frio, mas mantem um olhar esperançoso para a primavera que se aproxima. Em dias assim, precisamos ao menos planejar, estudar, pensar nossos próximos movimentos. Estudar as propostas que ainda não recebemos. Em dias assim, capuccino ou vinho... ou café com pão de queijo à espera da próxima sessão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6148178658965054020?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6148178658965054020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6148178658965054020&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6148178658965054020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6148178658965054020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/07/em-dias-assim.html' title='Em dias assim...'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-216171867628432573</id><published>2009-07-27T12:23:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:16:00.550-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ação'/><title type='text'>Inimigos Públicos?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sm3HcDA2qyI/AAAAAAAAAkM/m38B9UYIWwE/s1600-h/public_enemies_marion_cotillard.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363162015927282466" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sm3HcDA2qyI/AAAAAAAAAkM/m38B9UYIWwE/s400/public_enemies_marion_cotillard.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 250px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não vá. Se você acha que um filme com Cristian Bale, Johnny Depp, Marion Cotillard e dirigido por Michael Mann tem tudo para dar certo, se enganou. Fui assistir, com a certeza absoluta de que o filme era bom, que seria interessante ver uma aventura histórica e real sobre os bandidos da América nos anos 30. Tsc tsc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que aconteceu. Não entendi a proposta do filme, a câmera louca, a fotografia estranhíssima. Convenhamos que de Depp não esperamos mais do que uma ótima performance, bem como de Marion (para quem não lembra, &lt;i&gt;Piaf&lt;/i&gt;). Já Cristian Bale, que costuma me deixar em crise, assim permaneceu. Começo a achar que ele não é bom ator, mas que teve oportunidades e continua crescendo. Seu mérito é muito mais de metamorfoses físicas do que efetivamente boa interpretação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história rende um filme tranquilamente: bandidos nos anos 30, plena crise americana, tocando o terror em assaltos a bancos à luz do dia.  Não costumam matar, mas quando fazem só atingem os policiais. Criamos ainda a identificação com John Dillinger (Johnny Depp) e seu romance com a personagem de Marion, torcemos pelo final feliz e tudo mais. Mas, ainda assim, o excesso de closes, de movimentação da câmera, além de deixar o espectador tonto e perdido, o retira do filme completamente e ele começa a olhar para o relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei com cara de interrogação, tentando decifrar o porquê daquelas cenas, de alguns diálogos, da existência de Cristian Bale e seu personagem: não sei se ele era o espertinho ou o banana, por exemplo. Sei que ele era quase o mais espertinho dos bananas. Parecia no fim das contas, um filme feito com câmeras digitais deficientes, que careciam de lentes que suprissem planos abertos. Estranho, já que o próprio Michael Mann é responsável por ótimos filmes, como outro policial, &lt;i&gt;Miami Vice&lt;/i&gt;. Provavelmente não foi por falta de grana ou não teríamos estes atores em cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado do aglomerado de desacertos, com o destaque dado na trilha sonora ultra-temática é um enigma: o que queria o diretor? Um filme de arte? Uma palhaçada? Uma experiência estética? Ou ele só deu azar e bateu a cabeça antes de dirigir? Independente de que respostas encontremos, uma assertiva é válida: talvez sirva como sessão da tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Origina: Public Enemies&lt;br /&gt;Diretor: Michael Mann&lt;br /&gt;EUA, 2009. 143 min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-216171867628432573?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/216171867628432573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=216171867628432573&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/216171867628432573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/216171867628432573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/07/inimigos-publicos.html' title='Inimigos Públicos?'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sm3HcDA2qyI/AAAAAAAAAkM/m38B9UYIWwE/s72-c/public_enemies_marion_cotillard.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2958184034236073704</id><published>2009-07-22T12:25:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:15:33.059-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Casa nueva!</title><content type='html'>Parece que não muda quase nada, mas a cada casa nova, nosso coração se preenche de aventuras, possibilidades e a certeza de que sempre acumulamos tranqueiras. Essa re-acomodação do espírito e das coisas, uma quase nova rotina e olhos frescos pra vida entram na contramão do sobe e desce de bagulhos, roupas, sapatos, livros, dvds. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora a relação é outra. Moro num apartamento onde as coisas são minhas e isso adquire uma estabilidade que gera uma agonia, inquietação por dentro. O morar se faz ainda mais firme e não se sente isso só por estar longe de casa, em minha Salvador, com minha família, mas esse fincar de bandeira no Sudeste acentua a vontade de sair por aí. Por mais louco que pareça, é a mais sincera vontade que me percorre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro o lugar que vivo. Foi o primeiro que morei quando vim de Salvador e por acasos (ou não) da vida, parei nele agora. Enquanto construo o dia-a-dia das amizades, do trabalho, da família ao telefone, viajo em novas experiências, imagino novos caminhos e rotas. Invejo os apresentadores de tv pé na estrada. Mas acredito também que, para que a partida a novos rumos seja mais do que uma experiência de espírito e aventuras, precisamos do pé no chão, de alguma estratégia e lógico, grana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a partida não chega, invisto em aventuras na cidade que aprendi a desbravar e que hoje tenho a pretensão de dizer que me viro muito bem nela, conheço alguns caminhos e sou difícil de me perder. Talvez as pequenas novidades e encontros pelo trajeto atenuem minha ânsia de partir. Por enquanto, a estabilidade me tem e as tranqueiras vão virar utilidades para outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2958184034236073704?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2958184034236073704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2958184034236073704&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2958184034236073704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2958184034236073704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/07/casa-nueva.html' title='Casa nueva!'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-6124328161728566095</id><published>2009-06-24T00:23:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:15:21.073-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Japão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>A Partida</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SkGijRpXE-I/AAAAAAAAAi4/HqzkXSpBUv0/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350736559208862690" src="http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SkGijRpXE-I/AAAAAAAAAi4/HqzkXSpBUv0/s400/untitled.bmp" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 274px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Qual o problema que esse pessoal que vai ao cinema tem com os créditos? Eu até entendo que pra quem não é da área não diz muito aquele monte de letras subindo a tela depois de duas horas de projeção, mas respeitem quem curte até o fim, ainda mais se há imagens passando por detrás das letras. A parte boa é que a seqüência era bastante interessante no filme &lt;i&gt;A Partida&lt;/i&gt;, em que o 'preparador' de corpos para o funeral japonês arruma um deles de forma bem bonita e respeitosa. Enquanto isso acontece e paramos para ver, uma senhora de meia idade fica bem na nossa frente e comenta alto com a amiga que está precisando se reconectar ou que se sente desconectada ou algo cibernético do gênero, mas acho que ela quis dizer ir para um spa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que &lt;i&gt;A Partida&lt;/i&gt; é um filme bobo é quase maldade. A história é bonita, mas quando não é o conteúdo, é a forma que escapole. Um violoncelista perde o emprego quando a orquestra em que tocava é dissolvida. Casado e com contas a pagar, retorna à cidade natal e encontra emprego numa  espécie de agência funerária que prepara os corpos para o funeral. É um ritual japonês, da maquiagem ao figurino e sob a presença dos familiares. A esposa, claro, não sabe da profissão do marido e os problemas começam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que poderia ser um filme bonito cai no brega e no exagero. Minha tese é a de que, para universalizar-se com um tema tão específico à cultura oriental, eles aliviaram em alguns tons, pesaram em outros e trouxeram diversas e gratuitas referências ocidentais. Para isso temos uma esposa quase histérica de tão sorridente e aparentemente submissa, a Ave Maria tocada no violoncelo - que deprime até Amélie Poulain e Poliana - mais violoncelo e paisagens inundando o cinema, numa possível metáfora de equilibrio e ascensão de nosso personagem principal, algumas situações que puxam para a comédia da piada física: trejeitos, caretas, expressões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sequencia magnifícia e que vale o destaque: logo no início do filme, enquanto nosso herói trabalha na Orquesta, eles se apresentam numa construção belíssima da cena, tocando a nona. Melhor momento do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o fato é que depois de um papo de bar divertido com amigos, dois chopps devassíssimos e uma boa companhia no cinema, quase vale qualquer filme. De alguma forma esse ganhou o Oscar do ano, passando por cima de outros ótimos, como The Class e Valsa com Bashir. Na verdade, compreender porque estes dois últimos não venceram é apenas abrir os olhos um pouco mais: Bashir nos traz a guerra do Líbano, um massacre sem fim e The Class é um retrato ao que se entende, fiel das relações sociais em escolas francesas cujos alunos são, em maioria, imigrantes. Dá pra entender porque um filme tão distante da realidade americana, tão inocente e sem culpas entrou na jogada e faturou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Críticas às cafonices à parte, o filme garante lágrimas aos mais sensíveis, imagens belíssimas de natureza (cerejeiras, pássaros... toda a fauna e flora japa que vemos nos docs da NatGeo) e um conjunto de sequencias com os rituais celebrados. Até parece um pedaço do Japão verdadeiro. Fiquei me perguntando e comentei com Mati sobre as interpretações e concordamos que tanto o protagonista quanto a esposa poderiam ser melhor elaborados, sem tanta caricatura. Já os personagens mais velhos, como o dono da agência funerária, a dona da casa de banho e seu colega de trabalho, merecem prêmios. Carregam o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é o velho problema da expectativa. Eu li ou vi um filme... ou foi Bukowski... acho que foi Bukowski, um conto seu que um personagem diz: A expectativa é a mãe da decepção e o Acaso, pai da Felicidade (ou algo do gênero, que não sou boa com citações). Faz sentido até...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título Original: Okuribito&lt;br /&gt;Diretor: Yôjirô Takita&lt;br /&gt;País: Japão, 2008&lt;br /&gt;130 min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-6124328161728566095?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/6124328161728566095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=6124328161728566095&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6124328161728566095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/6124328161728566095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/06/partida.html' title='A Partida'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SkGijRpXE-I/AAAAAAAAAi4/HqzkXSpBUv0/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-9195291778262007713</id><published>2009-06-08T01:01:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:14:40.855-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Brisa...</title><content type='html'>Um sopro de ar, uma leveza, um olhar, o riso. Como uma brisa que passa, ficou o sorriso solto no espaço, uma vontade de alguma coisa que não sabemos bem definir, um movimento novo na atmosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar, como eu, está de ressaca. De dentro do táxi, só me dei conta disso quando passei pela orla à noite. Ainda com as janelas fechadas do vento frio, dava pra ver as ondas quebrando com violência na praia. Dentro, um movimento urgente, que nos intriga e inquieta. O mar tem dessas coisas, expressa tudo o que não conseguimos. Mas não há muito o que fazer. Fico parada e espero que o passarinho dentro de mim se acalme novamente e mantenha seu ninho onde nasceu. Ainda não é hora de dividir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conhecemos as histórias particulares, entendemos o que é melhor para nós, calculamos toda a matemática que nos é posta, mas o que queremos de prova é outra coisa. E, se como o vento que sopra ainda lembra a agradável brisa de outros dias, que a deixemos na memória, esperemos a turbulência sossegar e vivamos quase tranquilamente. Às vezes é só o tempo nos mandando um recado carinhoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-9195291778262007713?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/9195291778262007713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=9195291778262007713&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/9195291778262007713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/9195291778262007713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/06/uma-brisa.html' title='Brisa...'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2730845147086933449</id><published>2009-06-02T08:22:00.001-03:00</published><updated>2012-01-21T23:14:28.438-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><title type='text'>447</title><content type='html'>Eu fico me perguntando porque nos abalamos com esse acidente do Air France. Tudo parece um filme, tão surreal é o acontecido. Hoje, com a tecnologia que se tem, com a segurança que é voar... um avião desaparece com quase 300 pessoas no meio do mar. Ao mesmo tempo, é algo distante, não conheço os passageiros ou seus parentes e o que costumava ser exibido nos noticiários era apenas uma gripe nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei mais cedo. Levantei e a primeira coisa em que pensei foi justamente no avião. Esses acidentes, ainda mais que os terrestres, apenas atestam a vulnerabilidade de que somos feitos. Não sei, mas encaramos a vida com uma falsa segurança de que vamos viver bastante e que nosso dia-a-dia durará anos. Ainda que dentro de nós saibamos que estamos à mercê do que pode acontecer, nunca esperamos por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um amigo que sofreu um acidente aéreo e perdeu a vida. Mais novo que eu e muito próximo, meu querido sequer conseguiu sair do aeroporto; a aeronave tentou alçar vôo e caiu. Tão estranho o fato que uma semana antes o havia encontrado, conversávamos, vivíamos. Por mais sinistro que pareça isso tudo, é somente parte do que somos e de como é estar. Há sempre e somente o presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 447 apenas nos relembra e cria uma sintonia de tristeza, uma harmonia coletiva de dor, de encontrarmos nas histórias dos passageiros-vítimas, algo com que se identificar. É dessas coisas que ninguém espera, não se entende, não se esquece. Que se pense em destino, desígnios do divino e sobrenatural. Como mais uma das questões da humanidade, o sumiço da aeronave que já se consolida com um aparecimento de destroços, não conseguirá explicar porque aquelas pessoas ou aquele vôo, se tudo não passou de uma rotina estranhamente alterada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2730845147086933449?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2730845147086933449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2730845147086933449&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2730845147086933449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2730845147086933449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/06/447.html' title='447'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-8232397143651699523</id><published>2009-05-05T23:13:00.001-03:00</published><updated>2012-01-21T23:14:09.435-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Infantil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Borboletas</title><content type='html'>Sua mãe uma vez lhe disse que as borboletas traziam sorte. Mas como trazer borboletas? Ela morava no alto de um desses prédios de cidade grande. Nunca tinha visto bichos de verdade, além desses de metrópole. Lembrou que uma vez foi no zoológico e viu, de longe, os bichos das florestas que nunca iria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, desceu para o jardim do prédio. Resolveu ir em busca de borboletas. Sua mãe não lhe disse como fazer e nem teria tempo, já que essa foi uma conversa para iluminar uma criança triste sem amigos na escola. Então ela corria e corria, agora todas as tardes, esperando e tentando alcançar as borboletas. Do alto do prédio alguém observava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou duas, mas a primeira morreu esmagada na sua euforia. A segunda, depois do enterro daquela, foi tratada com bastante carinho. Ela a levou para o quarto e, segurando suas asinhas, investigou cada detalhe do inseto dourado. Não sabia ela que, quando pegamos nas asas, elas deixam de voar. Então, quando soltou a borboleta no céu a viu despencar andares abaixo. Que tipo de sorte era aquela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desolada, sua mãe então lhe disse que não mexesse mais com insetos, mas o estrago já estava feito. O porteiro lhe disse que não adianta pegar borboletas, mas casulos, que a graça era vê-las nascer. Sem saber o que eram casulos, perguntou E a sorte?, Você verá quando ela aparecer., ele respondeu. Mas, mais difícil do que pegar borboletas em jardins de prédio era encontrar seus casulos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias e mais dias, ela desistiu. Não havia casulos em seu jardim. As borboletas precisam de árvores, natureza, tranquilidade, não um punhado de arbustos e flores instaladas em concreto. Triste, voltou ao apartamento e de lá não saiu até suas férias. Distraída na varanda, sem mais o que fazer, olhava para o teto. Lá embaixo, o jardim inútil. Em cima, teto, branco, umas folhas e flores ao redor, nada além de formigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem sorte, ela se preparava para o pior: a viagem da família. Se lembrou imediatamente do barulho, dos primos que a perturbavam, daquele ar de cheiro estranho, de como ficaria mais sozinha do que nunca, já que sua mãe a deixava lá no fim de semana. Sem brinquedos, sem revistas, Vá brincar com seus primos, ela insistia, como se fosse uma obrigação divertida. Como se eles gostassem dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma casa grande, como uma dessas raras fazendas de família. Muito espaço, frutas, até uma vaca, tinha. Mas ela não se importava e até se incomodava demais com os mosquitos e aquele leite estranho. Resolveu andar, assim ficaria longe dos mosquitos, da vaca, dos primos. Andou tanto que cansou. Parou embaixo de uma mangueira. Não era janeiro, o que lhe restavam eram apenas as folhas verdes da copa. Olhando de perto num galho baixo, viu que tinha algo de estranho. O tronco era todo liso, terminava em galhos menores e folhas, muitas folhas. Mas aquilo não era uma flor, não era um nó, o que era? Tocou com a pontinha do dedo: nada. Mexeu de um lado para outro, aquele negócio pendurado, pequeno e marrom. Nada. Resolveu puxar. Tentou abrir, mas ficou com nojo, porque era meio mole. Deitou no chão e, como se tivesse uma lupa ou fosse um lobo, encostou o rosto e farejou, olhou, tentou entrar naquele saquinho de alguma coisa. Nessa brincadeira, dormiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou depois de sonhar alguma coisa que esqueceu. Esqueceu também de lembrar do sonho, que ela sempre tentava fazer mas esquecia que tinha que lembrar, todas as manhãs. Nesse momento, pensou em algo mais importante. Sabia que ele era quieto, esquisito e vivia imitando ela. Se ela desceu para catar borboletas, ele foi no dia seguinte, meio escondido. Ela sempre sabia e sempre fingia que não. Era quase um jogo de esconder às avessas. Ficou pensando em como ele a venceria, depois que levasse esse saquinho para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sua mãe finalmente a pegou, ela estava tranquila. Havia passado dois dias inteiros na mangueira, olhando o saquinho marrom. Assim que chegou em casa, achou importante e digno bater à porta do vizinho. Ele sabia que ela estava a caminho, já que viu o carro entrando na garagem. Abriu a porta assustado, como se tivessem descoberto seu segredo. Sem muito dizer, ela abriu a mão e ele viu, sabia o que era, ainda que ela dissesse que era seu saquinho da sorte, já que não encontrara borboletas e nem nada parecido. Ele, que sabia um tanto mais, ao tentar pegar o casulo, ela deu um passo atrás. Ele foi à frente e, quando abriu a boca para contar então o segredo, o saquinho começou a se mexer e ela sentiu medo. Ele pôs sua mão embaixo da dela, para que não deixasse cair. Ela quase chorava, mas não faria isso na sua frente. A borboleta voou pelo apartamento. Ela precisava da borboleta, era dela, ela havia encontrado. Ele queria a borboleta, merecia, sabia o que era o casulo. Mas, quando a borboleta encontrou a janela, era tarde demais. Indo embora, virou-se um instante para os dois e, como se piscasse com o bater das asas, se despediu. E eles ficaram ali, juntos e calados, sem perceber que a sorte lhes chegara em forma de amizade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-8232397143651699523?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/8232397143651699523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=8232397143651699523&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8232397143651699523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/8232397143651699523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/05/sua-mae-uma-vez-lhe-disse-que-as.html' title='Borboletas'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-1770491267042140312</id><published>2009-05-04T10:28:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:13:37.310-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Domingo</title><content type='html'>1.&lt;br /&gt;O maior problema do Flamengo nessa cidade são seus torcedores. Eles passam horas gritando de onde estiverem para quem quiser e não quiser ouvir, 'mengo'. Ontem, no começo do jogo (Botafogo x Flamengo), o 'mengão' fez um gol. Eu estava saindo de casa e vi uma cena que depois percebi ser clássica: ouvi a torcida e pensei: gol. Um sujeito estava em seu apartamento, foi até a janela e gritou 'mengo!'. Ele viu que quase não tinha ninguém na rua além de mim. Gritou de novo, já meio sem jeito. Segundos depois, uma menina, no mesmo prédio que o dele, foi à janela e gritou 'mengo!'. Essa nem percebeu o vazio da rua e o vizinho calado que a observava na janela ao lado. Eles me lembram os cachorros que trocam uivos distantes nas noites de cidades menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;Era uma vez uma viagem ao Rio. Eles, alemães. Pai, mãe e filho. A mãe, gorda, rosto bonito, queria fazer topless e ler revistas. Foi ao mar. O filho, de talvez 14 anos, parecia bastante com o pai, só que mais magro e atlético. O pai, um sujeito de meia idade, provavelmente desses que tem amante, mais pelo dinheiro do que pela beleza. Barrigudo, calvo de fios lisos, pálido. Feio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família feliz vê duas meninas na praia. Sentada a branquinha, deitada a morena. Como o costume manda, o pai olha para a morena. Ela, já acostumada à situação, comenta cansada com a amiga. Elas observam o comportamento do pai. A mãe finge que não vê. A criança é criança. O pai insiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traçou-se um perfil raso e talvez falso da família. O que importa é a intransigência, audácia e ousadia do pai. Não há mais respeito. É o tipo do olhar que de tanta teimosia, irrita. Fomos almoçar. Ao olhar o cardápio do restaurante de beira de praia, ganho uma flor com um 'for you'. Thank you. Provavelmente outro pai. Não me virei para olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;Noite de &lt;i&gt;Hamlet&lt;/i&gt;. Contos depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-1770491267042140312?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/1770491267042140312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=1770491267042140312&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1770491267042140312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1770491267042140312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/05/domingo.html' title='Domingo'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5986944648929418546</id><published>2009-05-01T23:04:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:13:08.632-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coréia do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polônia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Feriado</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sfut030SbHI/AAAAAAAAAh4/oLS2tC9GlMA/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331045707771178098" src="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sfut030SbHI/AAAAAAAAAh4/oLS2tC9GlMA/s400/untitled.bmp" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 279px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por que há tanta necessidade de se definir tudo? Por que é tão difícil perceber que algumas coisas que vivemos e sentimos simplesmente não possam se definir? O que há de errado nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado como esse é um pensamento recorrente em mim. Hoje tive uma conversa com uma amiga que retomava essa história, uma busca por definições de sentimentos, pensamentos, experiências... acho sim que a partir do momento em que definimos algo, acabamos perdendo toda a dimensão que este mesmo algo poderia ter. É como se eu perguntasse a você: Quem é você? E você me respondesse: Eu sou Fulano. Mas, a quantas pessoas eu posso fazer essa mesma pergunta e obter a mesma resposta? Você se define apenas por um nome? Ou uma frase?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim também e talvez ainda mais evidente seja se tratarmos dos sentimentos. Quando dizemos que amamos alguém, limitamos tudo o que sentimos a uma frase, a um termo. Mas o amor, o ódio, o carinho, o sentimento que for, é muito mais amplo e infinito em nós do que um verbo consegue exprimir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante da conversa toda é a confluência das situações que vivi ainda hoje e que entraram em sintonia com o tema. Assistindo &lt;i&gt;A Dupla Vida de Véronique&lt;/i&gt;, de Kieslowski vemos com força total a expressão de sentimentos sem o prejuízo da palavra. Numa estória em que sentimentos são o mote principal, não há espaço para aquele conhecido excesso de diálogos. E o diretor conseguiu traduzir na tela, com a fotografia, com o elenco, com a música. Há forma melhor do que essa para reinterpretar ou transmitir o que sentimos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, acabo de ver o &lt;i&gt;Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera&lt;/i&gt;. O filme quase não tem diálogos e os que há são fundamentais. Dá para sentir como a ausência de fala pode dizer muito mais. É um filme que lhe transporta, transforma seu estado de espírito, te inunda com um outro olhar, num outro tempo e espaço. Numa outra vida mesmo. São filmes assim que nos tornam diferentes, causam estranhamento,  nos dão aquele tempo de sentir, de pensar, de participar ou, como diria um professor de artes, de fruir. Mais uma vez, não adianta tentar definir muito, apenas indicar o filme. Para esse, não vale nem sinopse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que precisamos de momentos como os que tive hoje, simples, baratos, tranquilos e ricos. São eles que nos sustentam, nos fazem crescer. É tempo de parar e refletir, não viver apenas o todo-dia-a-mesma-coisa. E, se faltarem palavras, relaxe: a brincadeira é exatamente essa. Até porque, você nunca consegue dizer tudo o que quer e jamais será entendido como espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmes:&lt;br /&gt;A Dupla Vida de Vèronique&lt;br /&gt;Título original: La double vie de Vèronique&lt;br /&gt;Diretor: Krzysztof Kieslowski&lt;br /&gt;País: França, Polônia&lt;br /&gt;1991, 93 min.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera&lt;br /&gt;Título original: Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom&lt;br /&gt;Diretor: Kim Ki-Duk&lt;br /&gt;País: Coréia do Sul&lt;br /&gt;2003, 99 min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5986944648929418546?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5986944648929418546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5986944648929418546&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5986944648929418546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5986944648929418546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/05/feriado.html' title='Feriado'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sfut030SbHI/AAAAAAAAAh4/oLS2tC9GlMA/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-2611730892056718229</id><published>2009-04-19T19:15:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:12:13.226-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romance'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inglaterra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comédia'/><title type='text'>Simplesmente Feliz</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Se5GnMEOR4I/AAAAAAAAAhY/H8m2VPIDgNA/s1600-h/feliz.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327273048293656450" src="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Se5GnMEOR4I/AAAAAAAAAhY/H8m2VPIDgNA/s400/feliz.bmp" style="cursor: hand; display: block; height: 246px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Normalmente os domingos costumam ser mais ou menos assim: acordo tarde porque saí na noite anterior; às vezes estou com uma ressaca mortal que me deixa letárgica, às vezes é só preguiça: costumo passar o dia de camisola, no sofá, vendo tv, lendo livro e cochilando. No sábado, fez um dia lindo. Estamos no Outono e a temperatura está uma delícia. Não vemos muito isso em Salvador, que costuma ser quente quase o ano inteiro. Aqui está tudo muito gostoso: venta de leve, céu azul, é um ar fresco e à noite tem feito um friozinho de dormir sem ventilador e ter sono profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que ontem passei o dia inteiro quase de preguiça, entre conversar com Luciene e fazer nosso almoço, ir ao salão para deixar as unhas de mocinha e tomar susto com a Esquadrilha da Fumaça. Em seguida, cine e boteco. Dormi às 02:30h. Acordei às 10h, de sono pesado e mamis ao telefone. Fiquei lerda sem ressaca e coragem de sair. Me situei entre &lt;i&gt;que dia lindo para fazer alguma coisa&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;jamais irei na praia, que deve estar lotada&lt;/i&gt;: o que eu precisava mesmo era de um impulso de um amigo, parente, conhecido, vizinho etc. Não rolou. Me obriguei a sair de casa às 16:15h para ir ao cine novamente. E é onde tudo começa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme foi &lt;i&gt;Simplesmente Feliz&lt;/i&gt;. Vendo o trailer você decide se conseguirá ver o filme com uma protagonista que é quase irritante O negócio é que a professora de primário de 30 anos que vive com a amiga em Londres é uma otimista do tipo quase-débil. Ela é feliz em todas as direções, à primeira vista: reconciliadora, graciosa, irritante e risonha. Mas o que me interessou no trailer é que eu tinha a certeza de que seria um filme leve, sem maiores pretensões e que tinha chances de sair uma comédia divertida mesmo, nos limites que o roteiro prevê. E assim foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinha no cinema mais cult da cidade, com três salas pequenas, café, teatro, exposição e livraria, cheguei mais cedo e me deparei com milhares de velhinhas e velhinhos com menos preguiça do que eu. Fui à livraria e quase desandei no consumismo. Fiquei um tempo olhando os livros, esperando que algum me desse um tchauzinho ou piscasse o olho. Tentei, esperei, mas consegui sair da loja sem gastar. Estou em busca de livros específicos e preciso me concentrar neles e não no resto do universo. Entrei no cine e descobri que uma sala com pessoas mais velhas é sempre melhor, porque elas realmente ficam caladas e estão interessadas em &lt;span style="color: #660000;"&gt;ver o filme de verdade&lt;/span&gt;. Terminado o filme, tentei uma outra sessão, mas já tinha visto o seguinte e fui pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim com uma sensação estranha, o filme me causara uma pontuação no peito. Eu estava feliz? Eu estava tranqüila? E por que um filme aparentemente bobo me causaria tantas perguntas? Saí da praia de Ipanema e segui pra minha rua com cara de interrogação, exclamação e muitas reticências, como se andasse em outro planeta. Sabe como é? É como se você desconhecesse tudo a seu redor, as pessoas que te olham quando você passa, os elogios decorosos e indecorosos, o filhote de labrador que ficou brincando comigo até eu entender que o coroa dono dele poderia achar que meu interesse era nele e saí de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que esse filme traz um amálgama de reflexões que parte de situações do cotidiano que vivemos, sem interpretar a todo instante. É um novo ponto de vista vindo de um filme que não usa a fantasia – como &lt;i&gt;Amélie Poulain&lt;/i&gt; – mas o dia-a-dia de qualquer pessoa. E a personagem irritante com roupas coloridas além da conta vai ganhando outras dimensões, como todo indivíduo. Sua complexidade é intensificada de acordo com suas reações a acontecimentos banais. Uma grosseria, uma briga, uma situação delicada no trabalho, com a irmã, e como a personagem reage a tudo, um ponto de vista novo que não infantiliza as situações vividas, mas nos traz novas perspectivas e oportunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ainda um filme que fala de amizade, de escolhas que fazemos na vida e de como elas nos transformam sem percebermos. É um filme que, ao contrário de particularizar situações, nos aproxima delas, como se todos pudéssemos passar por experiências similares. Sem maiores pretensões, é um filme que nos preenche a cada seqüência, a cada nova resposta para as perguntas ali expostas. É, por fim, um filme leve e tranqüilo, com uma velha lição de moral que é dada de uma forma diferente e inteligente. E ela ainda dança flamenco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Título original: Happy-go-Lucky (2009)&lt;br /&gt;Diretor: Mike Leigh&lt;br /&gt;País: Inglaterra&lt;br /&gt;118 min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-2611730892056718229?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/2611730892056718229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=2611730892056718229&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2611730892056718229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/2611730892056718229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/04/simplesmente-feliz.html' title='Simplesmente Feliz'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Se5GnMEOR4I/AAAAAAAAAhY/H8m2VPIDgNA/s72-c/feliz.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3392666112662415762</id><published>2009-04-17T09:58:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:10:38.583-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><title type='text'>Imagens da Semana</title><content type='html'>Não sei se todo mundo viu, mas eu vi e, mais uma vez, acho que a repercussão que teve aqui foi muito pequena e superficial. Nesta semana, com a greve dos trens da empresa SuperVia do Rio de Janeiro, milhares de trabalhadores ficaram sem transporte principal e mais, quando a greve começou a ceder e alguns trens voltaram a funcionar, &lt;b&gt;os clientes &lt;/b&gt;foram espancados e levaram chicotadas ao entrar nos vagões. Eu não sei o que acontece... eu sei que vi apenas uma pessoa do trabalho comentar o assunto e tudo se passou como se o caso não fosse grave. Por que os caras não foram presos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ás vezes fico me perguntando porque as pessoas tomam algumas atitudes de forma tão desesperada. Não sendo alienada ou estúpida, entendo a agonia do povo em tomar os trens - o Rio de Janeiro é uma cidade grande que se espalha muito além da Zona Sul e Centro e o trem é um meio de transporte fundamental de ligação destes com os bairros periféricos. Os moradores dos bairros distantes costumam ter poder aquisitivo bastante inferior aos que moram do lado de cá e faltar um dia de trabalho ou os 4 da greve pode lhes causar o emprego de que dependem. Mas, ao tempo que penso nisso, se eu visse os funcionários da SuperVia chicoteando pessoas que entravam nos trens, eu não entraria. E acho surpreendente como não aconteceu um quadro de violência ainda maior, sinceramente, não entendi como ninguém cercou esses animais da SuperVia e lhes deu uma surra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cesar Cabral criticou as concessionárias de transporte público cariocas, dando ênfase óbvia aos trens (para quem não está ligado, são aqueles trens que aparecem no filme Central do Brasil). Esses trens estão sucateados até o limite, os acidentes nas vias são praticamente semanais, sem falar que ocasionalmente ainda acontecem trocas de tiros de traficantes com traficantes e traficantes com policiais. A falta de respeito com os conterrâneos é absurda por aqui. Não que seja em gradação menor em outros cantos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação da SuperVia só se tornou alarmante de fato porque o espancamento foi veiculado &lt;b&gt;ao vivo&lt;/b&gt;, lembrando as situações de tortura que rolam  mundo afora. Surpresa para poucos: se Sérgio Cabral não fez um pronunciamento efetivo de suspensão das atividades da empresa, se o diretor da empresa apenas pediu desculpas e admitiu a fragilidade de seus funcionários agora demitidos, se os direitos humanos não apareceram para reclamar, não sei porquê. O que eu sei é que ainda haviam policiais no local que se fizeram de besta e não impediram a ação dos psicopatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim da história, em busca do escrever por aqui, saiu essa agonia. O jornal da manhã mostrou as imagens da semana e, mais uma vez, saiu a sequência de imagens da &lt;i&gt;GloboNews&lt;/i&gt; mostrando as agressões nos trens abarrotados de gente. Que a semana que vem mostre alguma coisa legal, para variar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3392666112662415762?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3392666112662415762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3392666112662415762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3392666112662415762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3392666112662415762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/04/imagens-da-semana.html' title='Imagens da Semana'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-1553800908466850021</id><published>2009-04-02T01:08:00.000-03:00</published><updated>2009-04-02T01:11:15.640-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Livros!</title><content type='html'>P.s.: Estou a disposição para ganhar livros para ler. Aceito todos de coração aberto e mente ávida. Indicações são também bem-vindas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-1553800908466850021?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/1553800908466850021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=1553800908466850021&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1553800908466850021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1553800908466850021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/04/livros.html' title='Livros!'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-4224893804491221523</id><published>2009-04-02T00:56:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:10:10.589-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>A culpa é do Jardim.</title><content type='html'>Ontem li um texto de Borges que contava a história de um labirinto. Segundo o autor, era um romance policial que o leitor só entenderia no último paragrafo. Não era simplesmente um labirinto, mas um emaranhado de livro e labirinto que tratava da infinitude, do tempo, dos universos paralelos, como questões de múltipla escolha, sendo todas possíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou digerindo a idéia junto com outros pensamentos correlatos, mas hoje me peguei pensando no Ano. Há mais ou menos um ano participei de uma edição do É Tudo Verdade aqui no Rio. Hoje fui novamente e vi uma estréia do filme de Eduardo Coutinho – Moscou – do qual ainda falarei. Fiquei pensando em quem eu era e em quem eu me tornei nesse intervalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo acontece muito rápido. Faz-se a escolha e depois é só seguir o caminho quase que automaticamente. Nem dói. Os dias vão se tornando cada vez mais curtos em nossa memória e daqui a pouco já é amanhã e tenho muito o que fazer hoje, incluindo uma boa noite de sono. Noite essa, que já passo uma parte longa acordada. O dia é curto para nossas tarefas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um ano eu começava meu primeiro trabalho. Há um ano eu ainda me equilibrava para me sustentar e hoje já dou cambalhotas e faço piruetas. Hoje estou indo ao terceiro trabalho, com sorriso no rosto de satisfação e agradecimento a tudo e todos que contribuíram para essas reviravoltas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei na poltrona do cinema e ela me pareceu familiar. Ao contrário do ano passado já conheço, reconheço e sou reconhecida por algumas pessoas que passam por mim, sentam, compartilham as sessões e espaços. Estou deitada numa cama de um apartamento quarto-e-sala em Copacabana, pertinho da rua que Drummond viveu e escreveu sua vida. Há pouco mais de um ano, morava com meus pais em Salvador, numa casa deliciosa e confortável, calorosa e com She-Ra para me proteger e acarinhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que doidice. Um ano é muito e pouco ao mesmo tempo. Pense aí em quem você era há um ano e em quem você é hoje. Pense nas escolhas, nas oportunidades e alternativas que você aceitou e abdicou e em como elas vão lhe definindo. Ainda há por aí, em Salvador, a garota que não veio pro Rio. O que ela estará fazendo agora? Será que ela ainda pensa em partir? Mas quando? E para onde? Uma coisa é certa: a menina que partiu está por aqui, continua fazendo escolhas, definindo a própria vida e, quem sabe, mais cedo ou mais tarde dará outro pulo do gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Borges conta, todas as alternativas são possíveis e para cada bifurcação há duas opções que futuramente se transformarão em mais opções e vamos escolhendo aos poucos uma a uma para viver. Se escolhemos não escolher, é também uma escolha. Eu escolho escolher e vou seguindo esse caminho, meio perdido aparentemente, mas cheio de confiança e desafios. Antes assim do que olhar pro teto e elucubrar incessantemente viagens em sonhos de contos de fadas e vidas perfeitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! O livro: Ficções, de Jorge Luis Borges.&lt;br /&gt;O Conto: O Jardim de Veredas que se Bifurcam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-4224893804491221523?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/4224893804491221523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=4224893804491221523&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4224893804491221523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4224893804491221523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/04/culpa-e-do-jardim.html' title='A culpa é do Jardim.'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-3167070888069656728</id><published>2009-04-01T13:54:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:09:50.074-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Lembrei do dia 4.</title><content type='html'>Enquanto o texto não vem, vi este de rascunho. Completei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aníversário deveria ser uma semana. Um dia é muito pouco. Aperte Play e deixe a vida te levar no seu único dia de festejos sendo todos devidos somente a você. Eu, particularmente já começo semanas antes, importunando os queridos com lembretes da comemoração da minha existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idade em si pouco importa. O que vale é passar anos e anos aprendendo, construindo, rindo, chorando, brincando e levando tudo muito e quase nunca a sério. Na minha festinha muita gente faltou, quase uma cidade*. Mas carreguei todos no meu coração, exatamente como fiz no Carnaval. Tudo o que construí desde o ano passado e que vou elevando andares a cada dia devo a mim e a vocês que de alguma forma estão a meu redor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um brinde a nós todos com o Champagne já bebido do dia 4 de março e os muitos que virão adiante!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-3167070888069656728?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/3167070888069656728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=3167070888069656728&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3167070888069656728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/3167070888069656728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/03/lembrei-do-dia-4.html' title='Lembrei do dia 4.'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-9130610460637712115</id><published>2009-03-25T15:39:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:07:24.689-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rússia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Docs</title><content type='html'>Com a chegada do &lt;b&gt;É Tudo Verdade! &lt;/b&gt;deste ano, aproveito pra colar meu dever de casa. Uma comparação sobre três docs boníssimos, diferentes e específicos. Valem a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue (tenham paciência e boa vontade):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparando: &lt;i&gt;Svyato, Passaporte Húngaro, O Homem Urso&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão as grandes histórias? Como encontrar motivos para filmar e como definir se eles são de fato filmáveis?  Ao buscar o desconhecido, os documentaristas estão se voltando ao redescobrimento do que lhes é familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScqDLYooVkI/AAAAAAAAAgY/xdtjJWTRRZk/s1600-h/17_300dpi.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317206541678958146" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScqDLYooVkI/AAAAAAAAAgY/xdtjJWTRRZk/s400/17_300dpi.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 225px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; O Homem Urso &lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Ainda que o espectador possa se enganar no início, &lt;i&gt;O Homem Urso &lt;/i&gt;não fala simplesmente de um viajante excêntrico que resolve morar na natureza. A vida nas intempéries e com perigos que os instintos animais – e aqui conto com o humano dentro do conjunto – é apenas o pano de fundo para a exibição daquele que se colocou diante das câmeras, o real personagem que se exibe numa comunicação de programa de tv inexistente. E há uma questão que complexifica o que exibimos: temos as seqüências realizadas pelo personagem que se apresenta e conversa com a câmera e ainda a mão do diretor, Werner Herzog, que traduz em história horas de material bruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;i&gt;Svyato&lt;/i&gt;, vemos uma criança que descobre, como Narciso, seu reflexo. O pai o ‘protegeu’ do momento até seus dois anos e agora registra e exibe para nós, o encontro de Svyato consigo mesmo. Acompanhamos sua surpresa, seu susto, o medo, o confronto a tentativa de encontrar o outro – pois não conhece sua imagem. Vitor Kossakovsky buscou na sua maior intimidade um mote para filme, o jogo da representação mais puro e honesto – no caso das expressões da criança – para transformar o documentário numa experiência de quem se assume voyeur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos filmes acima, percebemos o olhar do outro em duas escalas: enquanto Svyato se apresenta na tela sob o olhar de seu pai, &lt;i&gt;O Homem Urso &lt;/i&gt;mescla imagens de um sujeito-personagem, registros de uma vida, montados por um diretor distante. Mas ainda há uma outra possibilidade: a da exibição do próprio autor. Em &lt;i&gt;Passaporte Húngaro&lt;/i&gt;, a brasileira e diretora Sandra Kogut se põe diante das câmeras numa tentativa de tirar o passaporte húngaro através da herança genética familiar. Sandra não apenas se mostra, como conta a história de sua família através de seus parentes mais velhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão que se abre nos três filmes é a clara intimidade do autor com o que tenta exibir. À exceção do primeiro, em que este  não é diretamente o produtor-ator das imagens, nos outros dois a intimidade é marcante. A idéia de transformar em filmes, relatos da vida particular é o que nos interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;i&gt;O Homem Urso&lt;/i&gt;, vemos a construção do personagem entre entrevistas de amigos e suas próprias imagens por ele produzidas, contando sua rotina, seus sentimentos, suas necessidades como se, de um diário íntimo, fizesse um programa de tv sobre a relação do homem com a natureza selvagem. Esta necessidade do relato, de deixar o registro diário marcado, da narração se voltar a um público, é fruto de uma geração que compartilha seus diários. São os &lt;i&gt;blogs&lt;/i&gt;, por assim dizer, a marca desta geração que com a adição da popularização das câmeras digitais, transforma-se também num produtor de imagens para o mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a necessidade de expressão, a idéia de que há um conhecimento que precisa ser partilhado, este mote de que cada um torna-se produtor de conhecimento e informação sugere que todos temos algo a dizer aos demais. Mas, o que há de tão interessante e fundamental a ser dito? Por que essa necessidade de transmitir conhecimentos particulares ao mundo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Thimothy Treadwell enxerga o mundo e nos mostra através de suas lentes, Werner Herzog as reinterpreta e tenta descobrir aí não o que o personagem-produtor quer nos mostrar, mas uma tentativa de revelar quem é esse personagem, o que vemos dele no que ele conta. Para um documentarista contemporâneo, é um material riquíssimo, já coberto de polêmica e narrativa: um personagem que passou momentos da vida se filmando na natureza selvagem ao redor de ursos, morre como alimento para eles. Com final trágico e registrado, é quase um filme pronto e com público garantido. Não tirando o mérito de Herzog, é um filme sensível e que nos dá essa dimensão do outro que buscamos encontrar nas imagens montadas, muito mais do que nos depoimentos tradicionais de quem o conheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScqCwVIOhEI/AAAAAAAAAgQ/T-OriHekJ24/s1600-h/6421.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317206076881273922" src="http://4.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScqCwVIOhEI/AAAAAAAAAgQ/T-OriHekJ24/s400/6421.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 326px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; Svyato &lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;i&gt;Svyato&lt;/i&gt;, a história toma outro rumo. É um diretor que exibe também a intimidade de alguém na tela, entretanto o confronto é um pouco mais complicado: tratamos de uma criança, do filho do autor, que lhe prega uma peça e nos mostra. Por muito tempo se pensou que os documentaristas precisariam buscar tesouros perdidos, encontrar antropólogos etnográficos e descobrir nações outras, pessoas diferentes, mundos ou grandes histórias. Kossakovsky se esconde através de espelhos, liga suas câmeras e espera o filho vir descobri-los, como em um trote. Em sua experiência, assistimos nos surpreendendo com as expressões e manifestações da criança que só agora entendeu o que é sua imagem refletida. São 45 minutos quase sem texto ou cortes, em planos fixos. &lt;i&gt;Svyato&lt;/i&gt;, muito mais do que um documentário &lt;i&gt;diferente&lt;/i&gt;, é uma experiência prática para educadores, psicólogos, curiosos. Com um tema simples, a pretensão do diretor está justamente em contar histórias banais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kossakovsky já havia nos presenteado com sua outra experiência &lt;i&gt;Tishe!, &lt;/i&gt;registros a partir da janela de seu apartamento de uma esquina russa por um ano. O filme se vale da montagem para transformar semanas e meses em poucas horas e, ainda assim, entendermos o passar do ano por suas estações. Presenciamos também nos momentos de rotina, ciclos outros e, em um final singelo e surpreendente, conseguimos não ter a impressão de que o tempo passou por nós e nos perguntamos se o que vimos foi de fato um documentário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra Kogut aprofunda as questões antes abordadas. Ela não se deixa filmar, ela não é o personagem de alguém; ela filma e se filma. Ela é o personagem e diretor, inserindo ainda, sua família como coadjuvante. Com mais uma idéia de investigação, a diretora parte para a resolução de um problema, ampliando sua esfera de atuação. Convoca seus avós na pesquisa de herança genética e colhe daí muito mais, histórias de mundo e vida entrecruzadas por quem viveu momentos importantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScqD7zumWGI/AAAAAAAAAgg/wRKjB-r6_XU/s1600-h/passaporte_hungaro.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317207373585471586" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScqD7zumWGI/AAAAAAAAAgg/wRKjB-r6_XU/s400/passaporte_hungaro.bmp" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 300px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 381px;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;center&gt;Passaporte Húngaro&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Sandra concretiza, por fim, o mote de falar de si para exibir o mundo: ao contar histórias de seus avós e familiares, percebemos as vivências no mundo, no contexto de eventos marcantes historicamente, tratando literalmente de temas polêmicos, importantes não só para esta família, mas para muitas outras. O interesse de quem assiste pode começar apenas na intenção curiosa, mas é surpreendido e ampliado pelos relatos ali exibidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra amplia o &lt;i&gt;blog &lt;/i&gt;da geração, trazendo importância, fontes que viveram os momentos que contam, comprovações. Ainda é o descobrimento de um novo mundo, ainda que dentro de sua própria casa. Se Sandra tira de sua casa o mundo para quem a assiste, Kossakovsky traz o mundo para sua casa, as descobertas íntimas de seu filho, a exibição da própria imagem. Por fim está Herzog, que do mundo retirou para seu filme um sujeito que tentava exibir a vida selvagem dos documentários de busca tradicionais. Herzog, entretanto, consegue nos mostrar intimidades da figura que apresenta o mundo, como num jogo do contrário, em que o que nos interessa é ver quem ou o quê está próximo e não o longínquo desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Passaporte Húngaro&lt;/i&gt;, Sandra Kogut&lt;br /&gt;Brasil, Bélgica e França, 2001 - 72 min.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O Homem Urso &lt;/i&gt;(Grizzly Man), Werner Herzog&lt;br /&gt;EUA, 2005 - 103 min.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Svyato&lt;/i&gt;, Vitor Kossakovsky&lt;br /&gt;Russia, 2005 - 45 min.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-9130610460637712115?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/9130610460637712115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=9130610460637712115&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/9130610460637712115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/9130610460637712115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/03/docs.html' title='Docs'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScqDLYooVkI/AAAAAAAAAgY/xdtjJWTRRZk/s72-c/17_300dpi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-1121652267289503161</id><published>2009-03-23T23:30:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:06:25.679-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Uma breve história do tempo.</title><content type='html'>Um passarinho pousou na minha janela. Era domingo nublado. O dia de preguiça, tv e sofá foi interrompido por essa visita inusitada: morando no térreo, quase não vemos passarinhos. Ele pousou na minha janela e ficou me encarando, me provocando pra ver o que eu faria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiz o que tinha que ser feito: fiquei encarando o passarinho pra saber o que ele faria. Ele ficou lá, parado, volta e meia fingia que ia voar, tentando me testar. Achava ele que eu ia correr para ver que caminho ele tomaria. E eu ficava ali, parada, vendo ele sacudir as asas, se exibindo. Desliguei a tv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passarinho passou a tarde comigo, nessa brincadeira boba que nos deixa felizes. Dei água e ele se esbaldou. Tentei alcançá-lo, mas se assustou. Nesse tempo todo, quase não me dei conta de que o passarinho precisava voar. Quando menos esperava, ele ia longe, pelo céu cinza e sem vento. E o meu domingo de preguiça, tv e sofá foi transformado pela beleza dos pequenos gestos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-1121652267289503161?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/1121652267289503161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=1121652267289503161&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1121652267289503161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/1121652267289503161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/03/uma-breve-historia-do-tempo.html' title='Uma breve história do tempo.'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-4481437091652765432</id><published>2009-03-17T16:46:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:07:40.533-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estados Unidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clássico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Marlon Brando pousou na minha mesa.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScAB9IyzFFI/AAAAAAAAAgI/HfT7uUth5Es/s1600-h/brando_w_cat.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314249710141379666" src="http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScAB9IyzFFI/AAAAAAAAAgI/HfT7uUth5Es/s400/brando_w_cat.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScAA7w51UjI/AAAAAAAAAgA/GYRTLNC9fJE/s1600-h/marlon_brando3.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314248587036938802" src="http://3.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScAA7w51UjI/AAAAAAAAAgA/GYRTLNC9fJE/s400/marlon_brando3.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 397px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sb__nm3N93I/AAAAAAAAAf4/fx87RmYvPEw/s1600-h/marlon_brando2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314247141232605042" src="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/Sb__nm3N93I/AAAAAAAAAf4/fx87RmYvPEw/s400/marlon_brando2.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 395px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fotos são de Murray Garret, na casa do ator, nos anos 60. Você pode vê-lo 22 vezes mais na Caixa Cultural carioca por estes dias, em seus filmes. Marlon foi ícone de um tempo em que não haviam tantas categorias e que a frescura masculina era restrita aos homossexuais. Sem emo, homo, uber, metro ou qualquer outro derivado, aquilo sim, era homem de verdade numa época em que a musculação era trabalho braçal e bomba só se conhecia da que explodia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-4481437091652765432?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/4481437091652765432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=4481437091652765432&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4481437091652765432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/4481437091652765432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/03/marlon-brando-pousou-na-minha-mesa.html' title='Marlon Brando pousou na minha mesa.'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/ScAB9IyzFFI/AAAAAAAAAgI/HfT7uUth5Es/s72-c/brando_w_cat.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-469421593197056822</id><published>2009-03-11T15:49:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:11:32.879-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hora do Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TV'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Drummoneando</title><content type='html'>Há gente que pensa que para tudo há uma explicação complicada nas artes. Você vê um filme simples e acha que o diretor quis fazer uma interpretação implícita, uma crítica social. Você vai a um museu e passa três horas olhando o quadro da Monalisa para descobrir se ela está rindo, cínica, chorando ou simplesmente curtindo com sua cara. E com a poesia não é diferente. Como eu sou o tipo da pessoa que desconfia das coisas, costumo pensar que às vezes as coisas simplesmente são uma brincadeira, uma manifestação do tédio, uma curtição qualquer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mari, minha comadre, esteve aqui neste último fim de semana e me trouxe um livro pra ler: &lt;i&gt;Dossiê Drummond&lt;/i&gt;, de Geneton Moraes Neto. O livro traz logo de cara uma entrevista deliciosa com o poeta, seguida de intervenções de outros amigos que aparecem para homenageá-lo. Ainda estou na entrevista, feita por telefone, numa circunstância muito difícil, em que a filha do poeta estava internada num hospital e ele sofria do coração. Duplamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é um achado e a diversão segue ainda que com estes percalços. É muito divertido, por exemplo, quando Drummond fala sobre programas de tv e diz que assiste ao &lt;i&gt;Sem Censura&lt;/i&gt;, o programa eterno da TVE (atual TV Brasil). Ele diz que como são vários entrevistados sempre, às vezes fica meio chato. Pense nisso: Leda Nagle comanda! Outro programa que ele gosta, e aí lembro de meu pai, é o dominical &lt;i&gt;Globo Rural&lt;/i&gt;. Eu gosto do programa porque via como meu pai cedinho no domingo, coisas de fazenda, mato, bichos, sementes, plantações, cultivo. Drummond diz que não sabe como não se tornou fazendeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Woody Allen, o escritor sabe prender o leitor com suas palavras simples e jeito de viver sem vaidades aparentes. Enquanto Geneton o persegue tentando arrancar algum orgulho de seus textos, ele os assume como expressão de sentimentos, nada mais. Segue um predacinho que resume a história e deixa muito professor de literatura envergonhado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;b&gt;A pedra, afinal, existiu de verdade ou foi somente uma imagem?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Não; foi uma criação minha. Não tinha nada. Minha intenção era fazer apenas um poema monótono,sobretudo monótono – e com poucas palavras. Um poema repetitivo. Um poema chato mesmo. Uma brincadeira. Não tinha intenção nem de fazer uma coisa que agredisse o gosto literário nem também uma coisa que permitisse uma revolução estilística. O poema muito menos tinha uma intenção filosófica – aludindo a dificuldade que a vida pode oferecer à pessoa. Nada disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas o seguinte: fazer um poema com poucas palavras repetidas e bastante chato, bastante árido, bastante pedregoso. Uma brincadeira! Eu tinha vinte e poucos anos e nenhuma pretensão de fazer nada que pudesse irritar os outros. Era uma brincadeira, como a gente costuma fazer quando moço.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saber que ficamos tentando descobrir, cruzando referências de tempo, espaço e história o porquê da maldita pedra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-469421593197056822?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/469421593197056822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=469421593197056822&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/469421593197056822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/469421593197056822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/03/drummoniando.html' title='Drummoneando'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-609160721358051637.post-5264033586814848012</id><published>2009-03-07T11:57:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T23:04:54.604-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida real'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><title type='text'>Jornada</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SbKQDH2kebI/AAAAAAAAAfw/K834I6RPcS8/s1600-h/S5300002.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310465293945174450" src="http://1.bp.blogspot.com/_QYrfutMMXDA/SbKQDH2kebI/AAAAAAAAAfw/K834I6RPcS8/s400/S5300002.JPG" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 300px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se você acha que esta aí é a minha primeira ou até a última etapa para chegar ao trabalho todos os dias, está muito enganado. Fazendo as contas aqui, esta é a terceira. Vamos contar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Saio de casa, ando oito quadras até a estação de metrô;&lt;br /&gt;2. Pego o delicioso metrô com ar condicionado e leio o jornal curtinho que resume em poucas linhas as principais matérias do dia. Minha estação de metrô é gênia, porque é a primeira da linha, então SEMPRE tem lugar pra sentar;&lt;br /&gt;3. Saio do metrô e chego nesse ponto aí que vocês estão vendo. É o Largo do Machado e o ônibus de integração (faz parte da linha do metrô) me leva até Cosme Velho;&lt;br /&gt;4. A parte terrorífica: chego no último ponto do trajeto e subo andando uma ladeira esperta. Sem respirar, chego na porta do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da atividade física e dos trajetos todos, é fácil chegar lá e não demora tanto. A parte mais lenta é a do ônibus, mas, muito mais pelo trânsito e por eu sair no último ponto do que pela distância. A única coisa brutal disso tudo é subir a ladeira depois da noite do seu aniversário, de ressaquinha e com 35 graus na cabeça. Você acaba achando que vai morrer em algum momento, mas já descobri a técnica: finja que a ladeira não existe. Suba na paz do senhor, devagar e sempre e sempre, sempre leve uma garrafinha de água. A ladeira não é muito comprida, mas dá pra cansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como tudo pode ser um pouco pior do que parece, aqui está a ajuda divina que nos impulsiona pra cima: quando chegamos numa etapa da ladeira, temos a opção de virar à esquerda ou direita. Como as forças sobrenaturais estão de acordo comigo ainda, a minha ladeira é a da direita: infinitamente menos brutal que a da esquerda (que, se você subir pra sempre dá no Corcovado - sentiu o drama?). Outra coisa sensacional é que estamos num bairro extremamente arborizado, que alivia o sofrimento. A solução para a maratona é se forçar a ser uma garota saudável e evitar sair durante a semana, evitar beber e dormir cedo. Ou você acaba com a ladeira ou ela lhe acaba. A diferença é que ela não faz esforço algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, é como dizem os sábios: se não güenta vara, peça cacetinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/609160721358051637-5264033586814848012?l=extraforte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://extraforte.blogspot.com/feeds/5264033586814848012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=609160721358051637&amp;postID=5264033586814848012&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5264033586814848012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/609160721358051637/posts/default/5264033586814848012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://extraforte.blogspot.com/2009/03/trabaio.html' title='Jornada'/><author><name>Tati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14288167522479258905</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></a
